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quinta-feira, junho 13, 2024
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Batata-doce: Consumo em alta

Autores

Rafael Rosa RochaEngenheiro agrônomo e mestrando em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)rafaelrochaagro@outlook.com

Tiago Yukio InoueEngenheiro agrônomo e mestrando em Genética e Melhoramento de Plantas – Universidade Federal de Lavras (UFLA)tiagoyukio2014@live.com.pt

Fernanda Lourenço DippleZootecnista, engenheira agrônoma, mestra em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola e professora – UNEMATfernanda.dipple@gmail.com

Batata-doce – Foto: Shutterstock

A batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Lam) é uma hortaliça que está em sublime alta, principalmente pelo público fitness e atletas por motivos de seus diversos benefícios à saúde, tanto por suas características nutritivas e funcionais.

Já para os produtores, suas aptidões geram nichos de potencial de mercado diversos, podendo ser utilizada na alimentação animal (raízes e parte aérea), na produção de álcool (raízes), matéria-prima para fármacos e produtos alimentícios com alto potencial nutritivo (composição das folhas de cultivares melhoradas), proporcionando oportunidades e flexibilidade para maior lucratividade para os produtores.

Produção mundial e nacional

A produção mundial de batata-doce em 2018, segundo a FAO, foi de quase 92 milhões de toneladas, cultivadas em uma área de 8,06 milhões de hectares, apresentando uma produtividade média de 11,40 t/ha-1.

Os países em desenvolvimento são os maiores produtores, tendo o continente Asiático e Africano como principais continentes produtores. A China é o principal produtor mundial, com quase 76% da produção mundial e produtividade média de 21,3 t/ha-1.

No Brasil, atualmente, está entre as quatro hortaliças mais consumida e vem ganhando espaço na alimentação dos brasileiros. Os dados mais atualizados pelo IBGE informam que em 2018 foram produzidas 741.203 toneladas, em 53.024 hectares, o que proporcionou uma produtividade de 13,99 t/ha-1.

No Brasil, as principais regiões produtoras são Nordeste, Sul e seguido do Sudeste, tendo em média 43,61%, 30,79% e 23,18%, respectivamente, de toda produção do País em 2018. O Rio Grande do Sul é o maior produtor, com 12.779 hectares destinados a essa atividade, com rendimento de 175.060 toneladas.

Esse interesse crescente pela batata-doce no mundo e no Brasil reflete no crescimento da área plantada, na demanda e utilização de tecnologias para o aumento de produtividade, porém, quando se trata de valor gasto com a produção, deseja-se reduzir custos e aumentar a lucratividade.

Versatilidade

Este desenvolvimento produtivo posicionou a batata-doce como o sétimo alimento básico e safra alimentícia mais importante do mundo. Isso também é graças a suas riquezas, pois a mesma possui fitonutrientes únicos, como batatinas, batatosídeos e proteínas de armazenamento chamadas esporaminas, que possuem propriedades antioxidantes exclusivas e potencialmente benéficas à saúde.

E pode ser consumida de diversas formas, como cozida, assada ou em forma de ‘chips’. Na indústria, é usada como matéria-prima para fabricação de doces, amido de alta qualidade e, além disso, a batata-doce também é utilizada como fonte de energia.

Batata-doce – Foto: Shutterstock

Com relação à produção de biocombustível, destaca-se a importância da batata-doce frente à cultura da cana-de-açúcar, que produz 80 litros de etanol por tonelada, enquanto a batata-doce produz 158 litros por tonelada; ressaltando o uso de genótipos adaptados e melhorados para essa aptidão, como a BRS Fepagro Viola, que produz de 60 a 80 toneladas de raízes por hectare.

Estudos realizados com cultivares melhoradas para a produção de etanol mostram que as folhas apresentam compostos como o ácido elágico de alto interesse farmacológico, podendo gerar uma renda extra para produção de biocombustíveis à base de I. batatas, em que as raízes tuberosas seriam destinadas para a produção de etanol e a parte aérea para extração de substâncias farmacológicas.

Tem também o benefício de poder ser aproveitada na alimentação animal in natura, ou até resíduo de processamento e as ramas (parte aérea) no preparo de silagem ou feno. Contudo, a composição química da batata-doce pode variar com a cultivar, condições de clima e solo, manejo cultural, época de colheita e armazenamento na pós-colheita.

