19.6 C
Uberlândia
quinta-feira, junho 20, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosAs algas marinhas e a cafeicultura

As algas marinhas e a cafeicultura

Foto: Shutterstock

Nilva Terezinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (Unipinhal)
nilvatteixeira@yahoo.com.br

A cafeicultura é uma atividade fundamental para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Contribui significantemente para a receita cambial brasileira. Os Estados maiores produtores são: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná e Goiás. Também o Acre, Ceará, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Pará, Mato Grosso e Rio de Janeiro contribuem com a produção brasileira.

Sabe-se que a qualidade de bebida do café é fundamental para a comercialização. As de boa qualidade são as mais valorizadas no mercado. Entre os fatores que afetam a qualidade da bebida da referida cultura estão: nutrição, problemas fitossanitários e a fisiologia da planta.

As algas

Extratos contendo algas marinhas beneficiam a nutrição e o metabolismo e, assim, melhoram a resistência aos fatores bióticos das plantas e a produção das culturas em quantidade e qualidade.

Muitos dos compostos presentes nas algas marinhas que apresentam atividades biológicas pertencem à classe de lectinas, terpenos, compostos fenólicos e polissacarídeos sulfatados que melhoram a resistência de plantas aos microrganismos patogênicos.

Por exemplo, a carragenana, um polissacarídeo sulfatado encontrado na parede celular de algas marinhas vermelhas, é um composto elicitor que induz o acúmulo de ácido salicílico e de outros compostos, aumentando a expressão de genes relacionados às defesas contra patógenos. De particular interesse na agricultura são aqueles que provocam respostas defensivas, resultando em proteção contra patógenos ou insetos.

Mecanismos de defesa

As plantas possuem mecanismos próprios de defesa em resposta ao ataque de patógenos, incluindo-se metabólitos primários e secundários. A ativação dos mecanismos de defesa dos vegetais é uma resposta ao reconhecimento da presença, nos mesmos, dos agentes patogênicos, identificados por compostos liberados pelo organismo invasor.

Tais compostos, produtos do metabolismo do patógeno, são chamados de elicitores bióticos e desencadeiam modificações no metabolismo celular vegetal (a elicitação), formando assim uma rede de mecanismos de defesa da planta ao ataque do patógeno.

Como exemplo disto, pode-se mencionar o aumento da síntese de compostos denominados de fitoalexinas. Tal rede tenta barrar a penetração do invasor e sua multiplicação. Os elicitores são moléculas de origem biótica ou abiótica, capazes de estimular resposta de defesa nas plantas.

Extratos de algas têm mostrado certa eficiência nesse estímulo. A espécie de alga marrom Ascophyllum nodosum é mais empregada na agricultura e, também, a mais estudada. Assim, estudos com extratos de tal alga evidenciaram estímulos à atividade de enzimas peroxidases (que eliminam superóxidos que atacam as membranas celulares protegendo, assim, a integridade das células) e a síntese de fitoalexinas.

Entretanto, outras espécies de algas têm possibilidade de aumentar a resistência das plantas aos agentes bióticos. Assim, produtos à base das algas Ecklonia máxima, Amphiroa sp. e Poryphyra sp e Laurencia obtusa têm se mostrado como alternativa de controle de doenças fúngicas e bacterianas.

Alternativa

Da alga marrom Laminaria digitata se extrai o polissacarídeo laminarina, que é capaz de elicitar respostas de defesa das plantas por ele tratada. Então, pode ser uma alternativa o uso, como medida auxiliar, de extratos de algas marinhas para controlar doenças das espécies vegetais.

Em cafeeiro, a utilização das algas marinhas favorece o enraizamento, enfolhamento, floração, frutificação e, ainda, a maturação dos grãos e a resistência das plantas aos fatores bióticos e abióticos.

Pesquisas

No Curso de Engenharia Agronômica do UniPinhal, Espírito Santo do Pinhal (SP), a engenheira agrônoma Nathália Maria Cacco dos Santos, em seu trabalho de conclusão de curso, sob a orientação da professora Nilva Teresinha Teixeira, estudou a influência das algas marinhas na qualidade da bebida dos grãos de cafeeiro Catuaí, em ensaio com cafeeiro cv Catuaí, instalado em espaçamento2x 1, após o terceiro ano de recepa, abrangendo-se, então, um ciclo de produção.

Foram dois os tratamentos: 1º o adotado pelo produtor (controle); 2º o adotado pelo produtor acrescido do emprego de produto comercial com 30% de algas marinhas Ascophylum nodosum, na dose de 2,0%. Cada tratamento ocupou 50 pés de café. Observou-se, ainda, a resistência das plantas aos agentes bióticos.

Foto: Shutterstock

O extrato de algas marinhas foi aplicado quatro vezes no ciclo: no início da floração, no pegamento dos frutos, na época do café “chumbinho” e depois no enchimento dos grãos. O emprego foi via pulverização, com volume de calda de 300 l.ha-1.

A colheita foi manual, por derriça, no pano no ponto de cereja, considerando-se a parte central de área tratada. Os grãos colhidos foram secos ao ar livre, em terreiro suspenso, e enviados para a análise de qualidade em escritório especializado, que foi analisada tanto cereja descascado com algas e sem algas, como também cereja natural com algas e sem algas.

Resultado

Concluiu-se que a inclusão das algas promoveu melhoria na resistência das plantas às pragas e doenças, na qualidade da bebida e no pegamento da florada. Também a maturação dos grãos foi mais rápida nas plantas que receberam o produto. O uso das algas beneficiou o sabor, aroma e granulometria do café, fatores importantes para o valor de mercado.

Os bons resultados obtidos com a aplicação das algas marinhas empregada são reflexo do importante benefício que elas proporcionam à atividade metabólica das plantas. Trata-se de organismos muito ricos em nutrientes minerais, aminoácidos e hormônios naturais que estimulam a atividade respiratória e a taxa fotossintética.

E contam, ainda, com poderosos componentes que melhoram a resistência das plantas às pragas e doenças. Assim, pode-se considerar que a inclusão das algas marinhas no cultivo de cafeeiros pode melhorar a produção em quantidade e qualidade e a resistência às pragas e doenças.

Doses a aplicar dependem da formulação escolhida. O produtor deve estar atento ao recomendado por técnicos especializados. Destaque-se que a inclusão das algas marinhas pode diminuir a quantidade de fertilizante aplicado, porém, nunca substituir os adubos.

ARTIGOS RELACIONADOS

Irrigação por gotejamento revoluciona cafeicultura

Fazenda São José, em São Sebastião da Grama, São Paulo, adota gotejamento e melhores práticas de fertirrigação e alcança resultados surpreendentes

Pesquisadores da EPAMIG ministram aulas em curso da Embrapa sobre Cafeicultura do Cerrado

Capacitação na modalidade EAD é gratuita e já está disponível

Café da Região do Cerrado Mineiro terá impressão digital

Visando proteger e promover ainda mais a origem e qualidade do produto, RCM sai na frente e investe em nova ferramenta de rastreabilidade

Novidade – Café em lata

Painel sobre o novo hábito de consumo acontece no dia 10 de novembro durante o principal evento nacional sobre a bebida

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!