Princípios da adubação foliar no milho

0
785

Aldeir Ronaldo Silva
Engenheiro agrônomo E doutor em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – ESALQ/USP
aldeironaldo@usp.br

Foto: Shutterstock

Os primeiros estudos realizados com a aplicação de nutriente via foliar foram realizados no início do século 19, graças às características morfológicas e fisiológicas, foram observados absorção e incremento na produtividade, a partir da aplicação de nutrientes na folha, inicialmente com aplicação do ferro em videira (1984) e, posteriormente, com os demais nutrientes.

Assim, com os avanços tecnológicos, a inserção de outros nutrientes essenciais e o aumento da eficiência de aplicação promoveram a aplicação de nutriente via foliar para uma atividade viável na agricultura.

Todavia, a facilidade pela qual uma solução nutritiva penetra no interior da planta depende das características da superfície vegetal e podem variar com o órgão, espécie, variedade, condições de crescimento e com as propriedades da formulação foliar aplicada.

Nesses termos, a aplicação via solo, de maneira tradicional, apresenta alguns fatores limitantes na disponibilidade de nutrientes, tais como: condições ambientais que podem provocar altas perdas de fertilizantes aplicados via solo, associado também com a fase de crescimento, o que pode exigir uma grande demanda de nutriente em um período específico da cultura do milho.

Ação e reação dos fertilizantes foliares em milho

Os fertilizantes possuem como função a disponibilização de elementos importantes para o desenvolvimento da planta ao longo do ciclo produtivo.

Dessa forma, o mecanismo de absorção das plantas, através das folhas (translocação) ocorre por meio do floema, diferentemente da translocação realizada pelas raízes através do xilema, que podem ocorrer pela cutícula, tricomas, estômatos e poros. Logo, posteriormente esses nutrientes atravessam as células do parênquima.

Nesse contexto, a disponibilidade do nutriente ocorre de maneira mais rápida, evidenciando nutrientes como o nitrogênio, o cálcio, o potássio e o magnésio, que participam de um processo importante no desenvolvimento da planta de milho, como o aumento da atividade fotossintética.

Além disso, a aplicação de fertilizantes via foliar na cultura do milho não deve acontecer de maneira única, pois a cultura do milho demanda grande quantidade de nutriente em fases distintas do ciclo vegetativo e reprodutivo. Logo, a aplicação associada com a adubação via solo tende a promover os melhores resultados e a melhor viabilidade econômica.

Nutrientes via foliar

A aplicação de nutrientes na cultura do milho é extremamente importante, em virtude da sua demanda de absorção de nutriente, de maneira que, para obter produtividade e qualidade do grão, a planta de milho durante o ciclo de cultivo extraí quantidades significativas de nutrientes do solo: 24,9 kg de nitrogênio, 26,7 kg de potássio e 6,6 kg de cálcio, para cada tonelada de grão colhido.

Dessa forma, macro e micronutrientes podem ser aplicados via foliar, por exemplo, o nitrogênio, o calcio, o potássio, o magnésio, o zinco, o boro, o cobre e o enxofre. Todavia, a incompatibilidade entre fontes de nutrientes deve ser levada em consideração na aplicação de fertilizantes associados com outros produtos.

Resultados da pesquisa

Diversos estudos demonstram ganhos expressivos com a aplicação de nutrientes via foliar na cultura do milho. Um estudo realizado no Estado do Mato Grosso demonstrou que a aplicação de fertilizante foliar em associação com adubação nitrogenada promoveu incremento na produtividade, massa de grãos da espiga, diâmetro e comprimento da espiga.

Em outro experimento realizado em Sete Lagoas (MG), a aplicação de fertilizantes foliares com bioinoculantes promoveu o aumento na produtividade do milho. Esse mesmo efeito na produtividade foi observado em outro experimento realizado no Estado do Rio Grande do Sul, pois a aplicação de fertilizante foliar e água de xisto promoveram o aumento da produtividade do milho em comparação ao controle.

Máxima eficiência

Para atingir alta eficiência da prática, é importante realizar, inicialmente, a análise de fertilidade do solo, ressaltando as concentrações ideais para a cultura da cultura do milho.

Posteriormente, é necessário realizar o planejamento de aplicação de fertilizantes foliares a partir da associação com o manejo de adubação de solo para a cultura do milho. Nesse aspecto, é importante que haja o auxílio de um profissional qualificado para ajudar no planejamento e na escolha dos fertilizantes foliares, a partir da relação de custo e benefício.

A aplicação via foliar pode ser realizada em parcelamento, em função da fase de desenvolvimento e a exigência de nutrientes específicos. Além disso, a aplicação pode ser realizada associando-a com outros produtos, tais como: extrato de algas, aminoácidos e defensivos agrícolas.

Erros e acertos

Entre os erros mais frequentes da adoção da prática de aplicação de fertilizantes foliares, destaca-se a aplicação de produtos sem garantia quanto à eficiência e composição.

Dessa forma, o produtor deve adquirir os adubos com procedência garantida. Nisto, a absorção e as melhorias no desenvolvimento da planta são afetadas. Além disso, dependendo da composição do produto, poderá ocasionar danos fisiológicos e redução do crescimento e da produtividade do milho. 

Outro erro bastante comum é a aplicação de doses elevadas ou abaixo da necessidade das plantas. Dessa maneira, o produtor pode promover a toxicidade ou até mesmo ineficiência da adubação.

A aplicação do fertilizante em condições ambientais inadequadas é outro erro bastante recorrente, pois em dias com alta pluviosidade, poderá promover a lavagem do produto das folhas. Além disso, a aplicação em dias com elevadas temperaturas, bem como com ventos fortes, também reduz, de maneira significativa, a eficiência do fertilizante, assim como os ganhos de produtividade e as melhorias na qualidade dos grãos.

Investimento x retorno

Dependendo das condições de cultivo e manejo agronômico, a decisão de aplicar fertilizantes foliares é determinada pela magnitude do risco financeiro associada à incapacidade de corrigir a deficiência de um nutriente e à provável eficácia da adubação foliar.

Quanto ao custo das práticas, associado aos preços dos produtos, é viável em função dos ganhos de produtividade e pela qualidade do grão.

Além disso, no mercado brasileiro tem-se a disponibilidade de vários fertilizantes que oferecem tanto macro quanto micronutrientes para a cultura do milho, sendo uma prática bastante atrativa para ganhos produtivos em diversas culturas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!