As biofortificadas e as ricas em antocianinas

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A batata-doce tem uma grande diversidade de cultivares – no Brasil há 29 cultivares registradas pelo Ministério da Agricultura, que apresentam diferenças entre a coloração da casca, variando entre roxa, rosa, branca, amarela e creme, bem como as variações da polpa, podendo ser branca, creme, amarelo-clara, salmão ou roxa, e formatos das raízes tuberosas variando entre alongadas ou arredondadas.

A escolha da cultivar para produção está atrelada às condições edafoclimáticas, adubação, finalidade da produção e preferência do consumidor quanto à região de comercialização.

Atualmente, existe um novo método de produção de cultivares de batata-doce visando um alimento mais nutritivo e que apresenta mais benefícios para a saúde do consumidor, conhecidas como biofortificadas. Elas apresentam níveis maiores de betacaroteno (combate os radicais livres e ajudam na prevenção de alguns tipos de câncer).

Um exemplo de cultivar biofortificada é a Beauregard, apresentando 115 microgramas de betacaroteno por grama de raiz fresca, enquanto uma cultivar convencional de polpa branca apresenta 10 microgramas. Outro aspecto ultra nutritivo são cultivares com altos teores de antocianinas, que são pigmentos que conferem as cores vermelha, roxa e azul em frutas e hortaliças.

Esses pigmentos são compostos fenólicos, conhecidos como flavonoides, fitoquímicos bioativos com ação antioxidante, que atuam positivamente na saúde humana, na prevenção de doenças crônicas. Na batata-doce de polpa roxa, isso se torna um diferencial para a produção, pois permite mais facilmente o acesso a esses compostos bioativos, tornando esse produto ainda mais interessante para ser utilizado na gastronomia e de diferentes formas pela indústria. 

Rentabilidade

A rentabilidade da batata-doce tem sido positiva. A demanda é o fator que mais chama a atenção, visto que houve aumento significativo nos últimos anos, principalmente devido aos grandes benefícios e características nutricionais da raiz tuberosa, tornando a produção dessa hortaliça um prato cheio para os agricultores, pois apresenta ampla adaptação, fácil e baixa exigência de manejo, alta tolerância à seca, baixa incidência de pragas e doenças, baixo requerimento de adubação e alta eficiência fotossintética. Por esse motivo, cada vez mais a produção da batata-doce e seus derivados tende a crescer. 

Custo produtivo

Embora o investimento de implantação seja maior para os produtores iniciantes, é difícil falar em valor médio de investimento, visto que cada produtor tem um nível tecnológico e custos fixos diferentes (ex. aluguel da terra, mão de obra, etc.), tendo que enfrentar diferentes necessidades de investimento de acordo com a realidade da propriedade.

Mas, uma coisa deve ser levada em consideração: os custos com insumos e mão de obra são os que mais pesam no custo total de produção. Assim, controlar os gastos com a implantação do sistema de cultivo, aquisição de mudas, insumos e focar na produtividade possibilita um retorno financeiro garantido, pois a demanda por este produto é constante, então, a venda e a rentabilidade também, com diversas aptidões mercadológicas.

Mas, o produtor deve entender a importância de um bom planejamento de produção, buscar informações e auxílio técnico para gestão da lavoura e dos custos de produção e investimentos, além dos gastos operacionais para maior receita e lucratividade. Assim ele saberá o valor mínimo de venda e terá seu preço e produção de equilíbrio.

Como exemplo, a aquisição de batata-doce para consumo varia de região para região, com preço médio de venda que varia de R$ 1,50 a 3,50 o kg, gerando uma renda bruta de aproximadamente R$ 1.500,00 a 3.500,00 com 1,0 tonelada de produção.

Retorno garantido

Entre as hortaliças, a batata-doce apresenta uma boa alternativa de renda, por possuir um baixo custo, comparado às outras culturas olerícolas. Inicialmente os maiores investimentos são relacionados ao preparo do solo, correção da fertilidade do solo e aquisição de mudas de alta sanidade.

Essas mudas de batata-doce podem ser adquiridas de viveiristas com referência, que comercializam material livre de vírus e de ótima qualidade, ou de laboratórios de institutos de pesquisa que realizam micropropagação da planta.

