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quarta-feira, agosto 10, 2022
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A evolução da colheita florestal

Rodrigo Lima

Professor e doutor em Engenharia Florestal e consultor SENAI

rodrigo.lima@fiepr.org.br

Crédito Gustavo Castro
Crédito Gustavo Castro

Até a década de 1940, a colheita florestal no Brasil foi realizada de forma manual ou semimecanizada, pois ainda não existiam máquinas e equipamentos específicos para este fim. A partir dessa época, as atividades de colheita passaram a depender de máquinas agrícolas e industriais adaptadas.

Segundo Machado (2014), a modernização das operações de colheita florestal teve início na década de 1970, quando a indústria nacional começou a produzir maquinário de porte leve e médio, fazendo surgir as motosserras profissionais, tratores agrícolas equipados com pinça hidráulica traseira ou mini Skidder, Skidders e os Autocarregáveis.

Assim, dispomos hoje de três tipos de colheita de madeira: a manual (pouco usual), a semimecanizada e a mecanizada.

A colheita semimecanizada de florestas

O corte das árvores com o uso de motosserras é um método semimecanizado. Neste caso, com o passar dos anos as equipes de corte das empresas foram redimensionadas, os operadores de motosserra passaram a receber treinamento específico e aumentou a preocupação com segurança, o que levou à maior conscientização dos operadores quanto ao uso efetivo dos equipamentos de proteção individual (EPI’s).

Sabe-se que o trabalho com motosserra é uma das ocupações que mais causa acidentes no setor florestal, além de exigir extremo esforço físico do operador. No Brasil, motosserras passaram a ser importadas na década de 1960, mas ainda com dificuldades na reposição de suas peças e falta de assistência técnica especializada.

Segundo relatos, somente na década de 1970 as indústrias fabricantes de motosserras instalaram-se em nosso país. Especialistas estimam que existam mais de 400.000 motosserras em atividade no Brasil.

Como é considerado um equipamento de alto risco, torna-se obrigatório o registro no órgão federal competente do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), por parte dos estabelecimentos comerciais responsáveis pela venda de motosserras, bem como daqueles que as adquirirem.

A licença para porte e uso de motosserras deve ser renovada a cada dois anos. Além disso, os fabricantes são obrigados a imprimir, em local visível do equipamento, numeração cuja sequência será encaminhada ao órgão federal competente e constará nas notas fiscais correspondentes, conforme o artigo 69 do Novo Código Florestal Brasileiro.

Rodrigo Lima, professor e doutor em Engenharia Florestal e consultor SENAI - Crédito Arquivo pessoal
Rodrigo Lima, professor e doutor em Engenharia Florestal e consultor SENAI – Crédito Arquivo pessoal

Colheita mecanizada

A colheita mecanizada consiste no uso de máquinas de médio e grande porte específicas para as operações de colheita e transporte de madeira. Estas máquinas são capazes de desempenhar todo tipo de atividade necessária no ciclo de colheita.

A introdução de equipamentos que substituíram o machado e a motosserra permitiu um aumento da capacidade produtiva, proporcionou melhores condições ergonômicas aos operadores e reduziu consideravelmente o número de acidentes de trabalho.

Segundo Machado (2014), a grande demanda pelos produtos florestais nos mercados interno e externo levou as empresas a adotarem planejamentos mais criteriosos nas diversas etapas do processo de produção, visando o aumento da capacidade produtiva. Assim, para atingir tal objetivo o setor florestal vem investindo na utilização das máquinas e no treinamento especializado de mão de obra para sua plena operação.

Cada um no seu lugar

A colheita de madeira com motosserra ainda ocorre em pequenas propriedades e em locais onde as máquinas não conseguem chegar, pois a declividade do terreno é uma das variáveis operacionais mais importantes a se considerar na mecanização florestal.

Segundo Machado (2014), em áreas cuja topografia é muito acidentada pode se tornar inviável o tráfego de máquinas motoras, uma vez que a estabilidade destas e, portanto, a segurança da operação, ficam comprometidas. Além disso, essa limitação no tráfego dentro da área de colheita florestal pode ser parcial ou total, conforme cada caso.

Em estudo realizado por Lima et al. (2004), a declividade limite como indicador de estabilidade e dirigibilidade para o tráfego transversal foi definida em 23,3% para o Feller Buncher e em 33,2% para o Skidder, ambos com rodados de pneus. Já as máquinas com esteira, segundo alguns fabricantes, podem operar em terrenos com declividades de 40 a 80%.

Além da topografia do terreno, são fatores relevantes a serem observados no processo de mecanização da colheita florestal: solo, clima, tipo do povoamento florestal a ser colhido, finalidade da madeira, operador (habilidade, treinamento e responsabilidade), tipos de máquinas florestais disponíveis e qualidade da malha viária.

Colheita florestal com Forwarder - Crédito Gustavo Castro
Colheita florestal com Forwarder – Crédito Gustavo Castro

Sistemas diversos

 

É importante enfatizar que o tipo de colheita é definido, principalmente, de acordo com a disponibilidade de recursos financeiros e com os objetivos da indústria. Portanto, é fundamental considerar o sistema de colheita adotado.

Para especialistas, o sistema de colheita é um conjunto de atividades, integradas entre si, que permitem o fluxo constante da madeira, evitando-se os pontos de estrangulamento, levando os equipamentos à sua máxima utilização.

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro/fevereiro 2018  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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