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Trituradores encurtam caminho para a sustentabilidade

Os trituradores são benéficos ao solo e ao meio ambiente

Frederico Vianna Kelber
Engenheiro agrônomo, MBA em Gestão Comercial e mestrando em Ambiente e Sustentabilidade – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)
fredericovkelber@gmail.com

Atualmente, a maior preocupação da humanidade é com a incontrolável geração de resíduos, os quais necessitam um destino final sustentável, técnico e ambientalmente correto. Os processos de geração, descarte e disposição destes resíduos, se realizados incorretamente, podem provocar diversos impactos ambientais, sociais e econômicos.

Os trituradores são benéficos ao solo e ao meio ambiente, pois o vegetal triturado é facilmente incorporado ao solo, tornando-se uma fonte de nutrientes orgânicos, mantendo a umidade e oxigenação tão essenciais para a planta.

Os trituradores são beneficiais ao solo e ao meio ambiente
Foto: Tritucap

Funcionalidade

Os trituradores podem ser utilizados tanto para acelerar o processo de compostagem quanto podem depositar o material triturado diretamente no canteiro, sendo este último denominado de sistema corte-tritura. Consiste na trituração da biomassa aérea da vegetação para reduzir a perda de nutrientes, adicionar a matéria orgânica e formar uma cobertura morta no solo.

A colocação direta do material sobre o solo (mulching) possui inúmeros benefícios: conservação dos teores de matéria orgânica e fertilidade, melhoria da estrutura física do solo, manutenção da biota do solo devido à aeração e ativação da vida microbiana, proteção contra erosão, manutenção da umidade do solo por aumentar a capacidade de absorção, contenção dos processos de degradação da biodiversidade, diminuição de plantas daninhas com redução de aplicação de herbicidas e prolongamento do ciclo de cultivo.

Manejo

O uso de trituradores acelera a decomposição do material vegetal, contudo não deve ser utilizado este material triturado diretamente no canteiro ou plantação devido ao processo de compostagem, que libera calor, podendo chegar aos 80ºC, além  de alterar o pH ao longo da fermentação – varia pH de 5,0 e 8,0 – até chegar ao material orgânico estável (processo que pode durar em até 120 dias).

O uso direto do material triturado no solo é utilizado caso o período de transplantio de mudas aconteça após o período de fermentação dos resíduos, que varia conforme a altura da camada de resíduos sobre o solo.

Os microrganismos transformam folhas e galhos num fertilizante rico em N, P, K, Ca e Mg, que são assimilados pelas raízes, além de Fe, Zn, Cu, Mn e Bo, assimilados em pequenas quantidades. O resultado é um fertilizante orgânico de alto valor agregado e de baixo custo de produção, com grande potencial de uso, tanto na agricultura quanto em áreas verdes da zona urbana.

Incorporação de nutrientes orgânicos

O preparo da área usando a técnica de corte e trituração da vegetação poderá, além de reduzir a poluição ambiental e os riscos de incêndios acidentais (uso de fogo), evitar as perdas de nutrientes acumulados na biomassa e proteger o solo contra efeitos da lixiviação e da erosão, reduzindo os gastos com adubação e melhorando os atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

No manejo com a vegetação secundária triturada, os resíduos vegetais são mantidos na superfície do solo, enquanto que, no sistema de queima, o solo fica exposto à degradação pelo impacto das gotas de chuva e pela ação de fogo, diminuindo a estabilidade do solo. Como consequência, ocorre a diminuição da qualidade estrutural do solo, proporcionando aumento da densidade do solo e resistência à penetração das raízes.

Opções

A adoção da tecnologia de corte e tritura requer técnicas mais avançadas, pois o corte e a trituração da vegetação lenhosa de forma manual são extenuantes, o que dificulta sua utilização por produtores.

A concepção de um equipamento para o corte e a trituração da vegetação, além de se adequar ao poder econômico dos produtores, deve, também, visar a conservação dos sistemas radiculares, pois a rebrota de raízes ou rizomas é o principal meio de regeneração vegetativa das espécies arbóreas lenhosas e herbáceas perenes, que sobrevivem após a perturbação.

Os modelos mais simples de trituradores disponíveis no mercado possuem opção de alimentação a gasolina, com consumo variável entre 1,0 a 2,3 litros por hora, ou elétrico. Variam entre linhas leves, intermediárias e pesadas, com diferentes potencias e rendimentos de trabalho.

A seguir estão as características de trituradores simples, que não são acoplados a tratores.

Tabela 1. Características de trituradores não acoplados a trator para vegetação leve e mediana disponíveis no mercado.
Peso (kg)Potência (CV)Capacidade máxima de corte (diâmetro em cm)Rendimento (m3/h)Consumo médio (l/h)
62,56,510,64-0,541
72642-41,35
967,542-4
12175-62,3
13315-2585-6
1601075-6
1751584-62
1821084-6
30212,5-15103-5
30415103-6

Modelos tratorizados

Além dos trituradores não acoplados a tratores, existem modelos tratorizados com potência mínima de 50 CV para realizar o manejo de trituração em vegetação grossa e de grande dureza.

O equipamento é acoplado a um trator de rodas que derruba a vegetação e tritura a biomassa, e ao mesmo tempo, distribui sobre o terreno na forma de cobertura morta (mulching) em uma única operação, possibilitando o plantio.

Os mecanismos de trituração adotam martelos, que esmagam a vegetação e trituram material lenhoso de no máximo 30 cm de diâmetro na superfície do solo, ou vegetação sucessional de até 12 anos.

Também há outros mecanismos que utilizam serras circulares e hélices (facas helicoidais) para realizar a tarefa de corte e triturar troncos lenhosos de no máximo 10 cm de diâmetro na superfície do solo, ou florestas secundárias de até quatro anos de idade.

Tabela 2. Trituradores acoplados a trator para triturar vegetação grossa e de grande dureza disponível no mercado.
LinhaFaixa de potência (CV)Capacidade máxima de corte (diâmetro em cm)Largura de trabalho (m)
Leve50-9061,6
Intermediária65-2506-201,6-2,9
Pesada100-250301,6-2,33

Tais modelos atendem a alguns critérios que auxiliam na sustentabilidade devido à: preservação das raízes das espécies lenhosas; realização de corte-raso (que não provoque a obstrução das linhas de plantio); execução simultânea das atividades de trituração e de deposição do material triturado no solo (mulching); e de simples operação e manutenção.

Estes modelos tratorizados contribuem para ILPF (integração lavoura-pecuária-florestal), caracterizada pela integração de diferentes sistemas de produção, sendo combinação de espécies agrícolas, florestais e animais.

Os diferentes sistemas podem ser em cultivo consorciado, rotação ou sucessão, de forma em que os componentes integrados interajam entre eles, impulsionando uma maior diversidade de produtos e aumentando o uso da terra, mas de maneira sustentável.

Práticas sustentáveis

A necessidade de buscar práticas sustentáveis que substituam o corte e queima da capoeira no preparo da área provocou o desenvolvimento de iniciativas de transição do modelo convencional da agricultura para formas mais sustentáveis.

O manejo da capoeira é um bom exemplo: antes tratado sob a lógica de corte e queima e, hoje, com possibilidades de incorporação de uma nova tecnologia capaz de triturar a biomassa aérea dessas vegetações e melhorar a qualidade do solo, do ar e da água.

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