Controle eficiente da traça-das-crucíferas

0
490

Diego Miranda de Souza
Engenheiro agrônomo, doutor em Proteção de Plantas – Unesp e professor – UniPinhal
diego-agronomia@hotmail.com

Foto: Shutterstock

A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) está entre as principais pragas das hortaliças, sendo reconhecida pelos danos causados em couve-folha, couve-flor, brócolis, repolho e outras plantas da família brassicaceae em geral.

Os danos estão relacionados com a alimentação do inseto na fase de larval (lagarta) – os furos nas folhas depreciam o valor comercial da produção e podem até inviabilizar a colheita.

O inseto possui um ciclo rápido e passa pelas fases de desenvolvimento de ovo, larva, pupa e adulto.  A fêmea deposita seus ovos na face inferior das folhas, de um a três ovos.

As lagartas eclodem dos ovos de três a quatro dias depois e começam a se alimentar da página inferior da folha. É justamente a fase larval, com seu aparelho bucal mastigador, que causa os danos nas plantas.

A lagarta atinge seu máximo desenvolvimento cerca de 10 dias após a eclosão, passando por 4 instares larvais. Posteriormente, o inseto se transforma em pupa (crisálida), tecendo um casulo na página inferior da folha. Por fim, cerca de 4 dias depois, surge o adulto e recomeça o ciclo.

Como visto, o inseto apresenta um ciclo completo ao redor de 18 dias. Por esse motivo, é natural que durante o ciclo de desenvolvimento das hortaliças ocorram diversos ciclos da praga.

Outro fato é que a duração do ciclo de vida do inseto é afetada pela temperatura, apresentando uma maior duração em condições de menor temperatura (ao redor de 27 dias a 15°C). A estiagem também colabora com a sobrevivência do inseto.

MIP

Entre as bases do manejo integrado de pragas (MIP) estão a amostragem e o nível de controle. Para amostragem, recomenda-se considerar um total de 100 plantas por talhão homogêneo, distribuídas em 20 pontos, com cinco plantas cada ponto.

A sugestão para o nível de controle é a constatação da presença de lagartas em pelo menos 15% das plantas inspecionadas (Embrapa Hortaliças: Moura et al, 2019). Também se faz necessário conhecer os métodos de controle envolvidos no MIP da traça-das-crucíferas, destacando-se o controle cultural, resistência genética, biológico e químico.

Recomendações

Em princípio, é recomendada a rotação com plantas não hospedeiras, evitar o plantio escalonado, destruir os restos culturais, fazer uso de mudas sadias e demais estratégias de boas práticas agrícolas. A busca por cultivares resistentes contribui com o manejo e deve ser considerada antes da instalação da lavoura.

O controle biológico baseia-se no uso de produtos à base de Bacillus thuringiensis (Bt), independentemente da espécie de hortaliça produzida, logo nos primeiros estádios larvais, assim que observado o nível de controle.

Portanto, o método de controle químico, com inseticidas, está entre as principais ferramentas de manejo, especialmente pela agressividade da praga.

Opções

Os inseticidas disponíveis para o manejo da traça-das-crucíferas dependem da hortaliça produzida pelo agricultor. O agricultor e o responsável técnico devem certificar-se que o inseticida está registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a respectiva cultura.

Esse cuidado garante que estejam disponíveis informações relevantes ao uso de inseticidas, como por exemplo, o período de carência (tempo entre a última aplicação e a colheita), contribuindo para a produção de alimentos seguros.

No geral, para as principais hortaliças, estão disponíveis para o controle da traça-das-crucíferas os seguintes grupos químicos de inseticidas e seus respectivos modos de ação (segundo o comitê de ação à resistência a inseticidas – IRAC): antranilamida (28 – Moduladores de receptores de rianodina/sistema nervoso e musculatura); piretroide (3A – Moduladores de canais de sódio/sistema nervoso e musculatura); oxadiazina e semicarbazona (22 – Bloqueadores de canais de sódio dependentes da voltagem/sistema nervoso e musculatura); metilcarbamato de oxima (1A – Inibidores da acetilcolinesterase/sistema nervoso e musculatura); tetranortriterpenoide (DESC/Modo de ação desconhecido); organofosforado (1B – Inibidores da acetilcolinesterase/sistema nervoso e musculatura); pirazol (21A – Inibidores do complexo I da cadeia de transporte de elétrons na mitocôndria/respiração celular); benzoilureia (15 – Inibidores da biossíntese de quitina/crescimento e desenvolvimento); espinosinas (5 – Moduladores alostéricos de receptores nicotínicos da acetilcolina/sistema nervoso e musculatura).

Ação do controle químico

Assim, em resumo, os inseticidas disponíveis para o controle da traça-das-crucíferas atuam sobre o sistema nervoso e muscular; crescimento e desenvolvimento; respiração celular e sistema digestivo (Bt).

Independente do modo de ação, todos os inseticidas apresentados possuem eficácia comprovada pelo MAPA no momento do registro, no entanto, se faz necessário observar algumas recomendações gerais:

Seguir a bula e o receituário agronômico: as informações contidas em bula e no receituário agronômico indicam as doses e melhores práticas para o uso do inseticida escolhido, como o período de carência e limitações de uso.

Amostragem e MIP: acompanhar a flutuação populacional da praga se faz necessário para o uso racional do controle químico, assim como a integração com outros métodos, como o cultural, biológico e até a resistência genética.

Seletividade: entre as bases do MIP está considerar a existência de inimigos naturais na área de cultivo, ou seja, o uso indiscriminado de inseticidas não seletivos impede o estabelecimento dos inimigos naturais, dificultando o controle. Aplicar os produtos inseticidas somente quando necessário e preferir os mais seletivos.

Manejo de prevenção de resistência: a disponibilidade de produtos inseticidas é limitada, por isso, é indispensável o uso racional dessas substâncias. Aplicações repetitivas aumentam a pressão de seleção e contribuem para selecionar insetos resistentes. São estratégias antirresistência a alternância de inseticidas com modo de ação distintos; seguir as orientações da bula (ex: número máximo de aplicações); seguir o MIP; preservar os inimigos naturais; preferir misturas de inseticidas com mais de um modo de ação.  

Portanto, o controle eficiente da traça-das-crucíferas depende do adequado entendimento da biologia e do manejo da praga. O agricultor deve projetar seus esforços na integração de técnicas de manejo e atentar-se ao uso racional dos inseticidas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!