Pragas que atacam a lavoura de milho

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Diouneia Lisiane BerlitzBióloga, doutora e sócia administrativa – DLB Soluções Biológicasdberlitz@hotmail.com

Lagarta – Crédito Marina Torres

A produção de milho no Brasil para a safra 2020/21 teve uma redução de 16,4% em relação à safra 2019/20, de acordo com os dados da CONAB. Na safra atual é esperada uma produção total de 85,7 milhões de toneladas, porém houve uma significativa redução de produtividade de 27% na segunda safra, comparada ao ano anterior.

O atraso das chuvas interferiu no planejamento das lavouras do milho, além da ocorrência de massas de ar frio que trouxeram geadas nos principais Estados produtores da região centro-sul para a segunda safra. Já para a terceira safra de milho na região norte do País, as condições climáticas são favoráveis na maior parte da região, o que estimula os produtores a utilizarem bons pacotes tecnológicos.

Proteção fitossanitária

Além dos fatores climáticos, os produtores precisam pensar na proteção da cultura em relação às pragas que podem ocorrer, tais como: cigarrinha, corós rizófagos, larva-alfinete, lagarta-do-cartucho, lagarta-elasmo, lagarta-rosca, broca-da-cana, mosca-branca e percevejo barriga-verde.

Em destaque

ð Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): é considerada a principal praga da cultura do milho, ocorrendo também em várias outras lavouras. O nome é característico e está relacionado com a área do cartucho da planta, onde essa lagarta se alimenta, destruindo-o. As lagartas são canibais, então geralmente encontra-se somente uma lagarta por cartucho.

O controle do inseto pode ser realizado de diferentes maneiras, podendo-se priorizar o controle biológico com: (I) pulverizações de produtos à base da bactéria Bacillus thuringiensis, (II) produtos à base de fungos entomopatogênicos, (III) produtos à base de vírus, (IV) armadilhas com feromônios que capturam a fase adulta do inseto (mariposa), (V) parasitoides de ovos e lagartas e (VI) plantas geneticamente modificadas. Esses métodos mantêm a população de inimigos naturais, como as tesourinhas, que são predadoras das lagartas.

ð Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus): essa lagarta alimenta-se das folhas e logo após desce para o solo e penetra na planta, perfurando-a e abrindo uma galeria que pode ocasionar a morte da planta. O controle desse inseto é majoritariamente químico, por meio de tratamento de sementes ou pulverizações.

ð Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon): esses insetos têm hábito noturno e durante o dia as lagartas ficam abrigadas sob a vegetação morta, em buracos ou sob torrões próximos das plantas das quais se alimentam. Quando são perturbadas, se enrolam. Atacam sementes, hastes e folhas, em especial aquelas mais próximas do solo, surgindo falhas de germinação, plantas mais murchas e tombadas, e de galerias na base do caule e nas raízes mais superficiais.

ð Percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus): D. furcatus é encontrado na maior parte da região sul do Brasil e D. melacanthus nas regiões sudeste e centro-oeste do País. São insetos relatados para a cultura da soja, mas com o plantio em sucessão e rotação de culturas, os insetos passaram a prejudicar o milho, sugando a base do colmo, o que causa murcha, seca e perfilhamento.

ð Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis): tem se tornado uma praga de grande importância na cultura e alvo de preocupação dos produtores. O inseto suga a seiva da planta e o maior prejuízo causado por essa praga é a transmissão de doenças como o enfezamento pálido e vermelho, o mosaico de estrias finas e o nanismo arbustivo do milho.

Medidas de controle indicadas pela Embrapa incluem: eliminar o milho tiguera, evitar semeaduras vizinhas a lavouras com alta incidência das doenças, tratar as sementes com inseticidas, diversificar e rotacionar diferentes cultivares de milho.

Milho – Fotos: Shutterstock

Controle

Para o sucesso no controle dessas pragas, o produtor deve ficar atento à sua lavoura, fazendo o monitoramento contínuo da área para identificar quais e quando as pragas estão ocorrendo e que podem causar danos. O manejo de plantas daninhas na entressafra também é importante, uma vez que servem de abrigo e alimento para as pragas até a implantação da cultura de interesse.

De maneira geral, no planejamento do plantio a dessecação antecipada da área elimina a camada verde e pode estar associada à aplicação de inseticida. Após, recomenda-se o tratamento de sementes com princípios ativos para controle de algumas pragas, especialmente aquelas que atacam a raiz, ou a aplicação de inseticida via sulco de plantio, que também tem ação após a emergência da planta contra insetos desfolhadores.

Atualmente, existem disponíveis sementes milho com tecnologia Bt para o manejo de pragas desfolhadoras e de raiz que estão incluídas no pacote tecnológico e proporcionam o controle de diversas pragas de forma efetiva. Esses métodos devem atuar em conjunto, fazendo parte do Manejo Integrado de Pragas (MIP) que, além dos métodos de controle, leva em consideração os níveis populacionais das pragas e a melhor época de aplicação de métodos de controle.