22.8 C
Uberlândia
quarta-feira, julho 17, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosAlga verde no controle da antracnose do feijoeiro

Alga verde no controle da antracnose do feijoeiro

Felipe Augusto Moretti Ferreira Pinto

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e pesquisador da Epagri/ Estação Experimental de São Joaquim

felipemoretti113@hotmail.com

BRS Ametista
BRS Ametista

O feijão (Phaseolusvulgaris L.) é um dos alimentos mais consumidos pelo brasileiro, e por isso tem grande importância econômica e social, pois gera milhares de empregos direta e indiretamente em diversos níveis.

O cultivo dessa leguminosa é bastante difundido em todo o território nacional por apresentar alta adaptabilidade a condições climáticas, porém, um grande desafio é o aumento da produtividade. Dentre os principais fatores da baixa produtividade do feijoeiro, encontram-se as doenças.

A antracnose

A antracnose está amplamente distribuída no Brasil, especialmente nas regiões sul e sudeste e em áreas serranas como as da região sul de Minas Gerais. Ocorre com maior intensidade também no Paraná e no Rio Grande do Sul. No mundo há relatos de problemas com essa doença no México, Colômbia e Venezuela. No Sul de Minas, as ocorrências frequentes de temperaturas moderadas, aliadas à alta umidade, favorecem o desenvolvimento da doença.

O fungo Colletotrichumlindemunthianum ataca a parte aérea da planta, sendo nessa região observados os sintomas da antracnose. Os sintomas típicos são encontrados nas vagens, ocorrendo lesões circulares, com coloração marrom a escura e, dependendo do estágio da infecção, apresentam depressões no centro dessas lesões e uma massa de esporos de cor rosada.

Controle

Para controle da antracnose, os métodos mais utilizados são baseados em cultivares resistentes e pulverizações de fungicidas. Entretanto, existe a demanda crescente dos consumidores por alimentos livres de agrotóxicos aliada ao aumento nos custos da produção, contaminação do ambiente e a seleção de patógenos resistentes, fatores que favorecem a utilização de métodos alternativos para o controle de doenças.

A utilização de extratos de algas marinhas surge como alternativa menos agressiva ao homem, ao ambiente e com menor custo para o produtor.

Antracnose em feijão - CréditoGiovani BeluttiVoltolini
Antracnose em feijão – CréditoGiovani BeluttiVoltolini

As algas

As macroalgas marinhas são consideradas fontes promissoras de compostos bioativos que possuem diferentes propriedades biológicas, funcionando como antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, anti-helmínticas, antileishmaniose, antimalária, antioxidantes, antitumorais, etc.

A Ulva fasciata é uma alga verde, popularmente conhecida como alface do mar, que possui ampla distribuição no litoral catarinense e paranaense. Foi estudada por um grupo de pesquisadores liderado por MarcielStadnik, professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Estes concluíram que metabólitos provenientes desta alga, chamada de ulvana, possuem capacidade de exercer controle em variados patossistemas, especialmente contra antracnose do feijoeiro.

A ulvana é um heteropolissacarídeo sulfatado solúvel em água, extraído das paredes celulares de algas marinhas do gênero Ulva, representando de 08 a 29% do peso seco da alga. Este polissacarídeo é composto por ramnose, xilose, glicose, manose, galactose e ácidos urônicos.

Em condições de casa-de-vegetação, verificou-se que a aplicação foliar preventiva de ulvana, em feijão, é capaz de reduzir a severidade da antracnose em 40%.  O mecanismo de ação da ulvana para controle da antracnose provavelmente é por meio de indução da resistência do feijoeiro, já que em testes in vitro, a ulvana não inibiu o crescimento micelial e a germinação de conídios de C. lindemunthianum.

Por se tratar de indução de resistência, devem ser feitas aplicações de forma preventiva com intervalo de sete a dez dias entre cada aplicação. A ulvana deve ser aplicada em concentração de 10 mg/ml. Em estudos realizados constatou-se que duas aplicações de ulvana são mais eficientes do que uma aplicação e que o efeito de duas aplicações do polissacarídeo persistiu por pelo menos nove dias após o último tratamento.

Custo-benefício

A relação custo-benefício no uso de Ulva fasciata visando o controle de doenças é boa, pois se trata de um organismo abundante em determinados lugares do Brasil, assim não possui alto custo, porém, o agricultor deve fazer o uso associado a outras ferramentas do manejo. Além disso, ainda são necessários mais estudos para viabilizar e formular um produto a partir da Ulva.

 

Essa matéria você encontra na edição de janeiro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Algas – Mais estímulo ao pegamento de frutos no pimentão

As algas geram um faturamento a nível mundial de, aproximadamente, US$ 6 bilhões anualmente, e são utilizadas comercialmente desde da década de 50. Possuem várias aplicações nas seguintes áreas: medicinal, indústria de alimentos e, mais recentemente, na alimentação animal e na agricultura.

As perdas de alimentos e o Brasil 

Jornal “Folha de São Paulo“, Caderno Mercado, 27/05/2017   Marcos Sawaya Jank (*) Altivo A. Almeida Cunha (**)   Um terço do que é desperdiçado no mundo já seria...

A oportunidade para produtores de grãos em um mercado diferenciado

A era da informação traz como consequência o aumento do interesse dos consumidores pela qualidade e pela origem dos alimentos. Com isso, valores como a rastreabilidade, composição nutricional e sistemas de produção diferenciados passam a ser cada vez mais importantes para o consumidor final.

Algas aumentam o tempo de pós-colheita das hortaliças

Nilva Teresinha Teixeira Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!