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Silício na proteção de doenças da cebola

Descubra como este nutriente pode impulsionar a resistência, a produtividade e a qualidade dos bulbos

Foto: Shutterstock

Rayssa Camargo de Oliveira
Engenheira agrônoma, doutora em Fitotecnia e professora – Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM)
rayssaoliveira@iftm.edu.br
Roberta Camargos de Oliveira
Engenheira agrônoma, doutora em Fitotecnia e professora – Instituto Federal Goiano (IFGoiano)
roberta.camargos@ifgoiano.edu.br
Fernando Simoni Bacilieri
Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e professor – UNOPAR
ferbacilieri@zipmail.com.br

No Brasil, a cebola (Allium cepa) ocupa o terceiro lugar em importância entre as hortaliças, com destaque para a produção nos estados de Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais, ultrapassando R$ 4 milhões em valor de produção no ano de 2022, segundo o IBGE.

Nesse ano, a produção foi contabilizada em aproximadamente 1.656.076 toneladas, o que representa uma produtividade média de 33.870 kg por hectare em uma área total de quase 49.000 hectares.

Para atingir esses incrementos contínuos de produção, é importante manter atenção a nutrição da cultura e o silício tem ganhado atenção na condução dessa cultura como um elemento benéfico.

O tal do silício

Por mais que ele seja o segundo mais abundante na crosta terrestre, ficando atrás apenas do oxigênio, a ciência ainda busca elucidar o seu papel nos organismos vivos. E na natureza o silício se combina com o oxigênio para formar o dióxido de silício ou sílica, que pode ser encontrada na areia da praia, nos cristais de quartzo, nos vidros e nos cimentos.

Cebola mais resistente

O silício pode contribuir com a maior resistência da cebola devido à barreira mecânica criada nos tecidos das plantas e ao aumento de substâncias químicas secundárias que podem reduzir a incidência de doenças e insetos.

Essa seria a explicação clássica do efeito direto do nutriente, porém, como será explicado aqui, há diversos outros efeitos diretos e indiretos que podem contribuir para que a planta de cebola reaja melhor aos estresses abióticos como um todo.

Mais benefícios

Além da proteção contra doenças, há relatos de que o silício também favorece contra o ataque de insetos, já que na presença dele as plantas produzem mais fitoalexinas, que dificultam que os insetos se alimentem da folha, desgastando mais rapidamente seu aparelho bucal.

Além disso, melhora a eficiência fotossintética em virtude do aumento de clorofila e outros pigmentos, como carotenoides, melhora a arquitetura da planta, ao permitir a formação de folhas mais eretas, com melhor penetração de luz solar e gás carbônico no dossel, o que resulta em uma maior conversão de fotoassimilados, que serão transportados para os bulbos.

Somado a isso, também reduz taxa de transpiração, por enrijecer a parede celular das células da epiderme o que também prolonga o período de armazenamento e vida de prateleira dos bulbos.

Nesse sentido, o nutriente silício também é considerado um estimulante a curto prazo para a recuperação das plantas adultas a partir de adubação foliar; acelerando, ainda, o desenvolvimento das plântulas transplantadas e favorecendo o amadurecimento e a formação de novos bulbos.

Já do ponto de vista nutricional, ainda que o silício seja considerado apenas um elemento benéfico e não essencial, sabe-se que ele melhora a saturação por bases do solo e, por consequência, a nutrição do vegetal como um todo.

Suprimento de silício

A quantidade adequada de fertilizante para uma cultura, na maioria dos solos pobres, é geralmente maior do que o que é “exportado” pela colheita (a quantidade de elementos minerais que as plantas colhidas contêm), ou perdido por lixiviação.

O agricultor pode, então, utilizar fertilizantes silicatados de manutenção para compensar os nutrientes que se perdem quando as culturas são colhidas, fixadas ou lixiviadas. Estas tácticas de abastecimento aumentam progressivamente as reservas do solo e evitam uma carência silenciosa.

Outro benefício do silício para a cultura é que o mesmo aumenta a resistência a metais tóxicos, como o alumínio e o cádmio – que são extremamente prejudiciais para o desenvolvimento das plantas em condições de solo ácido.

De acordo com o estudo de Hodson e Sangster, “Aluminum/silicon interactions in conifers”, o silício e o alumínio podem combinar-se para gerar hidroxialuminossilicatos (HAS), que reduzem os sintomas de toxicidade e promovem o crescimento das plantas.

A forma como o silício interage com o cádmio é igualmente comparável, devido à sua forte afinidade com o elemento. Por esta razão, quando a fertilização com silicatos é feita corretamente, os níveis de cádmio nas plantas são mais baixos.

Foto: Shutterstock

Redução da evapotranspiração

A utilização de silício no cultivo de cebolas melhora o controle da evapotranspiração, não por alterar o índice e densidade de estômatos nas folhas apenas, mas sim por promover o aumento na espessura da folha, pelo acúmulo de cristais de sílica na epiderme foliar e junto às células-guarda dos estômatos.

A cultura da cebola é medianamente exigente em água, porém, é muito sensível ao déficit hídrico no período de bulbificação. Dessa forma, é muito importante que a planta controle bem a taxa de evapotranspiração nesse período crítico.

