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Abóbora tetsukabuto: como obter sucesso no cultivo

O ambiente é fator preponderante na concretização do potencial genético, portanto, realize um levantamento de quais materiais são plantados na sua região.

Antônio Spiassi Silva Pereira Mendes
Engenheiro agrônomo e pós-graduando em Solos e Nutrição de Plantas – ESALQ/USP
antoniospiassimendes@gmail.com

A abóbora tetsukabuto (‘tetsu’, em japonês, é ferro e ‘kabuto’ é capacete, ou seja, “capacete de ferro”), também chamada de cabotiá, foi desenvolvida no Japão nos anos 40 como resultado do cruzamento de linhagens de moranga (Cucurbita máxima Duch.) e abóbora (C. moschata Duch.).

Chegou ao Brasil nos anos 60 e se estabeleceu como uma das hortaliças de maior importância econômica do país. O Estado de Minas Gerais é o maior produtor, com aproximadamente 36 mil toneladas por ano e produtividade média de 15 t/ha.

Critérios do cultivo

Para garantir uma boa colheita, precisamos nos atentar a alguns fatores aqui resumidos. Indica-se que a temperatura de cultivo fique entre 15 e 35ºC e que seja plantada durante a primavera ou verão.

Pode ser plantada no outono ou inverno, desde que irrigada. O terreno deve permitir a mecanização, sendo o mais plano possível. A cultura prefere solos de textura média e bem drenados.

Basearemos a adubação e a calagem na interpretação, por parte de um agrônomo, da análise de solo realizada quatro meses antes do plantio. O espaçamento deve variar entre 2,0 e 3,0 m entre linhas e 1,0 e 2,0 m entre plantas.

Sulcos ou covas de 30 cm de diâmetro e 25 cm de profundidade podem ser usados para o plantio. Daremos preferência aos sulcos, pois as raízes terão mais espaço para crescer. Eles devem preenchidos com solo e adubo orgânico para criar uma camada fofa.

As mudas devem ser recobertas por 1,0 ou 2,0 cm dessa mistura. Utilizar mudas ao invés de sementes é vantajoso, pois promove controle mais eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas no início do ciclo, reduz o tempo de ocupação da área e o custo com irrigação.

Alguns frutos devem ser desbastados para que o restante possa crescer livre da competição por nutrientes e se torne satisfatoriamente grande. A colheita é realizada com 90 a 110 dias.

Manejo integrado de pragas

O cultivo da abóbora é atrapalhado por diversas pragas. Dentre elas, destacam-se as seguintes:

Ü Fêmeas da mosca-das-frutas: possivelmente a maior inimiga das frutas e hortaliças. Depositam seus ovos no interior dos frutos. Quando as larvas nascem, passam a se alimentar da poupa, escavando-a. A presença de uma única larva torna o fruto impróprio para o consumo.

Ü Mosca-branca: é uma espécie que afeta várias hortaliças, incluindo as abóboras. É hospedeira de viroses como o mosaico dourado, transmitindo-o no início do desenvolvimento da cultura. As ninfas sugam sua seiva e injetam toxinas que tornam o amadurecimento dos frutos irregular.

Ü Broca-das-cucurbitáceas: causam danos em partes diferentes da planta. Uma delas (Diaphania nitidalis) ataca as flores e, principalmente, os frutos, cavando túneis que permitem a entrada de patógenos causadores de podridão na polpa. A outra (Diaphania hyalinata) broqueia talos e hastes, causa desfolha e perfura os frutos, gerando o mesmo problema anteriormente relatado. Apesar da abóbora tetsukabuto apresentar resistência elevada a esta praga, seus prejuízos ainda causam preocupação.

Monitoramento é essencial

Como podemos identificar as pragas com precisão e pôr em prática as medidas de controle mais efetivas? Através da amostragem, monitoramento e do emprego de técnicas de manejo diversificadas que se complementem.

Quanto mais específicas, derivadas de nossas observações e adaptadas à nossa realidade forem as medidas de controle, mais efetivas elas serão.

