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Nutrientes fundamentais para a alface

A alface é uma excelente fonte de vitaminas A, C e K, além de minerais como cálcio, ferro e potássio

José Augusto Pereira Neto
Graduando em Agronomia – Ifsuldeminas, campus Machado

Luis Lessi dos Reis
Doutor e professor – Ifsuldeminas
luis.reis@ifsuldeminas.edu.br

As folhosas têm grandes exigências nutricionais. Confira os principais nutrientes que não podem faltar:

Nitrogênio

Tal nutriente é exigido em maior quantidade pela maioria das culturas. Doses adequadas de N favorecem o crescimento vegetativo, o acúmulo de massa e o aumento da área foliar. Entretanto, o excesso pode ocasionar vários problemas. Recomenda-se que este nutriente seja aplicado em cobertura fracionando as adubações, por ser requerido durante todo seu ciclo.

Diversas literaturas citam que pode-se atingir altas produtividades aplicando de 200 a 250 kg de nitrogênio por ha.

Em deficiência, os sintomas são mais severos nas hortaliças folhosas, e nas folhas mais velhas há um amarelecimento uniforme, devido à sua mobilidade para as folhas mais novas.

Foto: Shutterstock

Fósforo

Este é o elemento que mais frequentemente tem limitado a produção agrícola do País, pois tem carência generalizada nos solos brasileiros, por se fixar facilmente ao solo. As plantas absorvem a maior parte do P na forma de íon ortofosfato primário.

Pode-se aplicar no transplantio das mudas de alface de 50 a 400 kg ha de P2O5, com posterior incorporação ao solo.

As plantas com deficiência apresentam redução no desenvolvimento, com amarelecimento das bordas das folhas mais velhas e, se esta severidade for elevada, pode provocar necrose das margens das folhas velhas. As raízes apresentam desenvolvimento anormal, reduzindo seu volume.

Potássio

Entre os fertilizantes consumidos pela agricultura brasileira, o potássio (K) é o segundo mais utilizado, ficando atrás apenas do fósforo, sendo também o segundo mais exigido pela maioria das culturas agrícolas.

Na adubação potássica de transplantio das mudas de alface, recomenda-se aplicar doses de 60 a 120 kg ha de KP, dependendo do teor de K do solo.

A deficiência de potássio provoca necrose nas margens das folhas mais velhas que, em alguns casos, pode estender-se para as áreas internervais.

Cálcio

O cálcio atua na estrutura da planta, compondo a parede celular. Atua também na germinação do grão de pólen e no crescimento do tubo polínico. As culturas como o tomate, pimentão e alface são bastante exigentes em Ca, pois sua deficiência interfere diretamente no produto consumido.

É recomendado realizar a adição antes do plantio, sendo o calcário a principal fonte deste nutriente.

A deficiência de Ca na planta se apresenta por meio da necrose em pontos de crescimento das folhas novas, denominadas “tip-burn”, a qual comumente ocorre em condições de temperaturas elevadas.

Magnésio

A principal função do magnésio é ser o átomo central da molécula de clorofila nas folhas verdes das plantas. A clorofila necessita de 15 a 20% do total de magnésio presente na planta para otimizar a absorção de luz e transferir energia para os centros de reação da fotossíntese.

O método para inserção do nutriente é pela prática da calagem com calcário dolomítico, pulverização com sulfato de magnésio a 5% e/ou fertirrigação com o mesmo produto, numa dose, por ciclo da cultura, de 40 kg ha.

As plantas deficientes em magnésio apresentam nas bordas das folhas mais velhas uma clorose que, dependendo da severidade, estende-se para o interior, entre as nervuras. É um sintoma muito semelhante à deficiência de N ou também de virose, o que exige do técnico ou produtor uma diagnose cuidadosa.

Enxofre

O enxofre (S) está presente nas moléculas da proteína, estando relacionado com a síntese da mesma e, também, faz parte da estrutura de alguns aminoácidos, como a cisteína e a metionina.

Para adubação com S, recomenda-se a utilização de fertilizantes que contenham S, como superfosfato simples, sulfato de amônio, sulfato de magnésio, sulfato de potássio ou gesso agrícola.

Os sintomas de deficiência de S na alface assemelham-se à deficiência de nitrogênio, porém, este nutriente não se transloca das folhas mais velhas para as mais novas.

Boro

O boro (B), nas plantas, é importante para formação de novos tecidos, por fazer parte da constituição da parede celular e da integridade da membrana plasmática. Além disso, participa da divisão celular, do metabolismo e transporte de açúcares, da germinação do grão de pólen e do crescimento do tubo polínico

Quando necessário, recomenda-se fazer uma aplicação de B no solo (20 kg ha-1 de bórax).

A deficiência de B provoca, em plantas novas, uma ondulação nas bordas, engrossamento das folhas e também se verifica o aumento de aspereza e a tonalidade prateada das folhas.

As folhas novas ficam pequenas e necrosadas, e, com a progressão da deficiência, acabam morrendo. Esta deficiência apresenta um sintoma bastante característico na raiz, onde provoca um fendilhamento longitudinal, que posteriormente é cicatrizado.

Deficiência nutricional, quando agir?

Devido aos vários estágios de desenvolvimento, as plantas requerem nutrientes químicos específicos em quantidades específicas. Se esses nutrientes químicos não forem fornecidos no volume correto, as plantas não se desenvolverão normalmente.

Os nutrientes químicos primários são nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), cálcio (Ca), enxofre (S) ou magnésio (Mg). Esses produtos químicos suportam as necessidades finais de vegetação.

Os maiores volumes estão incluídos nos fertilizantes do grupo NPK. Além disso, a vegetação requer pequenos volumes de cobre (Cu), ferro (Fe), molibdênio (Mo), zinco (Zn), boro (B), manganês (Mn), etc.

A fome de nutrientes da vegetação acontece frequentemente devido à deficiência de produtos químicos em solos pobres. No entanto, as plantas podem ser incapazes de absorver os produtos químicos necessários, mesmo quando os solos são ricos.

Em particular, acontece devido à salinização do solo, uma causa séria de deficiência de nutrientes nas plantas.

● Raízes danificadas ou não desenvolvidas;

● Irrigação insuficiente ou excessiva;

● Drenagem ruim;

● Taxas de pH inadequadas.

Como prevenir

Pulverização de folhas ou adição do produto químico carente ao rizoma são opções típicas. Se a absorção do nutriente necessário for impossível devido a certas condições de campo, o problema deve ser diagnosticado por testes de solo e, consequentemente, abordado.

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