O preço de cada exemplar no mercado oscila entre R$ 2,50 e R$ 5,00. Então para quem está iniciando, pode-se fazer aquisição de mudas, e após produzir suas próprias mudas.

A propagação da batata-doce pode ser feita por meio de mudas, estacas, sementes, enraizamento de folhas ou cultura de tecidos, porém, o uso de ramas é considerado a técnica economicamente mais recomendada para propagar.

Recomenda-se retirar um ou dois pedaços por haste a partir da extremidade de lavouras sadias com até 90 dias de plantio. Para a implantação de uma lavoura comercial, o produtor ainda pode obter novas plantas das batatas-doces retirando ramas-semente ou estacas de uma cultura em desenvolvimento. Nesse caso, armazene as raízes tuberosas ou batata-doce em local ventilado e fresco por alguns dias antes da multiplicação. 

O retorno inicial vai depender de alguns aspectos, como potencial genético da cultivar utilizada, do adotado e a finalidade do produto, mas em média observa-se uma alta taxa de retorno em torno de 89% do capital investido em poucos ciclos produtivos por ano, em 1,0 ha.

Desta forma, seu retorno econômico será definido após a segunda colheita, que pode ser realizada de 100 a 180 dias após o plantio, dependendo de fatores genéticos e ambientais, sendo eles: a cultivar escolhida, época de plantio e condições edafoclimáticas.

A batata-doce não possui um ponto específico de colheita, visto que este é definido pelo tamanho ou massa das raízes, que devem ter aproximadamente 300 gramas, podendo-se proceder à antecipação ou retardamento da colheita. Dessa forma, a colheita geralmente pode ser realizada depois de 100 a 120 dias no verão e de 120 a 160 dias no inverno.

Operações manuais e mecânicas

A maior demanda econômica vai depender dos aspectos do tamanho da área, do produtor e tipos de maquinários utilizados, pois os insumos/plantio/irrigação representam, para esta cultura, a maior parte do desembolso efetivo (+60%).  Este custo é seguido pela mão de obra (+20%) utilizada no plantio, colheitas e nas classificações.

Em grandes áreas de plantio, a maior demanda é na colheita e classificação, pois necessita de muita mão de obra, devido a esse processo ser executado de forma totalmente manual, mesmo quando algumas etapas são mecanizadas.

Quando executada manualmente, os operários escavam lateralmente as leiras a uma certa distância da base da planta para evitar corte e ferimentos nas raízes. Ao revolver a leira, as raízes são expostas, colhidas e posteriormente lavadas.

A mecanização simples consiste em revolver a leira para expor as raízes. Para isso, podem ser utilizados diversos equipamentos que executam a remoção do solo ao lado das leiras ou abaixo delas. Geralmente são equipamentos semelhantes aos arados, modificados para facilitar a separação do solo, possuindo à frente um disco vertical para cortar as ramas. Outra opção consiste em passar uma lâmina abaixo da zona de crescimento das raízes ou utilizar a colhedora de batata.

Basicamente, os erros mais comuns cometidos pelos produtores são a falta de conhecimento do manejo adequado e o uso inadequado de produtos que acarretam danos à produção. Em geral, a cultura necessita de adubação apropriada, irrigação de acordo com as necessidades fisiológicas e época de plantio correta para cada região, e se realizadas de forma errônea podem acarretar em baixas produtividades.

A falta de análise do solo, interpretação e recomendação correta para este tipo de cultura, com uso de espaçamento inadequado durante o desenvolvimento da lavoura, gera perdas à produção. Se as ramas-sementes estiverem muito próximas umas das outras, as plantas podem acabar tendo um desenvolvimento defeituoso devido à concorrência por luz e nutrientes, gerando uma competição por espaço para crescimento das raízes tuberosas.

Por outro lado, espaçamentos muito longos favorecem o aparecimento de plantas daninhas que competem com a cultura. O tempo correto para a colheita também deve ser respeitado. Outro erro é a falta de estudo de seu mercado para traçar a logística do produto, sem ocorrerem perdas, gerando prejuízos e desperdícios para os produtores rurais.