Para definirmos como e quando intervir, devemos primeiro encontrar exemplares das pragas em trechos da lavoura, a fim de estimar sua população total e dano potencial. Para isso, dividiremos a área cultivada em talhões e amostraremos 40 plantas distribuídas uniformemente ao longo de um deles. Faremos isso toda semana, assim, conforme a safra avança e a planta desenvolve novas estruturas, adaptaremos nossas ações.

Além de contar os insetos desprendidos das folhas na batida de pano, anotaremos a presença de minas nas folhas e de escavações nos caules e hastes. Quanto às flores e frutos, avaliaremos cinco por planta, observando se estão danificados.

Os frutos amostrados devem estar em estágio inicial de desenvolvimento. Para capturar a mosca-das-frutas, podemos espalhar armadilhas tipo McPhail pela lavoura.

Níveis de controle

Feita a amostragem, definiremos agora os níveis de controle. O que é isso? Basicamente, indica o quão atacada deve estar a nossa lavoura para que seja economicamente viável investir no controle de pragas.

O nível para as hortaliças é de 10% de desfolha, 5% de flores atacadas, 4% de frutos atacados, um inseto sugador por planta e um adulto de mosca-das-frutas por armadilha por semana.

Boas práticas

Incorpore os restos culturais profundamente; mantenha a cobertura vegetal; destrua plantações abandonadas ao redor da lavoura, elas podem hospedar pragas; opte por cultivares resistentes e precoces (quanto menor o ciclo, menos tempo para as pragas atacarem); recolha frutos e flores caídos ou separados da planta; colete ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos adultos e esmague-os.

Para incentivar o controle biológico natural, temos que usar fungicidas com moderação, visando poupar os fungos que acometem as pragas. Pulverizações com a bactéria Bacillus thurigiensis são efetivas para combater as lagartas brocadoras em seus estágios de desenvolvimento iniciais.

O controle químico, indispensável em alguns contextos produtivos, deve priorizar produtos de menor toxicidade e seletivos aos inimigos naturais das pragas; respeitar o período de carência (dias entre a última aplicação e a colheita); e promover a rotação dos princípios ativos para não criar pragas resistentes.

Durante a floração, a aplicação deve ser feita no período da tarde, pois os insetos polinizadores das cucurbitáceas são mais ativos pela manhã.

Escolha da cultivar

Outro aspecto importante para o sucesso do empreendimento é a seleção de uma cultivar que se adapte bem às particularidades do sistema adotado pelo produtor. Independente da escolha, todas as abóboras tetsukabuto produzem apenas machos estéreis e precisam ser plantadas em conjunto com outro tipo de abóbora ou moranga para serem polinizadas.

O plantio das variedades polinizadoras deve ser antecipado, para que haja coincidência de sua floração com a da abóbora japonesa. As morangas devem ser plantadas com sete dias de antecedência e as abóboras com 15 a 21 dias de antecedência.

Queremos uma frutificação uniforme e, para isto, devemos distribuir as polinizadoras pelo terreno, intercalando uma fileira dessas variedades para quatro do híbrido. Esse modelo apresenta sucesso de 25 a 50% no pegamento de frutos.

Podemos, também, induzir a partenocarpia (frutos desenvolvidos sem fecundação) por meio de químicos reguladores de crescimento. Essa prática pode ser interessante, por aumentar a área de cultivo da abóbora tetsukabuto (mais valorizada pelo mercado), uma vez que a polinizadora não ocupará espaço, e gerará um produto sem sementes que, por ser exótico, atrairá o interesse do consumidor.

Variações

Apesar de haver padrão estético bem definido entre as cultivares, podemos encontrar algumas variações de coloração, formato e desempenho produtivo. Por ser um híbrido, é necessário adquirir sementes da abóbora tetsukabuto constantemente, pois, se plantarmos sementes extraídas dos frutos da safra anterior, as plantas resultantes não manterão as mesmas características.

Essa demanda, aliado ao fato das sementes importadas do Japão receberem preferência por parte dos produtores, aumenta o custo de produção. A genética delas é considerada superior em termos de produção e qualidade dos frutos em relação às nacionais.

O ambiente é fator preponderante na concretização do potencial genético, portanto, realize um levantamento de quais materiais são plantados na sua região.