Há espécies que, após a aplicação de silício, melhoram a tolerância a veranicos e a períodos de baixa disponibilidade hídrica, mantendo o processo de crescimento por um período maior, otimizando a qualidade do produto colhido, tanto em condições de adequado fornecimento de água quanto em condições de deficiência hídrica.

Nodulação em leguminosas

A cultura da cebola pode ser rotacionada ou consorciada com espécies leguminosas, como mucuna preta, crotalária juncea e feijão-de-porco, agindo como adubo verde ou ainda um “descanso” do solo por rotação com feijão, ervilha e fava.

Pesquisas demonstram que a adubação silicatada favorece a formação de nódulos e a fixação biológica de nitrogênio em espécies leguminosas devido ao seu efeito positivo sobre a simbiose de bactérias fixadoras do gênero Rhizobium, Bradyrhizobium e Azorhizobium.

Essa relação é entendida como simbiose porque essas bactérias diazotróficas podem viver livres no solo ou associadas.

Para além de fixarem o nitrogênio atmosférico, estas bactérias são descritas também como sendo capazes de produzir hormônios vegetais, solubilizar fosfato, atuar como antagonistas de espécies patogénicas, bem como ser capazes de influenciar o metabolismo do nitrogênio das plantas, sendo consideradas rizobactérias promotoras do crescimento das plantas. Entre alguns dos reguladores vegetais produzidos pelas rizobactérias, destaca-se a produção de ácido indol acético e de outros compostos indólicos.

 Porém, a explicação fisiológica de como e onde o silício exerce sua influência direta na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio ainda não é bem conhecida. De todo modo, é de senso comum que, ao rotacionar a cultura da cebola com espécies leguminosas, ocorre uma diminuição da pressão de seleção sobre a população de plantas infestantes, pragas e doenças.

Essas atacam não só cebola, mas também as plantas da família, como cebolinha e alho, além de explorar outras profundidades do solo, e exportar, por meio da colheita, diferentes tipos e quantidades de nutrientes.

Na dose certa

A literatura carece de orientações atualizadas para recomendação de doses de silício para a cultura da cebola, mas há pesquisadores que indicam que geralmente a quantidade aplicada deve variar de três a seis toneladas de silicato de cálcio ou magnésio por hectare, sendo 40 a 60 dias antes do estabelecimento da cultura no campo.

Esta recomendação se baseia nos dados disponíveis sobre a produtividade da cebola e em estudos de calibração de análises de silício solúvel no solo, bem como no efeito residual dos silicatos.

Já em fertirrigação, há pesquisadores que recomendam, de forma geral, a dose de 27,8 kg ha-1 de silício, em condições de cultivo com água de irrigação de boa qualidade, ou baixa salinidade (0,65 ± 0,3 dS m-1) e a dose de 166,4 kg ha-1, em condições de cultivo com água de irrigação mais salina (1,7 ± 0,3 dSm-1).

Algumas fontes de sílica utilizadas em sistemas de irrigação por gotejamento para culturas hortícolas de alto valor são o silicato de sódio e de potássio, além do silicato de cálcio.

Outra dificuldade é que as necessidades da cultura de cebola ao nível de cultivar também não são bem definidas, o que torna também um desafio identificar a dose apropriada de silício.

Fontes de silício

Conforme comentado, o nutriente silício é tipicamente administrado em combinação com outros nutrientes e a fonte mais comum encontra-se nas escórias de aço, nomeadamente no silicato de cálcio.

Foto: Shutterstock

Para adubar com silício a cultura da cebola, estão disponíveis no mercado, segundo a IN nº 39. 2018, os seguintes fertilizantes com os respectivos teores: fonolito: 8% de potássio (K2O) e 25% de silício; silicato de cálcio: 29% de cálcio e 20% de silício; silicato de cálcio e magnésio: 7% de cálcio, 1% de magnésio e 10% de silício; silicato de magnésio: 24% de silício e 21% de magnésio; silicato de potássio: 10% de silício e 10% de potássio (K2O); termofosfato magnesiano: 17% de fósforo (P2O5), 4% de magnésio, 16% de cálcio e 8% de silício; termofosfato magnesiano potássico: 12% de fósforo (P2O5), 3% de potássio (K2O), 16% de cálcio, 4% de magnésio e 8% de silício; termosuperfosfato: 18% de fósforo (P2O5), 10% de cálcio, 1% de magnésio, 2% de enxofre e 1% de silício.

A fonte mais comum utilizada é o silicato de cálcio, abundante em subprodutos da indústria siderúrgica, porém, como é possível perceber, há vários tipos de fertilizantes regulamentados como fonte de silício e, portanto, é possível escolher o que melhor se adéqua à região e ao tipo de produção da cebola em questão.

Hora de repor

Com relação à deficiência de silício em plantas, são notados como efeitos secundários o aumento dos danos provocados por doenças ou pragas e os sintomas de estresse abiótico nas plantas que não recebem níveis adequados deste nutriente, bem como a falta de vigor no pseudocaule e os sintomas de estresse abiótico, como as sardas nas folhas.

Dessa forma, conclui-se que, monitorar os níveis de silício no solo e na planta de cebola, tem apresentado diferentes benefícios, que ao longo do tempo têm sido relatados e explicados melhor na literatura.

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