Camila Queiroz da Silva Sanfim de Sant Anna
Engenheira agrônoma e doutora em Produção Vegetal – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)
agro.camilaqs@gmail.com
Matheus Roussenq
Engenheiro agrônomo – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
matheusrous@gmail.com
Os drones possibilitam a identificação de plantas sob estresse devido à falta de nutrientes e/ou água, bem como a detecção de pragas e doenças, sobretudo nos estágios iniciais, o que, muitas vezes, é desafiador no campo. Também são destinados à aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.
Versatilidade e eficiência
Eles têm capacidade de armazenar e pulverizar agroquímicos, voando de forma automatizada ou por controle remoto, inclusive alcançando baixas altitudes. Utilizam um volume de calda por hectare relativamente baixo, em torno de 10 L/ha, com velocidade de deslocamento entre 10 e 20 km/h, além de produzirem gotas finas, provenientes da combinação de ponta e pressão de trabalho.
Ademais, o efeito gerado por suas hélices impulsiona a calda de pulverização para baixo e movimenta as folhas das partes superiores da planta, sendo eficaz na deposição nos estratos inferiores do vegetal, o que aumenta a qualidade da pulverização.
Para os citros
Na citricultura, sendo cada vez mais difundida, a aplicação de produtos químicos utilizando drones demonstrou eficácia de 80% no controle do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor do greening, segundo dados divulgados pelo Fundecitrus.
O greening (huanglongbing ou HLB) é a doença mais crítica e destrutiva que atinge a cultura dos citros, visto que sua incidência não tem cura, sendo a erradicação dos espécimes arbóreos e o controle do psilídeo as principais formas de combate.
Os drones têm permitido aos citricultores evitar a infecção de novas plantas e minimizar os impactos negativos e as ameaças dessa importante doença na produção de citros. Suas pulverizações complementam as aplicações terrestres com tratores, atingindo talhões de difícil acesso, como áreas com terrenos extremamente acidentados e faixas de borda não alcançadas pelas aplicações com maquinário tradicional.
Limitações
Algumas limitações consistem na necessidade de um operador capacitado para a operação, além do domínio de softwares. As condições climáticas, assim como em outras ferramentas de aplicação, também podem limitar seu funcionamento.
O custo de aquisição ainda é elevado para o produtor, com modelos que variam em torno de R$ 200 mil, além das despesas com manutenção. Neste caso, recorrer a aluguéis, contratando diretamente uma empresa especializada, pode minimizar esses gastos, sendo que, a depender da região, o aluguel custa em torno de R$ 120-170/hectare.
Outro desafio enfrentado pelos citricultores é o recarregamento frequente das baterias, o que exige que o operador esteja atento e recorra ao auxílio de carregador/gerador para realizar mais de uma aplicação, já que as baterias costumam durar o suficiente apenas para uma aplicação de calda.
Por isso, novos drones têm surgido com sistema híbrido (energia + elétrico), que promete utilizar eletricidade e etanol ou gasolina para o funcionamento dessas aeronaves.