Embalagem e marketing

Depois de termos seguido todas as recomendações e nos esforçado para produzir frutos sadios, grandes e saborosos, seria uma pena se eles fossem subvalorizados, tratados como outros quaisquer de qualidade inferior.

Como diz o velho ditado: “quem não é visto, não é lembrado”. Não basta um bom produto. Ele precisa ser apresentado ao consumidor em uma embalagem que cause chame sua atenção e evidencie sua qualidade. A simples sacolinha de plástico não serve mais.

Devemos investir em um design agradável para as etiquetas e rótulos, pensar em um logo que defina a essência da marca e expor as informações sobre o produto de maneira objetiva.

Existem embalagens de diferentes tamanhos, formas, materiais e custos de produção e escolher a que melhor acomoda nosso produto é crucial.

Comercialização

Uma hortaliça grande como a abóbora tetsukabuto pode ser comercializada inteira, apenas com uma etiqueta colada em sua casca. No atacado, geralmente vem em sacos telados ou de ráfia de 20 kg.

Porém, com o cotidiano frenético dos dias atuais, o fracionamento prévio poupa muito tempo no preparo dos alimentos, estimulando hábitos de consumo mais saudáveis. No caso das abóboras, podem ser cortadas ao meio e ter suas sementes retiradas, ou ser descascada e picada em cubos. A comodidade que esse processamento traz agrega valor significativo ao produto final.

A embalagem não deve apenas causar impacto visual, ela também deve ajudar a estender a vida útil do alimento e preservar suas qualidades nutricionais e sensoriais. Para isso, os frutos são colocados dentro de plásticos onde o ar é retirado e substituído por uma mistura de gases contendo CO2, que retarda o crescimento de microrganismos deteriorantes.

Os níveis de oxigênio também são reduzidos e, após serem selados, a parede dos sacos realiza trocas gasosas seletivas com o ambiente, algo muito benéfico para a conservação. Chamamos esse processo de atmosfera modificada.

Outras vantagens da técnica são a diminuir da taxa de respiração (sim, plantas respiram, e quanto menos respirarem, mais elas duram), retardar o amadurecimento e a senescência (processos que levam à morte dos tecidos vegetais), impedir a perda de clorofila e de umidade (possibilitando frutos verdes e frescos por mais tempo) e o escurecimento enzimático (causador de manchas).

O isolamento do produto também previne a contaminação decorrente de possível falta de higiene em sua manipulação.

Transporte e armazenamento

 A abóbora tetsukabuto possui uma casca muito dura e espessa, o que protege e polpa relativamente bem de danos físicos, como batidas e arranhados. Isso não significa que não devamos ter cuidado, pois frutos “machucados” podem ser desprezados pelo comprador. 

Adicionalmente, o estresse físico e climático pode levar os frutos a consumir sua reserva de carboidratos e água mais rapidamente, levando à perda de peso e deterioração acelerada.

Apesar das abóboras poderem ser armazenadas por mais de três meses em ambientes secos e sombreados antes de serem comercializadas, recomendamos que o produtor faça isso de imediato, pois os frutos perdem umidade rapidamente, e seu peso pode diminuir até 8% em apenas 30 dias.

Algumas técnicas podem ser utilizadas durante o transporte e armazenamento para reduzir esse efeito. Em primeiro lugar, devemos investir no transporte em caminhões refrigerados. Sob temperaturas baixas e estáveis, o fruto respira e transpira menos, o que reduz a perda de água e conserva suas propriedades.

Há, também, menos ação microbiológica, evitando o estabelecimento de doenças. A melhor temperatura para a abóbora tetsukabuto é de 5°C.

 A umidade relativa do ar dentro dessas câmaras frias também deve ser controlada. Quando muito baixas, os vegetais ficam murchos. Quando muito altas, há maturação excessiva, senescência e proliferação de patógenos (fungos e bactérias). Para abóboras, recomenda-se uma umidade relativa do ar entre 90 e 95%.

Por último, mas não menos importante, devemos permitir a livre passagem de ar dentro do ambiente refrigerado, empilhando as abóboras corretamente, em fileiras espaçadas. Nada de tentar preencher cada pedacinho de espaço disponível. Isso atrapalhará o sistema de resfriamento de cumprir o seu papel.

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