Os detalhes da adubação

A forma mais adequada para evitar os erros no cultivo são, inicialmente, preparar o solo com antecedência. Também é indicado consultar um engenheiro agrônomo, tanto para estudo do solo (umidade, textura, matéria orgânica e salinidade) como para avaliar o manejo necessário para um bom desenvolvimento da cultura.

O solo para o cultivo de batata-doce deve ser bem drenado, controlando a presença de alumínio tóxico, com pH ligeiramente ácido e alta fertilidade. Solos arenosos facilitam o crescimento radicular. Um fator limitante que deve ser observado é se esse local de plantio apresenta área de encharcamento constante e/ou lençóis freáticos rasos.

Na ocorrência desses fatores, as raízes se alongam e são denominadas de “chicote”, podendo acarretar outras situações desfavoráveis para o cultivo, resultando em baixa produtividade e produtos inadequados para a comercialização.

É aconselhável que o solo fique bem destorroado, de modo que a raiz tuberosa consiga se desenvolver satisfatoriamente. Os espaçamentos mais utilizados são de 0,80 m a 1,00 m entre fileiras e 0,25 m a 0,50 m entre plantas.

Por onde começar

No início do plantio, deve-se atentar em relação à disponibilidade hídrica do solo, pois as ramas-sementes ainda não apresentam sistema radicular e não conseguem acessar de forma eficiente a umidade do solo. Assim, o solo deve ser mantido úmido, realizando-se irrigações leves e frequentes, evitando a desidratação do material vegetal até que se formem raízes.

Após o início das brotações, as irrigações podem ser mais espaçadas, dependendo do tipo de solo e clima do local, e deve-se prosseguir pelo menos até os 40 dias após o plantio, para promover um bom pegamento das ramas e um bom desenvolvimento vegetativo.

Em termos práticos, recomenda-se irrigar duas vezes por semana, até os 20 dias; uma vez por semana, dos 20 aos 40 dias; e a cada duas semanas, após os 40 dias até a colheita, mas essa recomendação varia, para mais ou menos em relação a tipos de solo, clima e umidade do local.

A batata-doce possui um sistema radicular profundo (75 a 90 cm) e ramificado, o que lhe possibilita explorar maior volume de solo e absorver água em camadas mais profundas do que a maioria das hortaliças.

Em sua maioria, a cultura da batata-doce apresenta alta rusticidade, potencial produtivo e alto valor alimentício, sendo desse modo uma cultura com boa relação custo-benefício. A batata-doce se destaca por apresentar cultivares que se adaptam bem a diferentes condições edafoclimáticas.

A batata-doce desenvolve-se bem em locais e épocas com temperaturas média e superior a 24ºC. A cultura não suporta geada e quando a temperatura é inferior a 10ºC o crescimento da planta é severamente retardado, mas pode ser cultivada em regiões temperadas, nos períodos da primavera e verão, quando tem a presença de temperatura elevada e a alta radiação solar, as quais favorecem o desenvolvimento da cultura.

Solo

A batata-doce é plantada em uma grande diversidade de solos, com variações na textura, profundidade, fertilidade e acidez. Geralmente é produzida em solos com elevada acidez e baixa fertilidade natural. Em razão disso, a calagem e a adubação são práticas indispensáveis que, em conjunto com outras, são responsáveis por melhorias na produtividade.

Assim, uma boa análise de solo em laboratórios credenciados é fundamental para estimar as necessidades de calcário, fósforo (P), potássio (K) e de nitrogênio (N) e demais nutrientes, devendo ser realizada, no mínimo, seis meses antes do plantio.

Os corretivos devem ser aplicados preferentemente a lanço e incorporados. A planta possui um sistema radicular muito ramificado, o que a torna eficiente na absorção de nutrientes, especialmente do fósforo. Por isso, são raros os resultados positivos de adubação fosfatada, para as condições de solos com alta capacidade de retenção de fósforo.

Em relação aos macronutrientes, o nitrogênio é o nutriente que mais merece atenção. A adubação nitrogenada é feita parceladamente, em três épocas, podendo ser realizada 50% no plantio e o restante em cobertura, aos 30 e 45 dias após.

