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Quando dar início às aplicações de fungicidas?

Crédito: Jacto

Aldeir Ronaldo Silva
Engenheiro agrônomo, doutor em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – ESALQ/USP
aldeironaldo@usp.br

A cultura da soja é amplamente cultivada no Brasil, exercendo papel importante na agricultura brasileira. Além disso, a cultura da soja possui uma grande incidência de várias doenças ao longo do ciclo de cultivo.

Entres as principais doenças que incidem na cultura da soja estão a ferrugem asiática, macha-alvo, mancha-olho-de-rã, podridão radicular de fitoftora, mofo-branco e oídio, podendo causar perdas na produtividade entre 31 a 70%, respectivamente.

Uma a uma

A ferrugem asiática foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001 e logo difundiu-se rapidamente por diversas regiões produtoras, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, provocando a desfolha precoce, resultando em um baixo desenvolvimento da planta e redução na produtividade.

A podridão radicular (Phytophthora sojae) foi identificada entre os anos de 2005 e 2006, quando se observou morte generalizada nas plantas de soja. Assim, o patógeno desenvolve estrutura que propícia sua permanência durante muitos anos no solo.

Nesse aspecto, condições climáticas com temperatura em torno de 25°C e umidade elevada favorecem a incidência desse patógeno. Além disso, solos compactados e com plantio direto de maneira sucessiva podem provocar o aumento da incidência da podridão.

Outra importante doença que incide na cultura da soja é a mancha-alvo (Corynespora cassicola). Entre os sintomas, destacam-se o surgimento de manchas circulares de tonalidade castanha com pontuações no centro, que podem atingir 2,0 cm de diâmetro, sendo observadas perdas nas folhas ao longo da incidência.

O mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) pode provocar perdas na ordem de 30%. Todavia, devido a sua agressividade (que pode atacar toda a planta, como folhas, raízes e flores), vem configurando-se como uma doença de grande importância econômica em função dos danos.

Entre os principais sintomas da incidência dessa doença estão lesões com uma massa de micélio branco. Assim como as demais doenças, as condições ambientais podem favorecer o aumento da incidência dessa doença na lavoura, por exemplo, em regiões produtoras com altitude elevada, ao associar-se com a ocorrência de temperaturas baixas em torno de 25°C e alta umidade tendem a provocar o aumento da incidência dessa doença.

Os fungos

As doenças causadas por fungos são a maioria no sistema de cultivo, em destaque na cultura da soja. Esses agentes podem ser diagnosticados pelo tipo de sintomas que produzem. Além disso, também podem ser identificados pelas estruturas vegetativas e reprodutivas, ou com auxílio de métodos sorológicos e moleculares.

Os fungos provocam indiretamente a redução no desenvolvimento da planta, associado, principalmente, à redução da atividade fotossintética, em destaque pela redução da área foliar das plantas. 

Assim, a incidência dos fungos modifica a fisiologia da planta.

Prejuízos financeiros

As doenças fúngicas nas plantas afetam, principalmente, o desenvolvimento da soja durante todas as fases de cultivos, com ocorrência em diversos órgãos das plantas, o que provoca danos em diversos momentos e afeta, também, outras fases de floração e enchimento dos grãos.

Nisto, os danos influenciam negativamente a qualidade dos grãos, bem como a produtividade. Nesse contexto, o uso de fungicidas e práticas de manejos inadequados provocam um aumento no custo de controle ou ação preventiva da incidência na lavoura.

Manejo acertado

Para um manejo eficiente da incidência de fungos na lavoura, é importante o monitoramento em todos os estádios fenológicos, como a identificação da ocorrência de manchas ou pontos nas folhas, queda precoce das folhas, alteração na tonalidade das folhas e baixo desenvolvimento radicular.

Entre os pontos de monitoramento estão a redução de biomassa. Os agricultores têm usado os benefícios do sensoriamento remoto para facilitar a identificação de potenciais doenças por meio de imagens de satélite.

A perda de biomassa e a alteração dos padrões de cores são capturados por suas lentes, permitindo a identificação de anomalias nas lavouras.

Quando os fungicidas são indicados?

Para um manejo adequado, é importante que o produtor adote o manejo integrado de doenças (MID), pois trata-se de um processo com um conjunto de medidas que visam evitar ou exercer o controle sobre a incidência de doenças, associado a métodos que visam a viabilidade econômica e impacto ambiental.

Nisto, o uso de fungicidas é indicado com auxílio de um profissional qualificado em função do grau de infestação na lavoura.

No MID, várias propostas são sugeridas para manejo de controle ou prevenção, como rotação de cultura, uso de cultivares resistentes, sementes com certificação de qualidade e sanidade vegetal, adubação adequada e uso de fungicidas de maneira eficiente, com relação ao princípio ativo, dosagem e intervalo de aplicação.

Assim, a tomada de decisão do fungicida deve ser adotada mediante um conjunto de medidas.

Atenção

O manejo dos fungicidas pode variar de acordo com a situação e o grau de incidência do fungo na soja. Nisto, a aplicação de fungicidas com características de prevenção ou curativas devem ser intercaladas em função da severidade da doença.

Assim, em geral, são recomendadas quatro aplicações de fungicidas, com intervalo de 15 dias entre cada aplicação e com aplicação nas fases que antecedem o fechamento das linhas, florescimento, formação da vagem e enchimento dos grãos.

Dessa forma, é importante a escolha de fungicidas com alta eficiência no controle de fungos, em função da não necessidade de aplicação suplementar.

Cuidados

Para uma alta eficiência dos fungicidas, são necessários vários cuidados, que estão relacionados ao tipo de mecanismo de ação do fungicida. Assim, o produtor deve priorizar a rotação de fungicidas com princípio ativo diferente e importar-se em analisar a bula do produto em relação à dose de aplicação.

Destaca-se, ainda, o momento adequado para aplicação e evitar a aplicação em dias com temperaturas elevadas, alta incidência de chuvas ou com rajadas de ventos. Tais cuidados podem evitar a perda de eficiência dos fungicidas e resultar na diminuição dos custos de maneira indireta.

Viabilidade da técnica

A viabilidade econômica da pulverização está diretamente associada com o grau de incidência dos fungos durante o ciclo de cultivo da soja, em conjunto também com outras práticas de manejo de doenças.

Dessa forma, o uso da técnica, quando realizada de maneira correta, apresenta vários benefícios no controle das doenças e resulta, principalmente, no aumento da produtividade, quando comparado com lavoura sem tratamento.

Todavia, quando realizada de maneira inadequada, a pulverização apresenta alto custo e baixa eficiência.

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