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Silício controla oídio em abobrinha

O controle de oídio pode ser feito a partir do uso de cultivares resistentes e do posicionamento de fungicidas.

Franciely S. Ponce
francielyponce@gmail.com
Thiago Alberto Ortiz
thiago.ortiz@prof.unipar.br
Silvia Graciele Hulse de Souza
Engenheiros agrônomos, doutores em Agronomia/Horticultura e professores do Departamento de Agronomia – UNIPAR/Umuarama-PR

O uso de cultivares resistentes é fundamental
Crédito: Miriam Lins

O oídio é uma doença fúngica causada pelo fungo Podosphaera xanthii (syn. P. fusca (Castagne) e apresenta elevada importância para diversas culturas como a soja, melancia, tomate, pepino, abóbora, entre outras.

O oídio é uma das principais doenças que acometem a abobrinha (Curcubita pepo L.), provocando lesões esbranquiçadas nas folhas, caules e frutos. Contudo, nas folhas as lesões são mais perceptíveis e têm sua capacidade fotossintética reduzida, impactando significativamente a produtividade.

Controle

O controle de oídio pode ser feito a partir do uso de cultivares resistentes e do posicionamento de fungicidas, sendo essencial para a redução das perdas provocadas pela doença.

Contudo, a eficiência do uso de fungicidas químicos pode variar devido à seleção de linhagens resistentes do fungo. É fundamental a busca por ferramentas que auxiliem na redução da incidência, severidade ou mesmo que previnam a doença.

Ação do silício

O silício (Si) é um nutriente classificado como não essencial para as plantas, sendo um dos mais abundantes no solo, correspondendo a 27,7% da composição da crosta terrestre em forma de SiO2, caulinita, feldspatos e minerais de argilas silicatadas.

Contudo, a aplicação de formas assimiláveis de Si em algumas culturas tem demonstrado que o elemento promove maior resistência das células vegetais.

A deposição e polimerização de Si na parede celular proporciona maior resistência mecânica aos tecidos vegetais, dificultando a alimentação de insetos mastigadores como lagartas, besouros, entre outros.

O Si promove a síntese de substâncias de defesa, como o ácido jasmônico, ligado à produção de compostos fenólicos e resistência a insetos mastigadores. Além disso, a colonização dos tecidos por fungos é menor, devido à resistência das células.

Os efeitos variam conforme a afinidade da cultura ao acúmulo do Si, havendo, ainda, melhoria na fotossíntese e resistência à seca e salinidade.  

Na planta

A utilização de formas solúveis de Si auxilia tanto no uso como na absorção pelas plantas, tendo a aplicação de silicato de potássio resultado em benefícios a culturas como a batata, milho, entre outros.

A junção de Si e potássio (K) torna-se bastante benéfica, devido ao fato de o K estar ligado à resistência das plantas a geada e a doenças por atuar na ativação de enzimas importante na planta, como sintetases, oxiredutases, desidrogenases, transferases, quinases, aldolases e proteínas.

Pesquisas com a abobrinha

Estudos demonstraram que o oídio em plantas de abobrinha pode ser controlado com a aplicação de 2,0 L ha-1 de silicato de potássio em pulverização foliar semanal. Isso porque a utilização de silicato de potássio na cultura leva a uma maior nutrição das plantas, que passam a apresentar maior resistência à colonização das hifas de fungos.

A resistência dos tecidos vegetais é muito importante para a redução dos danos proporcionados por doenças. Além disso, plantas bem nutridas são mais tolerantes às intempéries do ambiente.

Diferenciais do silício

O fenarimol é um fungicida bastante utilizado no manejo de fungos em várias culturas e atua reduzindo a capacidade de colonização das hifas dos fungos.

Contudo, esse efeito também pode ser notado em fungos benéficos, como micorrizas do solo. Além disso, pode inviabilizar o uso de fungos entomopatogênicos, por interferir em sua ação.

O uso de fungicidas tem elevada importância para o manejo de doenças de plantas, contudo, há que se observar quanto aos danos ao meio ambiente, toxicidade e eficiência.

Outro fator importante relacionado ao uso de fungicidas químicos em cultivo de abobrinha é que as cucurbitáceas são plantas altamente dependentes de polinização, sendo o uso destes e de outros produtos fitossanitários prejudiciais à polinização, impactando diretamente no pegamento dos frutos.

Linhagens resistentes

A seleção de linhagens resistentes de fungos a fungicidas também tem sido outro problema enfrentando pelos agricultores, havendo redução na eficiência da entrega de resultados. Isso torna necessário o posicionamento de outras ferramentas, a fim de reduzir a incidência do oídio nos cultivos.

Orientações

A dosagem de silicato de potássio para a obtenção do melhor resultado deve se limitar a 2,0 L ha-1. Acima disto, é prejudicial à produção de frutos de abobrinha e abaixo apresenta menor eficiência na ocorrência da doença.

A aplicação foliar de silicato de potássio atua reduzindo a severidade do oídio em abobrinha, sendo o efeito mais visível a partir do 40º dia. A eficiência observada se assemelha ao efeito do fungicida fenarimol.

Por se tratar de um produto que irá fortalecer as defesas da planta por meio da nutrição, o silicato de potássio apresenta enorme vantagem, com baixo ou nenhum impacto ao meio ambiente.

A dose de 2,5 L ha-1 de silicato de potássio tem maior eficiência no controle da doença, contudo, a dose de 2,0 L ha-1 se mostra mais recomendada, pois apresenta efeito sobre a doença, sem reduzir a produtividade de frutos de abobrinha.

Resultados no controle do oídio

Por se tratar de um nutriente, e cujos efeitos são obtidos a partir da melhor nutrição da planta, produção de proteínas e compostos ligados à resistência das plantas, o Si pode ser utilizado sem efeitos nocivos a longo prazo.

O oídio pode ser controlado com a aplicação de 2,0 L ha-1 de silicato de potássio
Crédito Miriam Lins

No cultivo de abobrinha, a aplicação do silicato de potássio foi eficiente a partir do 40º dia após o transplante, sendo observado o mesmo efeito até 61 dias após o transplante.

As pulverizações foliares devem ser iniciadas a partir do 21º dia após o plantio, com intervalos de aplicação de sete dias, visando a prevenção e menor severidade da doença.

Suplementação

Os estudos com a aplicação de Si têm demonstrado que plantas que recebem a suplementação são mais resistentes a doenças e seus tecidos menos atacados por pragas e patógenos. Além disso, pode haver efeitos positivos sobre a fotossíntese, gerando maior produtividade.

Outro ponto importante é quanto à disponibilidade de fósforo, que é aumentada quando o Si é suplementado via solo. Além da resistência a fatores bióticos, o uso de Si proporciona maior resistência à seca, salinidade, entre outros.

No cultivo de abobrinha, não foram obtidos maior índices fotossintéticos ou maior crescimento a partir da aplicação do silicato de potássio. 

Integração de métodos

Por se tratar de uma ferramenta simples e sem interferência a outras táticas de manejo de doenças, a aplicação foliar de silicato de potássio pode ser utilizada conjuntamente com outras táticas de manejo do oídio pelos produtores.

Esta representa uma forma barata e de baixo impacto para o meio ambiente, podendo ter, ainda, redução de custo relacionado à pulverização de fungicidas químicos.

Para o sucesso, é preciso estar atento à dosagem recomendada, início das pulverizações e intervalos de aplicação. Além disso, o monitoramento da doença é imprescindível para garantir a alta produtividade da cultura.

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