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Armazenagem visando maior vida útil

Maria Idaline Pessoa Cavalcanti Engenheira agrônoma e doutoranda em Ciência do Solo – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)idalinepessoa@hotmail.com

Anne Carolline Maia LinharesLicenciada em Ciência Agrárias e doutoranda em Ciência do Solo – UFPBanemaia-16@hotmail.com

Cebola – Crédito Ana Maria Diniz

A cebola, como a maioria dos produtos agrícolas sazonais, tem grande variação de preços. Normalmente, os menores preços de mercado coincidem com o período da safra e os maiores com a entressafra. Isso faz com que a armazenagem seja uma alternativa em busca das melhores remunerações.

Entre os problemas enfrentados pelos produtores estão as perdas no período da armazenagem da cebola, estimadas em aproximadamente 30% durante a fase de pós-colheita, que por muitas vezes inviabiliza a própria armazenagem (Marconatto, 2017).

Resistência

 Os bulbos das cebolas resistem razoavelmente a armazenagem até aproximadamente 180 dias, mas dependendo das condições de armazenagem e qualidade dos bulbos, estão sujeitos a perdas que por vezes podem inviabilizar a prática.

A vida útil da cebola depende principalmente da cultivar. As cebolas com maior pungência podem ser armazenadas por até seis meses, enquanto as cebolas “doces” com menor pungência toleram até três meses em ambiente natural.

Por outro lado, em ambiente com temperatura, umidade relativa (UR) e composição gasosa controlada, este tempo pode aumentar para períodos de nove e seis meses, respectivamente, para os dois tipos de cebola, sem grandes perdas na quantidade ou danos à qualidade dos bulbos (Marconatto, 2017).

Danos

Um dos tipos de armazenamento mais utilizado na cultura da cebola é a temperatura ambiente, que apesar de ser de baixo custo, especialmente nas pequenas empresas, na armazenagem doméstica ou em países do terceiro mundo, onde não há instalações adequadas, não é indicado para uma grande quantidade visando um grande mercado, uma vez que há grandes perdas, tanto em quantidade (perda de peso fresco, brotação, roteamento) quanto qualidade (diminuição da matéria seca, do açúcar e da vitamina C) (Tarpaga,2011).

Cebolas conservadas em depósitos, em condição ambiente, apodrecem facilmente, dependendo do grau de higienização e da cultivar (Varela et al, 1980). Seu armazenamento por períodos relativamente longos exige o uso de ambientes devidamente controlados, para evitar degradações indesejáveis.

Recomendações

Um correto manuseio e a escolha de um método de armazenagem adequado para cada cultivar são vitais para garantir que o produto mantenha sua qualidade até atingir o consumidor.

Os danos e perdas na pós-colheita normalmente são consequência das condições de armazenamento, entre elas a temperatura, umidade, luminosidade, ventilação e composição gasosa, que podem comprometer a conservação dos bulbos induzindo a processos metabólicos que modificam a sua composição química, facilitando a ocorrência de danos microbiológicos (podridão), perda de peso (desidratação), flacidez (falta de turgescência), brotação e enraizamento (Marconatto, 2017).

A brotação do bulbo torna a cebola sem valor comercial, limitando a capacidade de armazenamento e induzindo ao apodrecimento do bulbo brotado e os que estão próximos a ele. Para evitar tal prejuízo, algumas técnicas podem ser utilizadas, como o uso do antibrotante regulador de crescimento.

Estudos

Campos et al. (2010) observaram que o uso do antibrotante regulador de crescimento contendo 180 gl-1 equivalente a 245 gl-1 de Sal potássico de hidrazida maleica (K-MH) na dosagem de 12 L ha-1, na cultura da cebola cv. Petroline, com 15 e 30% das plantas tombadas leva a maiores teores de ácido pirúvico, acidez titulável, sólidos totais e mostra os melhores resultados na inibição da brotação.

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Com aplicações de antibrotante, com 15% de tombamento, observou-se a menor perda de peso em bulbos armazenados por cinco meses. Também houve melhoria aparente do aroma da cebola, determinada pela medição do teor do ácido pirúvico, em bulbos provenientes de lavouras tratadas com antibrotante, quando 15 e 30% das plantas estavam tombadas.

Em trabalho que avaliou os efeitos da armazenagem na cv. Crioula em três experimentos distintos, em diferentes temperaturas, níveis de UR e Atmosfera Controlada (AC), por um período de seis meses e após expostos por 15 dias às condições ambientais com temperatura de 20ºC, Brackmann (2010) observou que a AC com baixo teor de oxigênio proporcionou maior número de bulbos comerciáveis após seis meses em AC e 15 dias de exposição a 20 ºC.

Verificou-se, ainda, que na temperatura de 0,5ºC também não ocorreu brotação dos bulbos que apresentaram baixo índice respiratório e não houve podridão nos bulbos. A AC complementa o armazenamento refrigerado, prolongando a vida de prateleira da cebola, além de, com 1 k Pa de O2 ou menos, retardar a brotação em temperatura ambiente após a saída da câmara.

Miguel e Durigan (2007) estudaram a evolução da qualidade durante a armazenagem de cebolas cv. Superex, tipo comercial (Grupo Amarela, Subgrupo Globular e Classe 2345). Os bulbos foram colhidos e curados à sombra por cinco dias. Após destalados e padronizados quanto ao tamanho, foram acondicionados em sacos de rede de plástico (20 kg) e armazenados sob refrigeração a 10 – 12ºC e 68% de UR por períodos de 1, 16, 31, 61 ou 91 dias.

Ao final de cada período, amostras de 20 kg eram obtidas ao acaso no ambiente refrigerado e levadas à condição ambiente com 22ºC ± 1ºC; 59% de UR, por até 39 dias, avaliados a cada quatro dias quanto à massa fresca, intensidade de perda da massa fresca, entre outras características físico-químicas.

O período inicial sob refrigeração até o 31º dia influenciou na qualidade dos bulbos no armazenamento ao ambiente. Quanto maior este período, maior a taxa de perda de massa. Quando após a refrigeração for submetido à condição ambiente, permite sua conservação por até 61 dias, sem que os bulbos apresentem variações significativas nas suas características originais, mas com mudança significativa no aumento da pungência.

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