O nitrogênio tem grande importância, mas se aplicado em excesso pode desenvolver demasiadamente a parte aérea, causando o autossombreamento excessivo, que reduz a taxa de fotossíntese (baixando a produtividade) e favorece o crescimento de patógenos, principalmente os fungos. Por outro lado, a deficiência de nitrogênio prejudica o desenvolvimento da planta, causando a redução da fotossíntese, o amarelecimento e a queda das folhas basais, o que resulta em menos tubérculos.

Para evitar o excesso, bem como a deficiência do elemento, deve-se acompanhar o crescimento da cultura. A aplicação de fertilizante nitrogenado só deve ser feita quando houver sintomas de deficiência do nutriente, que é o amarelecimento das folhas, principalmente as mais velhas.

Em relação ao potássio, por ser um elemento solúvel e bastante móvel no solo, é recomendado que se faça a aplicação em duas doses, a primeira no plantio e o restante aos 45 dias. Os nutrientes cálcio e magnésio são geralmente supridos pela calagem com calcário dolomítico para correção do solo.

Informação é tudo

Quando a cultura é instalada em sequência a uma outra que tenha recebido altas doses de fertilizantes, como é o caso da maioria das hortaliças, geralmente não são feitas correções de acidez e nem adubações. Entretanto, com base em médias e análise do conteúdo mineral, a cultura extrai 60 a 113 kg/ha-1 de N; 20 a 45,7 kg/ha-1 de P2O5; 100 a 236 kg/ ha-1 de K2O; 31 a 35 kg/ha-1 de CaO e 11 a 13 kg/ ha-1 de MgO, para uma produtividade de 13 – 15 t/ ha-1, em média.

Para maiores produtividades, como de 30 t/ha-1 de raízes, extrai cerca de 129 kg/ha-1 de N; 50 kg/ha-1 de P2O5 e 257 kg/ha-1 de K2O. Contudo, deve-se considerar que a extração de nutrientes depende da cultivar, das características químicas e físicas do solo, do clima e do ciclo da cultura.

Matéria orgânica

 Outra forma de disponibilizar uma melhor qualidade ao solo para produção de batata-doce é o uso de diferentes fontes de matéria orgânica. Sempre que o produtor tiver disponibilidade, seu uso é desejável em substituição à adubação mineral, pois permite restauração do ciclo biológico da microbiota natural do solo, disponibilidade de nutrientes por mais tempo na área e auxilia nas características físicas do solo, no entanto, essa prática é recomendada desde que seja economicamente viável.

E uma das formas de disponibilidade de matéria orgânica é a casca de arroz carbonizada, um substrato estéril, resultante de uma combustão incompleta dos subprodutos do beneficiamento do arroz. Durante a sua queima, a casca produz muita cinza e sua fumaça é pouco poluente, por não possuir enxofre.

Na agricultura, este substrato, com diversos graus de queima, é utilizado como corretivo da acidez da terra, condicionador de solo e fonte de nutrientes, como por exemplo, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e silício. Outra opção, neste aspecto, é a cama-de-aviário, constituída como insumo natural, de baixo custo e rica em nutrientes.

Mais uma opção é usar certo volume de esterco bovino, pois fornece N e P de forma considerável ao solo. E, nesse caso do composto e estercos, deve-se ter cuidado para que estes estejam bem curtidos e sejam incorporados uniformemente no solo, evitando-se contato direto com os tubérculos-semente e para se obter maior aproveitamento do P e redução nas perdas de N por volatilização.


Palavra de quem entende

Tarciso e Tatiana, fundadores da Estância Imperial – Crédito: Arquivo pessoal

A Estância Imperial dos produtores Tarciso da Rosa e Tatiana da Rosa, foi fundada em 2007, com intuito de produzir hortaliças, e tendo agora como carros-chefes a produção de batata-doce. A empresa está localizada em Nova Mutum (MT), na zona rural Assentamento Pontal do Marape e tem, atualmente, 40 hectares de área, com média de 15 – 20 hectares com produção de três tipos de batata-doce em constante rotação.

“A rentabilidade da batata-doce é possível, pois é uma cultura rentável, mas isso varia com a demanda do mercado. Já tivemos épocas melhores em questão de valores altos na venda, mas atualmente os valores estão bons e constantes”, relatam Tarciso da Rosa e Tatiane da Rosa.

