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Alface hidropônica: vantagens do inseticida biológico

O controle biológico é uma realidade na agricultura moderna e, gradativamente, vem se tornando uma opção economicamente viável para os produtores hidropônicos.

Créditos Shutterstock

Guilherme José Ceccherini
Engenheiro agrônomo e mestre em Produção Vegetal e Bioprocessos Associados – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
ceccherini93@gmail.com

Para o controle biológico ser efetivo, é necessário realizar frequentemente o monitoramento da incidência de pragas. Isso porque os produtos biológicos são recomendados preventivamente, uma vez que a finalidade é manter a praga abaixo do nível de dano econômico e não eliminar 100% sua presença.

Assim, de forma curativa eles podem não combater 100% as pragas nas culturas hidropônicas. Por isso, o “tratamento químico” ainda se faz necessário quando o nível de dano econômico é elevado, na intenção de reduzir a população.

Vantagens

Como vantagens do controle biológico, temos o menor impacto ambiental, menor quantidade residual na hidroponia, menor chance de contaminação do aplicador e não resistência de pragas.

Dito isso, investir na tecnologia e oferecer um alimento mais seguro ao consumidor é a melhor forma de agregar valor ao alimento, visto que o consumidor está cada vez mais atento e exigente, além de permitir ao produtor se manter dentro da rastreabilidade.

O que muda?

Como os produtos químicos e biológicos atuam de formas diferentes nas pragas, o cuidado no modo de aplicação também é diferente. De forma geral, os inseticidas químicos apresentam resultados mais rápidos, já que atuam rompendo o sistema nervoso da praga, que mesmo sendo temporário, pode causar danos.

Por outro lado, os biológicos apresentam resultados mais prolongados, pois o uso de organismos vivos para suprimir a população de uma praga a tornam menos abundante e menos danosa à cultura hidropônica.

Entre os principais mecanismos de ação dos agentes biológicos estão a antibiose, o parasitismo e a predação.

Classificação

Os agentes de controle biológico podem ser divididos em macro e microrganismos. O primeiro grupo corresponde aos insetos e ácaros. Já os micro são compostos por fungos, vírus, bactérias, nematoides, etc.

Todos demandam tecnologia para sua produção com qualidade e em larga escala. No caso dos microorganismos, o maior gargalo é a formulação, enquanto para os macrorganismos é a automação da produção dos agentes de controle, pois de 70 a 80% do custo de produção destes agentes de controle se deve à mão de obra.

O agricultor tem dado preferência aos microrganismos, pois, na prática, são mais parecidos aos químicos quanto à aplicação e têm um “tempo de prateleira” (shelf-life). Isto não ocorre para macrorganismos, pois se não liberados rapidamente, os agentes biológicos morrem em pouco tempo.

Desafios

No Brasil, a agricultura feita em grandes áreas e com diferentes plantios sucessivos não facilita o controle biológico, fazendo com que as pragas aumentem sua população sem precisar migrar para outras culturas.

Como o Brasil é líder em agricultura tropical, desenvolver um modelo de controle biológico adequado às condições tropicais ainda é um desafio, devido a grande parte das estratégias de controle terem sido desenvolvidas para cultivos protegidos na Europa.

Outro fator desafiador é a falta de capacitação dos agentes comerciais para recomendação de uso dos biológicos que, muitas vezes, com a ação lenta dos microrganismos, acabam gerando desconfiança por parte de agricultores quanto à sua eficácia.

Por fim, a demanda crescente no Brasil e a lentidão dos processos de registro de produtos biológicos acabam favorecendo a oferta de produtos não registrados, de baixa eficiência e qualidade duvidosa, gerando descrédito para o setor.

Fique de olho

O primeiro passo importante para o monitoramento efetivo de pragas é a necessidade de o produtor hidropônico conhecer a época ou período da ocorrência dos ciclos de pragas no qual seu ambiente protegido está suscetível.

Essas informações podem ser mapeadas em pelo menos três anos de cultivo, para gerar experiência ao produtor.

Na intenção de encontrar qualquer anormalidade, o produtor pode adotar um sistema de amostragem para inspeção da cultura a cada dois dias, para que a infestação seja identificada como, por exemplo, ovos, larvas ou qualquer sintoma nas plantas, para que as medidas de controle sejam tomadas o quanto antes.

Por isso, devem ser utilizadas armadilhas atrativas para realizar o monitoramento com maior precisão.

