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Pulgão é problema na alface

Crédito: Lauro Patrazzini

Adriana Souza Nascimento
Engenheira agrônoma, mestre em Fitopatologia e extensionista rural – Emater-DF
adriana.nascimento@emayter.df.gov.br

Os pulgões são pequenos insetos sugadores pertencentes à família Aphididae (ordem Hemiptera), que prejudicam as plantas não apenas pela sucção de seiva, quando inserem o aparelho bucal nos seus vasos condutores, como também pela inoculação de toxinas e transmissão de viroses.

Atualmente, existem mais de 1,5 mil exemplares da espécie, que atacam diferentes tipos de cultura e cerca de 16 espécies atacando alface em todo o Brasil. Uma característica dessas espécies é que geralmente, em um mesmo ambiente, colônias de uma espécie não coexistem com outra, apesar do grande dimorfismo (diferenças morfológicas entre as fases) na população.

Vetores de vírus

As espécies de pulgão mais comumente encontradas em plantas são o Myzus pesicae e o Aphis gosypii, porém, todos têm uma ótima capacidade de serem vetores de vírus (mais de um tipo, sendo mais comuns os conhecidos como mosaicos).

Em alface, as espécies mais comuns são Myzus persicae, Brevicorine brassicae, Dactynotus sonchi e Capitophorus braggii.

Prejuízos à alface

Os pulgões em alface causam dois tipos de prejuízos, como praga propriamente dita e como vetor. Como praga, a ação será pela alimentação desses insetos nas folhas ou em alguns casos, nas raízes, causando danos diretos, pois sugam a seiva da planta e, ao mesmo tempo, injetam toxinas.

Em caso de altas populações do inseto e exsudação de seiva provocada pelo ataque às superfícies foliares e sucção de seiva, acabam por favorecer o desenvolvimento da fumagina, camada de massa preta de esporos sobre as folhas.

Essa cobertura de esporos impede a fotossíntese, prejudicando assim o metabolismo das folhas e, consequentemente, o desenvolvimento das plantas, causando perdas tanto quantitativas como qualitativas.

Mesmo que não ocorram perdas pelo aspecto das plantas, pode haver pela presença de alguns desses insetos nas folhas, que farão com que os consumidores rejeitem o produto.

Como vetores de vírus, especialmente o vírus do mosaico da alface (Lettuce mosaic virus – LMV) é um dos principais problemas de viroses da cultura, que pode, em alguns casos, causar perdas totais.

Manejo fitossanitário

Para pequenas hortas domésticas, é recomendado o emprego de métodos alternativos como caldas, infusões, misturas ou óleos. Para plantios em maior escala ou comerciais, pode-se realizar o controle químico e fazer uso de inseticidas específicos, conforme recomendação dos fabricantes.

Há diversos princípios ativos utilizados no controle de pulgões, como a azadiractina, imidacloprido e tiametoxam. As recomendações para controle químico devem ser realizadas por profissional registrado e capacitado, analisando in loco as condições de infestação, plantio e climáticas para melhor controle.

Crédito: Valdir Yuki

De longo prazo

Os controles só serão eficazes se houver a recomendação específica do produto para a praga, com doses, época e intervalo de aplicação. Iniciar a aplicação, após avaliação de danos, na época e em dosagens recomendadas, com repetição de aplicações, se necessário. Importante, ainda, os alertas dos períodos de carência.

Para a manutenção de efetividade do produto, se forem necessárias mais de três aplicações, utilizar inseticidas de mecanismo de ação diferentes.

Assegurar que a calda de pulverização, de acordo com a forma de apresentação do produto, seja preparada e aplicada conforme recomendação. Dessa forma, haverá efetividade e manutenção do controle.

Custos do manejo

Os custos são variáveis de acordo com as condições de cada região, tamanho das áreas de produção, nível tecnológico do manejo de agrotóxicos e nível de danos. Segundo os custos de produção da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), o custo de operação de controle (insumos e serviço) é de R$ 440,82 para cada hectare.

Se atente ao básico

No combate ao pulgão, um dos segredos do sucesso na eliminação do problema é o monitoramento da lavoura. Deve-se criar uma rotina de monitoramento, a fim de identificar as áreas com sintomas do ataque dos insetos.

Comumente, os sintomas aparecem em reboleiras, onde as plantas apresentam atrofiamento de folhas e uma coloração amarela (clorose). Ainda, observar as recomendações de plantio, realizar análises de solo.

Plantas com adubações corretas são mais tolerantes aos níveis de danos bióticos e abióticos, assim como utilizar bons materiais genéticos com sementes de procedência e qualidade.

Sem errar

No controle, a não avaliação dos danos in loco, recomendação aleatória de inseticidas, dosagens incorretas (principalmente superdosagens), misturas de produtos incompatíveis, avaliação incorreta de época e reaplicação de produtos (quando necessária) pode levar a erros fatais.

Para evitar, é importante monitorar a lavoura periodicamente, consultar profissionais capacitados e registrados e realizar os manejos adequados dos produtos de controle.

Hoje, o controle biológico se mostra uma alternativa bastante eficiente no combate ao pulgão. Esse processo nada mais é do que o emprego de parasitoides ou predadores naturais dessa praga.

Pode-se, ainda, integrar o controle biológico com outras medidas, realizando o chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP), que consiste em um conjunto de medidas que têm o objetivo de manter as pragas abaixo do nível de dano econômico.

No MIP, diferentes práticas podem ser adotadas no combate ao pulgão e, para escolher a mais adequada, é necessário observar o nível de infestação.

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