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sexta-feira, junho 24, 2022
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Uso de bioestimulantes na videira

Crédito Shutterstock

Camila da Silva Costa
Graduanda do curso de Agronomia – Centro Universitário de Ourinhos (Unifio)
camila.costasilva123@hotmail.com
Adilson Pimentel Júnior
adilson_pimentel@outlook.com
Aline Mendes de Sousa Gouveia
aline.gouveia@unifio.edu.br
Engenheiros agrônomos, doutores em Agronomia e professores – Unifio

A videira (Vitis sp.) apresenta relevante aporte econômico e social no nosso país, apresentando as regiões sul e nordeste como as principais produtoras da fruta, que são destinadas ao consumo in natura e/ou produção de sucos e doces.
De acordo com os dados do IBGE (2022), a área plantada apresentou aumento de 75.086 hectares em 2021 para 75.259 hectares em 2022. Há, neste mesmo período, uma estimativa de produção de 1.702.660 toneladas para 1.656.279 toneladas, respectivamente, influenciado significativamente pelas condições edafoclimáticas das regiões produtoras, gerando aporte na produção da uva.
Assim, investimentos em tecnologias que promovam ganhos em produção e qualidade da fruta são fundamentais para permitir o sucesso da atividade no âmbito nacional e internacional.

Bioestimulantes na videira

Os bioestimulantes são substâncias que, por meio de hormônios vegetais, macro e micronutrientes, carboidratos e aminoácidos auxiliam no crescimento e desenvolvimento da planta, melhorando a produtividade e qualidade do produto final.
Eles geralmente apresentam origem biológica associado a demais substâncias que potencializam fisiologicamente as estruturas foliares, caulinares, radiculares e produtivas da planta.
Seu uso está associado à busca por práticas agrícolas mais sustentáveis, principalmente pela preocupação no uso excessivo de água e do solo, pela escassez de insumos que atendessem as demandas nutricionais e fitossanitárias da cultura, demanda elevada no mercado global.

Viabilidade

Os benefícios apresentados pelo uso de bioestimulantes na videira estão na aceleração e no processo de maturação dos cachos, como também retardo da senescência das plantas. Pesquisas desenvolvidas nesta área mostram aporte significativo no uso de bioestimulantes, desde a etapa do plantio, com benefícios proporcionados ao desenvolvimento fisiológico foliar e radicular da planta até as etapas de colheita e pós-colheita da fruta.
Tudo isso é refletido em produção de massa fresca e diâmetros transversal e longitudinal das bagas, comprimento médio e massa fresca dos cachos, acidez titulável, sólidos solúveis totais, porcentagem de degrane, massa fresca, diâmetros basais, mediano e apical do engaço, ou seja, impacto positivo no desenvolvimento e qualidade dos cachos de uva.

Recomendações

A técnica pode ser implantada nos parreirais pelo manejo nutricional e hídrico da planta: via foliar, via solo ou irrigação, ou até mesmo via sulco de plantio ou no tratamento das mudas. Tudo isso dependerá e se diferenciará de acordo com o clima da região de cultivo, manejo da cultura que o produtor já realiza e o foco da aplicação do bioestimulante.
Em termos de produtividade, o uso dos bioestimulantes proporciona aporte em qualidade ao produto final. Estudos mostram resultados promissores com o uso de thidiazuron (TDZ), forclorfenuron (CPPU) e o quinmerac, na melhoria das características morfológicas dos cachos e bagos de uvas.
O TDZ aplicado em doses crescentes aos 14 dias após o florescimento nas uvas ‘Vênus’ e ‘Niágara Rosada’ proporcionaram aumento da massa dos cachos, em número, comprimento e largura dos bagos. Já com o uso de CPPU, nome comum do forclorfenuron [N-(2-cloro-4-pridil)-N-feniluréia], um regulador vegetal que pertence ao grupo das citocininas não-purínicas, aplicado na cultivar ‘Sultanina’, atuou no aumento em 28 % no tamanho das bagas quando aplicado nos cachos após o pegamento dos frutos.
O CPPU também pode retardar a colheita, em média, por oito dias e aumentar o peso da matéria seca dos engaços. Outro estudo mostrou que o uso do hormônio citocinina associado à giberelina também promoveu melhoria na qualidade dos frutos de videira.
No geral, os bioestimulantes atuam no incremento da produtividade total por planta devido ao aumento em peso do engaço, dos cachos e das bagas; no tamanho em comprimento, largura e compactação dos cachos; decréscimo da porcentagem de bagas rachados, seguido de um atraso no amadurecimento, pela redução dos sólidos solúveis totais e pelo aumento da acidez total titulável.
Logo, pesquisas realizadas com outros reguladores vegetais, como o ácido giberélico, têm mostrado alguns efeitos indesejáveis, como o aumento do vigor das plantas, com redução na fertilidade das gemas, degrana dos cachos pós-colheita e maior suscetibilidade dos frutos às podridões.

Resultados

O mercado de insumos agrícolas busca comprovar a eficiência dos bioestimulantes por meio do alinhamento com os estudos práticos realizados em campo juntamente à produção e combinação com os reguladores vegetais mais utilizados nesta área, como a auxina e a citocinina.
A maioria dessas pesquisas mostra que o uso de bioestimulantes nas videiras em doses adequadas e aplicação correta produzem resultados esperados, com aporte na produção e na qualidade da uva. Um exemplo está na aplicação de auxinas e citocininas, que são fortemente utilizadas para crescimento de bagas e alongamento dos cachos.

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