Atualmente, são produzidas até 22 a 25 t/ha, sendo vendidas por R$ 1,60 a R$ 2,00/kg, o que gera até R$ 50.000 por hectare. Essa produção atende a 19 municípios em Mato Grosso, que em média sai a 60-80 toneladas de batata-doce por mês para esses municípios, demonstrando outro aspecto de rentabilidade.

Os produtores relatam que “em nossa Estância Imperial até as batatas-doces refugos, que não entram na classificação de comércio, utilizamos na alimentação de gado confinado, o que tem sido muito bom e garante até 60 dias antes para o abate deles, quando comparado aos que não se alimentam da batata-doce. Isso mostra o grande e vasto poder de utilização e rentabilidade da mesma”.

Manejo

O ciclo da batata-doce é em torno de quatro meses, e em regiões quentes, dependendo da variedade e da época de plantio, pode-se colher com 90 – 100 dias. Na região onde Tarciso e Tatiana da Rosa plantam, é possível produzir batata-doce o ano todo. “Hoje utilizo o adubo mineral no plantio e depois entro com adubos de cobertura, tanto macro quanto micronutrientes. Para conseguir produzir o ano todo, usamos sistema de irrigação por aspersão, pois temos épocas bem secas”, detalham.

“Na Estância Imperial obtemos mudas de qualidades e após fazemos a multiplicação das mesmas, pois a garantia do sucesso na produção de batata-doce é fundamental com mudas de qualidade. Para combater as pragas e doenças, utilizamos o controle químico”, pontuam os produtores.

As pragas são prevenidas por pulverização de inseticidas, conforme a necessidade, avaliada por monitoramento da área. Um dos fatores mais importantes: limpeza e controle de plantas invasoras, pois segundo eles, as mesmas causam competições com a batata-doce.

Dentre as principais formas de controle preventivo realizadas na propriedade, Tarciso e Tatiana destacam a rotação de culturas com plantas como milho, pepino, abóbora e outras, e também a destruição ou remoção dos restos culturais da cultura ou plantas daninhas hospedeiras logo após a colheita da área; plantio de mudas livres do patógeno e evitar plantios próximos de lavouras mais velhas, sempre mantendo uma rotação constante nas áreas.

Desafios

“Os desafios mais comuns nesta produção em nossa região é a condução da batata-doce em relação ao manejo da fertilidade do solo e o suprimento adequado dos nutrientes para obtenção de altas produtividades, visto que no Cerrado predominam solos altamente intemperizados, com acentuada acidez e baixa fertilidade natural. E a necessidade e os custos com a mão de obra qualificada, pois muitas das atividades na produção da batata-doce são realizadas manualmente. Outra dificuldade é a concorrência com os produtores de outros Estados em relação à venda do produto, pois muitos comerciantes seguem a realidade de São Paulo, que é diferente da nossa, com custos inferiores na produção ”, finaliza Tarciso e Tatiane da Rosa, proprietários da Estância Imperial.

– China – Maior produtor mundial, com quase 76% da produção mundial e produtividade média de 21,3 t/ha-1.

BRASIL

– Área plantada: 53.024 hectares

– Produção: 741.203 toneladas

– Produtividade: 13,99 t/ha-1.

– Regiões produtoras: Nordeste –  43,61%,

                                   Sul – 30,79%

                                   Sudeste – 23,18%

O Rio Grande do Sul é o maior produtor, com 12.779 hectares destinados a essa atividade, com rendimento de 175.060 toneladas.

– Rentabilidade: A Estância Imperial, em Nova Mutum (MT) são produzidas até 22 a 25 t/ha, sendo vendidas por R$ 1,60 a R$ 2,00/kg, o que gera até R$ 50.000 por hectare

– Com relação à produção de biocombustível, destaca-se a importância da batata-doce frente à cana-de-açúcar, que produz 80 litros de etanol por tonelada, enquanto a batata-doce produz 158 litros por tonelada.

– A batata-doce é utilizada na alimentação humana e animal, na produção de álcool, matéria-prima para fármacos e produtos alimentícios com alto potencial nutritivo

– A coloração da casca, variando entre roxa, rosa, branca, amarela e creme, bem como as variações da polpa, podendo ser branca, creme, amarelo-clara, salmão ou roxa, e formatos das raízes tuberosas variando entre alongadas ou arredondadas.

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