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PIB brasileiro cresce, mas inovação no país ainda é falha

Leia na análise de Alexandre Pierro

Leia na análise de Alexandre Pierro

Alexandre Pierro/Divulgação

No começo de março, nos deparamos com a notícia do aumento do PIB brasileiro em 2023, tendo registrado um crescimento de 2,3% no ano, conforme dados do IBGE. A porcentagem representa em torno de R$ 10,9 trilhões movimentados – grande parte contribuída pelo agronegócio. E, por mais que o anúncio pareça animador em um primeiro momento, pouco deste resultado foi refletido por verdadeiros avanços inovadores no nosso país, o que demonstra certas dificuldades que ainda precisam ser supridas para que possamos presenciar um crescimento notório para alavancar a economia nacional e, com isso, nos tornarmos uma nação inovadora referência no mundo.

Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a agropecuária contribuiu com um terço de todo o crescimento da economia brasileira no ano passado, o que também ajudou no melhor desempenho de muitos outros setores que se relacionam a ele de alguma forma. As exportações no segmento, como exemplo, bateram recorde em 2023, atingindo US$ 166,55 bilhões – além de ter registrado uma cifra 4,8% superior em comparação a 2022, o que representa um aumento de US$ 7,68 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Em uma análise histórica, os crescentes investimentos em tecnologia foram alguns dos maiores responsáveis por essa tamanha participação do agro em nossa economia. De 1970 a 2022, como prova disso, informações da Embrapa mostram que esses recursos foram responsáveis por 59% do crescimento do valor bruto da produção agrícola no país neste período. Quantias realmente impressionantes, mas que não refletem uma verdadeira realidade positiva para o nosso PIB.

Por mais que o agro seja, de fato, um setor com um investimento considerável em inovação em prol de seu melhor desempenho, muitas dessas estratégias no setor são voltadas às commodities, o que impede a geração de produtos de maior valor agregado. Ainda, é importante sempre destacar que, mesmo diante destes investimentos, a inovação não está 100% ligada apenas ao uso de tecnologias robustas.

O desenvolvimento deste mindset em um negócio envolve uma mudança abrangente em termos de cultura organizacional, capacitando e treinando os times para que compartilhem suas ideias e se engajem neste propósito para a conquista de resultados cada vez melhores. Uma atitude mais proativa sob este tema, e não algo secundário e aplicado apenas em resposta a dificuldades sentidas no mercado.

Hoje, o Brasil ocupa a 49ª posição entre 132 países participantes no ranking do Índice Global de Inovação (IGI), além de ser o 1º colocado da América Latina e Caribe. Porém, à nossa frente, estão nações como Suíça, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido, Singapura, Finlândia, Holanda, Alemanha, Dinamarca e Coreia do Sul – muitas dos quais poderíamos ultrapassar em diversos pontos analisados.

A gestão do conhecimento é um dos pilares que mais chama a atenção negativamente. Os profissionais não estão sendo devidamente capacitadas na gestão de inovação, cujo gap de aprendizagem eleva barreiras dificultadoras para a implementação de um programa de inovador. Afinal, se os times desconhecem a ampla gama de possibilidades de se inovar em um ambiente de negócios, pouco provavelmente conseguirão estimular suas ideias na empresa e identificar oportunidades de melhoria a serem exploradas.

Muito disso deveria ser estimulado desde nas instituições de ensino, promovendo a difusão do conhecimento em inovação entre as universidades e o poder público. Essa é uma troca que pode beneficiar muito a adoção de planos de inovação entre nossas mentes brilhantes, assim como é visto em outros países como Portugal, Irlanda e Singapura – os quais, mesmo não dispondo do mesmo preparo que o nosso, se sobressaem ao Brasil neste aspecto.

Além disso, a intensa burocracia no ambiente de negócios nacional não favorece em nada essa estratégia. Nosso ambiente regulatório empresarial foi considerado o mais severo, em termos da facilidade em se fazer negócios frente à complexidade da legislação nacional, nossas políticas e cultura, nos levando à 99ª posição no ranking. Um cenário complexo para os empreendedores e que precisa ser melhorado para que tenhamos a base necessária para fomentar a inovação nas empresas.

Esses gargalos evidenciam que, por mais que sejamos um país com pleno potencial inovador, pouco disso é refletido atualmente em nosso PIB, o que, caso fosse revertido através da disseminação desta mentalidade inovadora nas empresas, poderia contribuir com um crescimento muito mais expressivo do nosso produto interno bruto e, com isso, uma posição muito mais adequada para nosso território.

Devemos olhar para outras nações e regiões como o Vale do Silício, que representam verdadeiros exemplos inovadores, e buscar incorporar os aprendizados que elas demonstram – adaptando as estratégias por lá aplicadas em nossa realidade, de forma que, junto aos cuidados destacados acima, possamos reverter essas ações em resultados inovadores de excelência.

Alexandre Pierro é mestrando em gestão e engenharia da inovação, bacharel em engenharia mecânica, física nuclear e sócio fundador da PALAS, consultoria pioneira na ISO de inovação na América Latina.

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