Créditos Shutterstock

Conjunto de medidas

A integração de técnicas de controle é primordial no manejo de pragas, pois não existe uma única metodologia que resolva todos os problemas do campo. Essa integração entre químicos e biológicos tem desempenhado uma excelente opção para o manejo de diversas enfermidades encontradas nos cultivos agrícolas.

A incorporação do método biológico como peça de um manejo integrado de pragas reduz os riscos ambientais e públicos sobre o uso de produtos químicos, podendo representar uma alternativa menos onerosa ao uso de alguns inseticidas e, ainda, evitar danos econômicos a produtos agrícolas por fitotoxidez.

A maioria dos inseticidas químicos possui um amplo espectro de atuação e atuam de modo não específico em outros seres vivos ecologicamente importantes e úteis. Um exemplo seriam os inimigos naturais específicos para certos tipos de pragas e que não causam danos a outros seres vivos benéficos ou humanos, ocasionando menor risco de impacto sobre o ambiente e qualidade da água.

Com o aumento da população mundial e maior demanda por alimentos, um fator de extrema relevância mundial é a escassez de água, o que representa um fator limitante à agricultura.

Com isso, novos produtos biológicos têm demonstrado capacidade de ampliar a eficiência das plantas de absorverem água, assim como o crescimento radicular, pela sua ação sobre o ponto de murcha das culturas.

Essas mesmas novas tecnologias aumentam a eficiência do uso da água, fazendo com que o agricultor produza com os mesmos recursos.

Cuidados

Um fator importante e que deve ser levado em consideração é que o produto biológico não é igual ao produto químico. Desta maneira, os primeiros devem ser utilizados de maneira diferente. O produtor ainda precisa ter conhecimento da concentração da formulação do biológico para que aplique a dose certa para controle da praga-alvo.

Porém, como a mentalidade dos agricultores está historicamente acostumada ao uso de produtos químicos, isso pode causar um certo empecilho na mudança para o uso da tecnologia de controle biológico. Por isso, é necessário consultar os agrônomos e revendas parceiras para maiores detalhes do seu uso e acompanhamento de aplicação.

Outro ponto de atenção é que, devido ao crescimento do mercado de biológicos no Brasil e da variedade de microrganismos com potencial de utilização no controle biológico, é importante o produtor ter cuidado e enviar os produtos que serão utilizados para análise em laboratórios qualificados.

Esta análise deve anteceder a aplicação, na intenção de evitar gastos desnecessários com produtos de baixa qualidade e garantir os resultados esperados.

Hora de aplicar

No momento da aplicação, o produtor precisa observar a dose indicada pelo fabricante, pois se o mesmo utilizar uma dose inferior da recomendada na intenção de economizar o produto biológico, não funcionará corretamente.

Além disso, quando for preparar a calda, o mesmo deve levar em consideração a concentração e compatibilidade entre ativos químicos e biológicos.

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Já em relação ao momento da aplicação, as condições climáticas e o horário de pulverização são fundamentais para o sucesso. Assim como os produtos químicos, o produtor deve evitar altas temperaturas, baixa umidade relativa e altas condições de vento para reduzir perdas e garantir a eficácia dos biológicos.

Preferencialmente, o produtor deve fazer as aplicações biológicas no final da tarde, durante a noite ou ao amanhecer. Os insumos biológicos devem, ainda, ser armazenados em locais frescos, secos e sem luz, para uma melhor conservação.

Pesquisas

Se houver ampliação dos investimentos em pesquisa no Brasil, o país terá oportunidade de se destacar, graças à sua enorme biodiversidade biológica, sendo essa a fonte de recursos para os produtos biológicos, contribuindo para uma nova onda tecnológica na agricultura, comprometida em torná-la mais rentável, sustentável e competitiva.

A pesquisa e inovação também são importantes na produção de produtos biológicos, pois possibilitam compreender a biologia e química dos agentes naturais, na intenção de maximizar a eficiência e estabilidade no campo.

Para um melhor desempenho da tecnologia biológica em consórcio com outros métodos de manejo já consolidados a realização de pesquisas de compatibilidade é muito importante. Além disso, tem papel fundamental na prospecção, identificação e caracterização dos microrganismos com potencial para atuar como controladores.

Por isso, instituições de pesquisa devem trabalhar em parceria com empresas do setor privado, na intenção de realizarem estudos mais focados em problemas práticos atuais, permitindo resultados que possam ser rapidamente aplicados pelo mercado agrícola, em vez de ficarem acumulando poeira “nas estantes da biblioteca”.

Para o controle biológico ser efetivo, é necessário realizar frequentemente o monitoramento da incidência de pragas”.

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