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Polinização natural otimiza produção do algodão

Fernanda Marques

Coordenadora da área de Doações Nacionais e Internacionais no FUNBIO

Carmen S. S. Pires

Pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e uma das coordenadoras do projeto Rede de Pesquisa dos Polinizadores do Algodoeiro no Brasil

 

Crédito Viviane Pires
Crédito Viviane Pires

A polinização é o processo de transporte do pólen de uma flor para outra, realizado por um agente polinizador, entre os quais estão insetos, aves e até mamíferos, como morcegos.

Esse serviço, prestado gratuitamente, permite que os agricultores brasileiros economizem um valor estimado em mais de US$ 12 bilhões por ano (Fonte USP). Estudos revelam que pelo menos 87,5% das espécies de plantas com flores dependem desse serviço natural.Segundo a a FAO, abelhas são responsáveis por 73% das polinizações e também são consideradas os agentes mais eficientes.

 A polinização tem vantagens em todas as culturas agrícolas. No caso do algodão, o estudo mostrou que as flores polinizadas por abelhas apresentaram um aumento de 12 a 16% no peso da fibra e um incremento de 17% de sementes por fruto.

O algodoeiro é uma planta hermafrodita, ou seja, suas flores possuem as partes masculinas (anteras) e a parte feminina (estigma). Essas flores são capazes de se autopolinizar e autofertilizar. Entretanto, os frutos resultantes da autofertilização não possuem tantas sementes e fibras quanto aqueles resultantes de fertilização cruzada (pólen de uma flor fertilizando os óvulos de outra flor).

O algodoeiro depende das abelhas para realizar essa fertilização cruzada. Além disso, a visita das abelhas às flores do algodoeiro também incrementa a autofertilização. Elas fazem com que um número maior de grãos de pólen (parte masculina) chegue ao estigma da flor (parte feminina). Assim, mais óvulos são fecundados e mais sementes são formadas.

A fibra de algodão cresce em torno das sementes. Mais sementes, mais fibra. Em resumo, a polinização do algodoeiro não depende das abelhas, mas elas melhoram a eficiência da polinização.

Manejo

O ideal para incrementar a produção é manter as abelhas silvestres por perto, favorecendo a visitação delas às flores das culturas. Uma maneira interessante é manter áreas de vegetação natural próximas aos plantios.

No algodoeiro verificou-se que áreas próximas de vegetação natural tinham mais diversidade e abundância de abelhas e maior produção, quando comparadas às áreas longe de vegetação.

No caso do algodoeiro, o grande desafio é o bicudo, a pior praga dessa cultura, já que o inseto ataca justamente os botões florais, período que as abelhas visitam a cultura. Lembrando que o controle do bicudo é baseado no uso de inseticidas.

É importante enfatizar as recomendações levantadas pelo projeto Polinizadores do Brasil referentes a nove imprescindíveis práticas agrícolas para a manutenção dos agentes polinizadores.

Algumas são comuns para todas as culturas, como: manter a vegetação natural próxima às áreas de cultivo, ter plantios consorciados com outras culturas, disponibilizar fontes de água para os polinizadores e evitar práticas destrutivas aos seus ninhos.

Reduzir e, quando possível, eliminar o uso de agrotóxicos, e não os aplicar nos horários de visita dos polinizadores ao cultivo. No geral, são ações simples, mas que favorecem em muito o serviço de polinização.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2015 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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