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Pinta-preta dos citros: como controlar?

Crédito: Embrapa

Arlindo de Salvo Filho
Engenheiro agrônomo e consultor em citros desde 1977
arlindoconsultor@gmail.com

A pinta-preta dos citros, também conhecida como mancha preta dos citros, é considerada uma das doenças mais importantes da citricultura brasileira e mundial.

É causada pelo fungo Phyllosticta citricarpa (Guignardia citricarpa). O fungo pode se multiplicar e produzir seus esporos assexuais (conídios) em frutos, folhas e ramos secos da planta e os esporos sexuais (ascósporos) em folhas caídas no solo.

Ocorrência

A doença ocorre em todas as variedades de laranjas precoces, meia estação e tardias, limão siciliano, tangerinas e seus híbridos. Não há sintomas na lima ácida tahiti. As variedades de maturação tardia podem apresentar maior severidade de sintomas, bem como queda de fruto mais acentuada.

De maneira geral, a doença pode se estabelecer em todas as regiões brasileiras, porém, as epidemias mais severas são observadas em regiões onde há condições mais propícias para a queda de folhas e seca dos ramos. A doença ocorre na maioria das áreas citrícolas do mundo, exceto em regiões de clima mediterrâneo.

Sintomas e prejuízos

O principal prejuízo da pinta-preta para a citricultura é a queda prematura de frutos, que pode reduzir em até 85% a produção das plantas de laranja. Os maiores prejuízos são observados em pomares mais velhos, principalmente em plantas mal nutridas.

A doença não altera a qualidade interna da fruta, podendo ser consumida normalmente, pois as lesões afetam apenas a casca do fruto. Além de causar a queda de frutos, a pinta-preta deixa a fruta com aparência manchada, o que prejudica a sua comercialização no mercado in natura.

O surgimento dos sintomas depende da variedade de citros e das condições ambientais – a manifestação é favorecida por radiação solar combinada com altas temperaturas. Quando os frutos são infectados na fase jovem, os sintomas podem demorar até sete meses para serem observados.

Quando a infecção ocorre em frutos maiores e maduros, os sintomas podem ser vistos no primeiro mês após a contaminação.

Nas folhas de citros infectadas que caem ao solo e entram em decomposição são formados os esporos sexuais do fungo (ascósporos), que são dispersos pelo vento e responsáveis por infectar ramos, folhas e frutos da planta e outras ao redor.

Os frutos podem ser infectados desde a queda de pétalas até a colheita, com maior risco no período de chuvas frequentes. Os sintomas aparecem entre 40 e 360 dias após a infecção.

Nos ramos e folhas secas e em frutos infectados são formadas lesões que produzem os esporos assexuais do fungo (conídios), que são dispersos a curta distância por água de chuva, orvalho ou irrigação.

Os conídios podem infectar ramos, folhas e frutos e são os responsáveis pelo aumento da doença dentro da planta. Em folhas caídas ao solo, infectadas tanto por conídios quanto por ascósporos, formam-se novos esporos do fungo, dando continuidade ao ciclo da doença.

Infecção

Os frutos podem ser infectados desde a queda de pétalas até o período de colheita, estejam eles verdes ou maduros. As infecções ocorrem no período de elevada frequência de chuvas, que no Estado de São Paulo vão de setembro a abril.

Entretanto, as precipitações podem se estender para os meses de maio e junho e as infecções aparecerem mais tardiamente. Em outros Estados brasileiros, o período de infecção poderá variar de acordo com o período chuvoso.

A infecção dos frutos em São Paulo pode ocorrer com as chuvas a partir de setembro, mas os sintomas somente serão expressos a partir de fevereiro, de 40 a 360 dias após a infecção.

As lesões dos tipos mancha dura, sardenta ou virulenta estão mais associadas com a queda prematura de frutos. Esses sintomas aparecem somente 100 dias após a infecção, sendo a maioria expressa a partir de 200 dias.

Crédito: Embrapa

Manejo

Cobertura de folhas caídas: o plantio de adubo verde nas entrelinhas do talhão e posterior corte com roçadeira ecológica permite direcionar a vegetação para debaixo da copa das plantas, cobrindo as folhas de citros caídas e servindo como barreira física, que dificulta a liberação dos ascósporos.

Poda de limpeza de ramos secos: esta medida é importante para reduzir as fontes de contaminação na planta, além de facilitar a aeração e melhorar a penetração dos defensivos no interior da copa das árvores;

Controle químico: deve ser feito com critério e planejamento para que seja eficiente e não selecione fungos resistentes aos fungicidas utilizados. Desde 2012, os fungicidas carbendazim, mancozebe e tiofanato-metílico, que eram utilizados no controle da doença, foram retirados da lista Protecitrus (antiga PIC). Desde então, esses fungicidas não são recomendados para uso em pomares que destinam suas frutas à exportação, bem como para a indústria de sucos.

Os fungicidas mais utilizados são as estrobilurinas e os cobres. As estrobilurinas devem ser utilizadas durante o período de chuvas mais frequentes e intensas em conjunto com fungicidas à base de cobre para reduzir a chance de resistência do fungo.

O intervalo entre aplicações deve ser de 21 a 28 dias. Os fungicidas disponíveis podem ser consultados na lista Protecitrus. Os fungicidas, principalmente as estrobilurinas, devem ser utilizados em mistura com óleo mineral.

A dose de óleo de 0,25% (5L/2000L) deve ser utilizada sempre associada aos fungicidas para melhor eficiência.

Evite resistência

O uso excessivo das estrobilurinas no controle da pinta-preta pode acarretar resistência dos diferentes fungos presentes nos pomares de citros. A melhor alternativa para evitar resistência desses patógenos às estrobilurinas (fungicida sistêmico), é a realização do manejo integrado, com a aplicação em conjunto de fungicidas protetivos, utilização de produtos multi espectros, como é o caso dos fitoquímicos à base de extrato vegetais, uso de produtos biológicos e indutores de resistência.

A alternância dos fungicidas tradicionalmente usados com produtos fitoquímicos à base de extratos vegetais tem se mostrado uma excelente opção para manejo da pinta-preta. Além de não deixar resíduos ou prejudicar o ambiente, alguns produtos também atuam como indutores de resistência.

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