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Panorama nacional da produção de ameixa

Crédito: Pixabay

Paula Almeida Nascimento
Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
paula.alna@yahoo.com.br

A ameixeira é originária do Continente Asiático, na região da China. Pertencente à família Rosaceae, subfamília Prunoidae e gênero Prunus, a ameixa faz parte do grupo das frutas de caroço, tipicamente cultivadas em regiões de clima temperado.

As principais espécies de ameixeira são P. domestica, P. salicina, P. cerasifera, P. spinosa, P. simonii e P. insititia. Há duas espécies de ameixeira importantes comercialmente. Prunus domestica, conhecida como ameixeira europeia, teve origem na Ásia Oriental a partir da hibridação entre P. cerasifera e P. spinosa.

A espécie Prunus salicina, conhecida como ameixeira japonesa, é originária da China, sendo cultivada há milhares de anos.

Produção brasileira

A ameixeira é cultivada no Brasil há muitos anos e os maiores produtores são os Estados do Rio Grande do Sul, seguido por Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. E as principais cultivares são Gulfblaze, Irati, Reubennel, Harry Pickstone, Polli Rosa, Fortune e Letícia.

O estado de Santa Catarina é o segundo maior produtor de ameixa do Brasil, com 1.072 hectares e produção nacional de 30% no total. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a expectativa é de aumento na comercialização da ameixa e maior lucratividade para os produtores, com valorização dos preços da fruta no mercado.

Assim, o Estado de Santa Catarina registrou na sua produção mais de 18.000 toneladas, um crescimento de 12% na produção da safra 2020/21 em relação ao ciclo anterior. No ano de 2021, Santa Catarina já representava 23,6% do volume total brasileiro de ameixa negociado nas centrais de abastecimento. 

Os produtores de ameixa estão localizados em mais de 30 municípios no Estado. A produção estadual de ameixa inicia em novembro e se estende até março, sendo que mais de 90% do total é colhido entre dezembro e fevereiro.

Importância econômica

Segundo a Epagri, em relação à produção nacional de ameixas, as estimativas apontam que o Brasil produziu cerca de 50 mil toneladas de ameixa em 2020.  O Rio Grande do Sul é o maior produtor, respondendo por cerca de 42% do total nacional.

Em 2021, as centrais de abastecimento do País comercializaram mais de 13,6 mil toneladas de ameixa, com valor negociado de cerca de R$ 103 milhões. A ameixa de origem catarinense participou com 17% do volume comercializado nacionalmente em 2019.

No ano seguinte, ampliou sua participação para 19,5%, com mais de 4,6 mil toneladas. Em 2021, Santa Catarina representou mais de 24% do volume total brasileiro de ameixa negociado nas centrais de abastecimento.

Em 2021, com mais de 3,2 mil toneladas comercializadas, o Estado catarinense negociou mais de R$ 21,9 milhões com a fruta no atacado. Os preços negociados no mercado atacadista estavam 30% valorizados em relação a novembro de 2020, e 50% acima da média dos últimos cinco anos.

Os principais países produtores mundiais de ameixa são China, Romênia, Estados Unidos, Sérvia, Irã, Turquia, Chile, Índia, Itália, França, Ucrânia, Marrocos, Espanha, Rússia, e Uzbequistão.

Variações

As ameixeiras japonesas possuem menor exigência de frio e são mais adaptadas às condições de inverno da região sul do Brasil do que as europeias. As ameixeiras japonesas possuem frutas de maior tamanho e formato arredondado e são cultivadas, primariamente, para o consumo in natura.

Já a ameixeira europeia produz, em geral, frutas de formato oval e possui maior variedade de cores do que as japonesas.

Os tipos de ameixa se diferem na coloração e as mais conhecidas são a ameixa amarela, a preta, a verde e a vermelha. A fruta, por sua vez, pode ser encontrada nas versões in natura ou seca.

Existe, na ameixa uma substância responsável pela sua pigmentação, denominado de punicianina. A punicianina é responsável por diferenciar as cores desta fruta e, pela sua presença, encontramos as cores variadas de ameixa na natureza.

Fonte nutricional

As ameixas apresentam sabor agradável e são fontes de nutrientes e fibras. Elas são consumidas frescas ou secas, cruas ou cozidas e apresentam vantagem de possuir baixo teor calórico.

É uma fruta rica em potássio, vitamina C, contém cálcio, magnésio, manganês, fósforo, ferro, cobre, zinco, vitaminas A, B1, B6, niacina, proteínas e carboidratos. Além disso, é uma fruta muito indicada para pessoas que possuem prisão de ventre, por ser um alimento laxante.

Desta forma, a ameixeira é típica de regiões com clima subtropical ou temperado. No Brasil, os maiores produtores de ameixa se localizam no Sul devido às condições climáticas serem mais favoráveis.

Entretanto, existem cultivares de ameixa que se desenvolvem bem em locais menos frios, contanto que sejam cultivadas em regiões com maior altitude.

Cultivo

Nas regiões mais frias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, podem ser cultivadas as cultivares do tipo ameixa japonesa (P. salicina), como Letícia, Fortune, Poli Rosa, além daquelas recentemente lançadas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), como a cultivar Zafira, por exemplo.

Em áreas de clima semelhante ao de Vacaria e São Francisco de Paula (RS), podem ser cultivadas algumas ameixeiras europeias (P. domestica), como a cultivar Stanley e até mesmo a D’Agen.

Já em áreas de invernos com menor acúmulo de frio, são plantadas, entre outros, as cultivares Gulf Rubi, Gulfblaze, Reubennel, Rosa Mineira e Pluma 7.

Floração

As ameixas necessitam de um período de frio para satisfazer sua necessidade de repouso hibernal, e assim florescer e brotar. Existem algumas regiões com altitudes elevadas, acima de mil metros, onde ocorrem temperaturas mais baixas nos meses de outono e inverno.

Essas condições permitem o cultivo de algumas cultivares de ameixa com adoção de manejo adequado. Na época de floração e desenvolvimento das frutas, as temperaturas devem ser mais amenas porque temperaturas altas prejudicam ou impedem a produção.

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