31 C
Uberlândia
sexta-feira, julho 12, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioMercadoAgricultura 5.0 rumo a uma viagem para o futuro

Agricultura 5.0 rumo a uma viagem para o futuro

Autor: Antonio Carlos de OliveiraConsultor de negócios – Professor universitário.        

Antonio Carlos de OliveiraConsultor de negócios – Professor universitário.

O Brasil do Século XX assistiu uma intensa movimentação interna da sua população nas migrações rurais a partir da década de 1950. Estudos indicam três grandes movimentos migratórios relacionados ao ambiente rural do país, que ocorreram em meio século de migrações (1950 a 1990). Nesse período um em cada três brasileiros deixou seu local de moradia original e migrou para outras regiões do país.

O nordestino do meio rural encontra as grandes cidade – Esse movimento que envolveu muitas pessoas e ocorreu principalmente entre 1960 e 1980, quando aproximadamente 30 milhões de brasileiros deixaram o seu lugar de origem nas regiões rurais em busca de novas oportunidades, notadamente na cidade de São Paulo e regiões próximas.

“Integrar para não Entregar” – A ocupação e o desenvolvimento da região amazônica na década de 1970 marcou o início de um intenso movimento rumo à Amazônia, motivados pelas oportunidades desta fronteira agrícola e pelas expectativas de mineração de metais preciosos.

Os sulistas descobrem o Cerrado Brasileiro – Em busca de áreas de terra a menor custo, agricultores do Sul do Brasil empreenderam uma grande marcha na década de 1980.  Essa caminhada inicialmente, atingiu o Oeste do Paraná e posteriormente Dourados (Mato Grosso do Sul), partes do Triângulo Mineiro, Sul de Goiás, Sorriso e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Na década de 1990, avançou para o Norte, atingindo o Pará, e para o Leste, tendo como principal foco Luís Eduardo Magalhães (BA).

Mais recentemente estamos assistindo à um movimento migratório que evidencia uma natureza distinta e inédita na história rural brasileira. Neste caso não foi simplesmente um movimento de pessoas, mas sim de capital. Homens e mulheres agricultores migraram com seus recursos financeiros, suas motivações foram, primordialmente, econômicas e financeiras. Os produtores buscam manter ou ampliar as suas taxas de lucratividade e, para isso, movimentam-se no interior do país em busca de novas terras cujo custo de aquisição seja mais baixo e onde possam ampliar os seus negócios.

Análises sobre possíveis mudanças, considerando aspectos relacionados à produção de grãos, à criação de rebanho bovino, aos abates de animais e aos preços de terras, demonstram uma tendência contínua do deslocamento geográfico da produção do Sul e do Sudeste e sua consolidação na região central do país e no nordeste.

Soja – Crédito: Shutterstock

A região de MATOPIBA que compreende terras da confluência dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde há tendência de ampliação de área plantada no Brasil, favorecidas pela mecanização e intensificação da produção, com projeções que indicam uma produção que deverá atingir 26 milhões de toneladas até 2026/2027.

A SEALBA é outra grande promessas e compreende áreas de Sergipe, Alagoas e Bahia. São 5 milhões de hectares nos biomas Mata Atlântica e Caatinga. Produzir nesta região pode ser vantajoso devido a existência de infraestrutura de terminais portuários marítimos nos três Estados.  

Para compreender o Brasil do presente, vamos voltar 50 anos no tempo, a agricultura brasileira era rudimentar em meados do século passado. A soja era uma curiosidade no Brasil, sem expressão para o mercado doméstico, menos ainda para o comércio internacional do país. Prevalecia o trabalho braçal na produção agropecuária. Naquela época, menos de 2% das propriedades rurais contavam com máquinas agrícolas. Homens e mulheres do campo sofriam com escassez de tecnologia e de informação. Ignorava-se quais as combinações de atividades mais lucrativas nas fazendas, e poucas pesquisas eram feitas sobre as doenças tropicais dos rebanhos e lavouras”.

Vamos refletir: … Nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um grande provedor para o mundo. A agricultura se modernizou, mas ainda existem desafios.

Um olhar para o futuro… para muitos destes problemas e desafios já existem soluções. Para outros, serão necessários novos investimentos em pesquisa, políticas públicas terão papel importante em muitos desses casos.

Pensando estrategicamente: … A expectativa é que a população mundial atinja 8,5 bilhões de pessoas em 2030, 16% a mais que em 2016. O Brasil deve atingir a marca de 230 milhões de pessoas nos próximos 12 anos. Com quase 5 bilhões de pessoas, a Ásia terá aproximadamente 58% da população mundial. Estima-se que em 2023 a Índia ultrapasse a China como país mais populoso do mundo.

Até 2030, mais de 90% da população dos países em desenvolvimento, sobretudo na África Subsaariana e na Ásia, terá se urbanizado o que trará implicações importantes em termos de consumo de alimentos, água e energia.

O aumento da renda implica mudanças nos padrões de consumo, o que resulta na expansão da demanda por carne, frutas e vegetais, na redução do consumo de alimentos básicos, na diversificação da cesta de consumo, bem como no aumento da demanda por produtos mais elaborados.

Nas proteínas animais, a aquicultura é considerada emergente, em razão da crescente demanda de consumo nacional e internacional relacionada aos aspectos sociais, econômicos, de saúde e religiosos. O setor deve registrar um crescimento de mais 104% até 2025.

Existem fortes razões para que a ampliação da produção agrícola brasileira ocorra pelo aumento de produtividade e eficiência e não pela ampliação da terra utilizada para as atividades rurais. Cresce a consciência e a cobrança por sistemas de produção sustentáveis, que são aqueles que consideram, com mesmo nível de atenção, aspectos econômicos, sociais e ambientais.

É a Agricultura 5.0 rumo a uma viagem para o futuro!

ARTIGOS RELACIONADOS

Exportações do agronegócio batem recorde em dezembro e no ano de 2021

As exportações do agronegócio alcançaram valores recordes para o mês de dezembro ...

FMC apresenta novidades durante o ShowRural 2022

Com a campanha FMC TEM, a empresa vai realizar interações digitais para mostrar aos agricultores que a companhia têm soluções sustentáveis e de alta performance produtiva do plantio até a colheita

Quais os impactos da degradação ambiental no Brasil?

Marco Moraes, pesquisador especialista em mudanças climáticas, explica como as ações humanas transformaram a Terra em um lugar imprevisível e perigoso.

Ceplac: 65 anos de pesquisa e tecnologia para o cacau brasileiro

Há três anos, em uma área inicial de cultivo de bananas em Barreiras, na Bahia, o produtor Moisés ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!