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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Quais os critérios para um cultivo de cebola rentável?

Autores

Natalia Nayale Freitas Barroso
nataliaff.agro@gmail.com
Taylane Santos Santos
taylane.santos100@gmail.com
Luana Keslley Nascimento Casais
luana.casais@gmail.com
Graduandas em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), campus Paragominas
Luciana da Silva Borges
Doutora e professor da UFRA, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Horticultura da Amazônia (Hortizon) e Núcleo de Pesquisa em Agroecologia (NEA)
luciana.borges@ufra.edu.br
Crédito: Luiz Gustavo Grecco

No cultivo da cebola, percebem-se alguns erros cometidos pelos agricultores, como a escolha errada da cultivar, sem levar em consideração se elas se adéquam ou não ao clima da região onde serão cultivadas. Este é um dos erros mais graves que põe em risco a produção, resultando em uma colheita de bulbos prematuros e que o mercado não valoriza, por serem muito pequenos, ou plantas improdutivas, conhecidas como “charutos”, entre outras anomalias.

Outro erro seria a não adoção de tecnologia adequada no cultivo, causando um rendimento baixo de produção, deficiência no controle de fitopatógenos que acometem a cebola, como mancha-púrpura (Alternaria porri), antracnose (Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cepae), e podridão bacteriana, por exemplo, levando, em alguns casos mais extremos, à perda total da produção, caso não sejam tomadas as medidas de controle preventivas.

Erro comum também é a escolha de cultivares de baixa qualidade e produtividade, consequência da falta de adequação e atualização sobre o mercado, como por exemplo, o baixo investimento em cultivares com características mais procuradas pelo consumidor e a falta também de conhecimento e de práticas inovadoras que acelerem a produção sem afetar na qualidade do produto final.

Sem prejuízos

Para não enfrentar prejuízos, primeiramente o produtor deve escolher a cultivar mais adequada à sua região e clima, investir em irrigação para assim suprir a falta ou baixa de água das chuvas em diferentes épocas do ano, investir em tecnologias direcionadas ao cultivo como forma de melhorar a produção, criar ações preventivas sobre os ataques de fitopatógenos e, caso a doença já exista na lavoura, deve-se percebê-la o quanto antes e tomar imediatamente as medidas mais corretas e eficazes para a erradicação da mesma.

Os produtores de cebola devem também se atentar à demanda do mercado e como este se comporta em relação ao produto em diferentes regiões, para que não aconteça, por exemplo, a produção de uma determinada cultivar de cebola em uma localidade onde a procura da mesma pelos os consumidores ali existentes seja baixa devido às suas características específicas que não foram bem aceitas, como sabor, cor, tamanho, entre outros.

Utilizar sementes com alta taxa de germinação e vigor, investir na melhoria das instalações de armazenagem do produto, realizar tratos culturais adequados e conscientes, como por exemplo, saber se a quantidade aplicada de adubação está sendo correta, fazer calagem quando preciso, pois a cebola é uma cultivar muito sensível à acidez, controlar as plantas invasoras, entre outras práticas que, se seguidas, minimizam as perdas produtivas e aumentam a oferta e procura no comércio interno.

Custo envolvido

Para a composição dos custos de produção são considerados os custos variáveis (insumos e serviços) e os fixos. No entanto, este cálculo representa uma média dos sistemas de produção mais utilizados na região ceboleira, pois há uma grande variação entre as propriedades, tanto do ponto de vista agronômico como em termos quantitativos. Estes foram determinados considerando o registro de condições climáticas normais para o desenvolvimento da cultura.

Analisando os insumos, constata-se que os agroquímicos respondem por 26,61% dos custos operacionais deste segmento, enquanto que os adubos e fertilizantes são responsáveis por 18,21% desses mesmos custos.

Já em relação aos serviços, é interessante ressaltar que as operações manuais correspondem a 92,51% desses gastos e a mais de 46,00% dos custos operacionais totais de produção e beneficiamento da cebola explorada na região do São Francisco. Segundo dados da CONAB (2018), a cebola foi a única hortaliça, dentre as estudadas, que apresentou aumentos consideráveis nos preços em todos os mercados analisados.

O comportamento dos preços ficou na dependência das importações para cobrir a oferta nacional, ao que parece, insuficiente para atender a demanda. Dentro deste perfil de demanda e oferta da cebola nacional oriunda, sobretudo, do Sul do País, e a cebola importada, é que os preços durante todo o mês de abril tiveram expressiva tendência de alta.

Dados do Anuário 2018 indicaram preços elevados com menor oferta nacional. A rentabilidade da safra 2017/18 foi positiva no Sul do País, devido aos preços mais altos em relação aos praticados em 2016/17. Nas demais regiões produtoras (Cerrado, São Paulo e Nordeste), os resultados foram satisfatórios para os produtores.

Investimento x retorno

Dados do Anuário 2018 indicaram que, para a cebola, os preços no segundo semestre de 2018 ficaram abaixo do custo de produção, o que reduziu a área em 2019. Neste ano, a área plantada com cebola aumentou 4,2% na região sul, em relação ao ano anterior, devido à boa capitalização de produtores em 2017.

O preço médio ao produtor na temporada 2017/18 (janeiro a maio) foi de R$ 1,16/kg. No entanto, no segundo semestre de 2018 ocorreu maior intensidade nas chuvas, deixando o ambiente mais úmido e propício ao aparecimento de doenças, acarretando em maior quantidade de insumos utilizados. Consequentemente, houve aumento nos custos de produção.

Segundo pesquisa de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro consome, em média, 28 kg de hortaliças por ano, sendo 3,3 kg/ano de cebola. Considerando que o valor médio anual de comercialização da cebola na região do São Francisco é de R$ 0,41/kg, e a produtividade média da cebola é 20.000 kg/ha, pode-se admitir que o valor bruto médio da produção em 01 hectare é de é de R$ 8.200,00.

Comparando-se esse valor, que corresponde à receita bruta total, com os custos totais de produção por hectare, constata-se que a exploração da cebola no polo de produção do Submédio São Francisco apresenta resultados economicamente satisfatórios. A relação benefício/custo é de 1,32, situação que indica que para cada R$ 1,00 utilizado no custo total de exploração de 01 hectare de cebola, há um retorno de R$ 1,32.

O ponto de nivelamento confirma, também, o significativo desempenho econômico da cultura, pois será necessária uma produtividade de apenas 15.168 kg/ha para a receita se igualar aos custos. Este mesmo desempenho pode ser observado no resultado da margem de segurança, que corresponde a -0,24, condição que revela que para a receita se igualar à despesa a quantidade produzida ou o preço de venda do produto pode cair em até 24%.

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