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Análise de folha e a importância para a adubação florestal

Créditos Shutterstock

Isabô Melina Pascoaloto
Doutora e professora – Universidade de Maringá (UNIMAR)
isabomelina@gmail.com

O sucesso de uma floresta comercial está diretamente relacionado com a aplicação correta de fertilizantes e corretivos. Para que as plantas cresçam de forma uniforme e em uma taxa constante, cada nutriente necessário para o crescimento vegetal deve estar disponível no solo na época correta para absorção pelas raízes.

A disponibilidade dos nutrientes é influenciada não só pelos fertilizantes aplicados, mas também pelo teor de água do solo, textura, pH, atividade microbiana e teor de matéria orgânica.

Por esse motivo, a recomendação de adubação deve ser específica para cada área, levando em consideração a espécie cultivada, a análise química e granulométrica do solo e a análise de folhas.

Importância da análise de folhas

A amostragem de folhas é uma ferramenta que vem auxiliar o produtor no manejo correto da adubação em espécies florestais. Enquanto a análise de solo indica o potencial de fornecimento dos nutrientes para as plantas, a análise foliar indica o suprimento real que está sendo absorvido pela planta.

Esta análise consiste na coleta de folhas da espécie cultivada para determinação dos teores dos nutrientes presentes nas folhas. Na análise serão apresentados os teores de macro e micronutrientes nas folhas.

Esses valores serão, então, comparados com valores ideais para aquela espécie, e assim será possível identificar possíveis deficiências nutricionais ou toxidez.

Uma vantagem importante da análise foliar é que nela é possível identificar deficiências nutricionais antes mesmo do aparecimento dos sintomas visuais na planta. Dessa forma, o produtor pode fornecer o nutriente deficiente de forma rápida, evitando reduções na produtividade e no crescimento da planta.

Como realizar a amostragem de folhas

A amostragem de folha deve ser realizada quando as plantas se encontram em pleno crescimento, entre a segunda metade da primavera e o verão, quando não há falta de chuvas. O ideal é que a coleta seja realizada nas épocas mais frescas do dia, evitando o estresse térmico.

As folhas selecionadas para coleta devem apresentar aspecto normal, sem ataque de pragas e doenças, evitando-se árvores de bordadura. As folhas a serem coletadas devem estar situadas no terço médio da copa da árvore, em local sem sombreamento, e são aquelas que se encontram entre a terceira e a quinta inserção contadas a partir da ponta do galho.

Deve-se amostrar pelo menos 20 plantas em cada talhão da propriedade, sendo coletadas quatro folhas por talhão, sempre uma em cada ponto cardeal.

É importante ressaltar que a separação da propriedade em talhões ou glebas deve ser realizada de acordo com as características do terreno e do solo e manejo da cultura, e não por questões logísticas. Os talhões para amostragem de folha podem ser os mesmos delimitados para amostragem de solo e nunca devem superar 50 hectares em tamanho.

O ideal é que a amostragem de folha seja realizada um mês após as adubações de cobertura. Dessa forma, é possível avaliar se a estratégia de adubação adotada foi efetiva para atingir os níveis ideais de nutrientes nas folhas.

O caso do eucalipto

Para o eucalipto, recomenda-se fazer a análise foliar entre seis e doze meses após o plantio, quando as plantas estão aumentando a área de suas folhas.

Após a coleta, as folhas não devem ser lavadas, para evitar lixiviação de nutrientes, principalmente potássio. O recomendado é que sejam secas com papel toalha, caso estejam úmidas, e encaminhadas diretamente ao laboratório responsável pela análise.

Os resultados podem então ser comparados com os teores ideais para aquela espécie, que podem ser encontrados em boletins da Embrapa. No caso do eucalipto, os valores ideais podem ser encontrados no Boletim 100, manual de recomendação de adubação e calagem para o Estado de São Paulo, publicado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Nutrientes x produtividade

Antigamente, tinha-se a ideia de que o eucalipto era uma cultura pouco exigente em nutrientes. Entretanto, hoje em dia sabe-se que a adubação correta nessa espécie resulta em ganhos de produtividade e em maior homogeneidade da lavoura. Destaca-se a alta resposta do eucalipto à aplicação de nitrogênio, fósforo e potássio.

O nitrogênio (N) é constituinte da molécula de clorofila, que dá coloração verde às folhas, e das proteínas, que formam as células da planta. Sua deficiência reduz a taxa fotossintética da planta e, consequentemente, seu crescimento em altura e em diâmetro.

Florestas com deficiência de nitrogênio demoram a fechar a entrelinha, aumentando o tempo de competição da planta de eucalipto com plantas daninhas da área.

O fósforo (P) faz parte da molécula energética da planta e atua como se fosse o combustível da célula. Além disso, o fósforo está relacionado diretamente com o crescimento radicular no eucalipto.

Sua deficiência pode resultar em plantas com sistema radicular menor e mais suscetíveis a estresses hídricos, principalmente no início da formação da floresta.

Potássio é ativador enzimático

O potássio (K) é ativador enzimático e regulador do potencial osmótico das células, atuando como indutor da abertura e fechamento dos estômatos. A níveis práticos, isso significa que a deficiência de potássio pode resultar em maiores perdas de água pela planta, o que pode ser um problema em épocas de déficit hídrico.

Por esse motivo, a adubação com NPK é importantíssima para garantir o crescimento do eucalipto no primeiro ano após o plantio. Durante os primeiros 12 meses, a planta estará sujeita tanto à ocorrência de chuvas quanto a épocas de seca.

É necessário que tenha um sistema radicular vigoroso e uma rápida resposta às alterações nos teores de água do solo, para garantir menores danos devido ao estresse hídrico.

Com relação aos micronutrientes, destaca-se a importância do boro (B) para a cultura. As pesquisas científicas identificaram que ele participa da atividade de uma parte da planta de eucalipto responsável pela proteção contra injúrias, conhecida como felogênio.

O suprimento correto desse nutriente deixa a planta menos suscetível ao ataque de pragas e doenças e, por esse motivo, aumenta seu crescimento e produtividade.

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