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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Nutrição para recuperação pós-geada

Uma das práticas adotadas na ocorrência de geadas é o uso do fosfito de potássio, pois esse nutriente (potássio) é capaz de aumentar o ponto de congelamento da seiva

Aldeir Ronaldo SilvaEngenheiro agrônomo e doutor em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – ESALQ/USPaldeironaldo@usp.br

Giovana Cunhagiovanacunha@usp.br

João Pedro Ramos da Silvajoaopedror@usp.br

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – ESALQ/USP

Lavoura de café – Crédito: Eberton Carvalho

Um dos fenômenos que podem ser letais para as plantas são as chamadas geadas. Esse tipo de evento ocorre com certa frequência nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

O processo ocorre pela formação de cristais de gelo dentro das plantas, em decorrência de baixas temperaturas, fazendo com que ocorra rompimento da célula e todo material intracelular seja perdido para o meio extracelular, causando uma série de problemas fisiológicos e bioquímicos, o que pode resultar em necrose (morte do tecido).

Ponto-chave

O produtor precisa estar atento às previsões climáticas, pois esse será o ponto-chave na tomada de decisão. O manejo nutricional se faz um aliado essencial durante esse período de baixas temperaturas.

Uma das práticas adotadas na ocorrência de geadas é o uso do fosfito de potássio, pois esse nutriente (potássio) é capaz de aumentar o ponto de congelamento da seiva, permitindo a maior tolerância das plantas às frentes frias. Considerado um fertilizante à base de fósforo, o fosfito é altamente solúvel e possui fácil absorção pelas folhas e raízes das plantas, além de apresentar inúmeras vantagens para o metabolismo vegetal e ser bastante móvel.

Outros nutrientes também atuam mitigando os efeitos das geadas, como é o caso do cobre. O micronutriente cobre é de extrema importância para as culturas, sendo componente de várias proteínas (ex: plastocianina, que é responsável pelo transporte de elétrons dos fotossistemas I e II), desempenhando papel fundamental no processo de fotossíntese, além de estar envolvido no processo de respiração, desintoxicação de radicais superóxido e lignificação, fixação de nitrogênio, percepção do hormônio etileno, entre outros.

Além disso, o uso de complexos de aminoácidos favorece as culturas durante esse período de exposição a baixas temperaturas. Embora produzam aminoácidos naturalmente, as plantas podem e são beneficiadas com o incremento exógeno através desses produtos. Os complexos de aminoácidos possibilitam maior circulação de seiva na planta e são de extrema importância para a composição de proteínas-chaves.

A união de uma boa nutrição de plantas, aliada ao conhecimento agronômico, possibilita que as culturas passem por situações de estresse de forma menos prejudicial, resultando em resistência a períodos turbulentos.

Vias de aplicação

A aplicação de fosfito de potássio pode ser via solo ou via foliar. Essa última forma de aplicação possibilita alto índice de utilização pelas plantas, utiliza doses menores e as respostas das plantas são rápidas, sendo possível corrigir deficiências após o seu aparecimento ou como ação preventiva.

A aplicação é realizada por meio de atomizadores acoplados em tratores, podendo ser aplicado junto a outros produtos, desde que não haja efeito indesejado com a mistura de tanque. A aplicação de produtos que possuem o complexo de aminoácidos deve seguir o mesmo princípio, sendo aplicado de forma pulverizada na folha, para que ele seja absorvido e que a substância seja metabolizada de forma eficaz pela planta.

Já para a aplicação via solo, alguns estudos indicam doses menores que 24 kg/ha de fosfito de potássio, evitando assim o efeito de fitotoxicidade. Já a aplicação do micronutriente cobre pode se dar via solo, aplicando de 1,0 a 2,0 kg/ha, no sulco de plantio ou a lanço, dependendo da cultura, enquanto a aplicação via foliar se dá na proporção de 400 L/ha de água junto a 0,1-0,2% de alguma fonte de cobre.

Produtividade

A nutrição adequada para a recuperação da lavoura após uma geada é de extrema importância para garantir uma boa recuperação das plantas, minimizando as perdas geradas. O manejo preventivo com aminoácidos maximiza a produção de enzimas e pode reduzir as perdas em até 50%.

Após a geada, a aplicação de bioestimulantes e outros nutrientes, como cálcio, fósforo, nitrogênio e potássio auxiliam e aceleram a fase de recuperação da planta.

Devido a esse metabolismo mais eficiente, a planta consegue realizar a fotossíntese de forma eficaz. Além disso, os aminoácidos têm a capacidade de aumentar a eficácia no uso de fertilizantes e a produção e resistência a estresses bióticos e abióticos.

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