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Beauveria: eficácia contra mosca-branca no feijoeiro

Beauveria: a arma natural que preserva o feijoeiro, controlando a mosca-branca e promovendo uma colheita saudável.

Giovana Cândida Marques
Engenheira agrônoma e laboratorista – Grupo JC
giovana-candida.marques@unesp.br

Um dos insetos-pragas que se tornou destaque nos últimos anos é a mosca-branca (Bemisia tabaci). Essa praga possui a capacidade de ocasionar danos diretos e indiretos à cultura do feijão.

Sintomas do mosaico dourado
Crédito: Anésio Bianchini

O dano direto é devido ao hábito alimentar, pois a mosca-branca suga a seiva da planta e a torna debilitada. O dano indireto ocorre por meio da excreção açucarada denominada de honeydew, que favorece o desenvolvimento do fungo Capnodium, conhecido como fumagina.

Por causa da fumagina, ocorre o impedimento das trocas gasosas e afeta a capacidade de fotossíntese, diminuindo a produção agrícola.

A cultura do feijão

O feijoeiro (Phaseolus vulgaris) é considerado uma leguminosa de grande relevância socioeconômica. Contudo, várias doenças e pragas prejudicam essa cultura, o que acarreta prejuízos econômicos.

A principal doença de origem viral do feijoeiro é o mosaico dourado, causado pela mosca-branca. A incidência dessa doença e a alta população de B. tabaci são frequentemente relatadas nos cultivos de feijão nas principais regiões produtoras.

Medidas de controle

As reduções de produtividade causadas pela mosca-branca estão diretamente relacionadas à época de plantio, incidência e cultivar, podendo causar a redução de 40 a 100% na produtividade.

Várias medidas de controle são recomendadas para o manejo de B. tabaci, entre elas:

• Tratamento de sementes com tiofanato-metílico + fluazinam (180 ml p.c. / 100 kg de sementes);

• Rotação de culturas;

• Utilização de produtos fitossanitários.

A utilização de inseticidas químicos ainda é a principal medida de controle utilizada para o manejo de B. tabaci em feijoeiro. No entanto, em épocas de alta infestação dessa praga o controle com inseticidas químicos nem sempre é eficiente.

A população de mosca-branca

A ocorrência de mosca-branca se concentra principalmente nos plantios de sequeiro e safrinha, estando presente nas principais regiões produtoras de feijão do Brasil.

A população desse inseto é bastante afetada por condições atmosféricas, como a temperatura. Pesquisas demonstraram que temperaturas superiores a 33ºC tendem a ter aumento da oviposição, no entanto, para eclosão dos ovos, sobrevivência ninfal e sucesso reprodutivo a temperatura ideal ocorre no intervalo entre 27 a 35ºC.

Temperaturas superiores a 37ºC afetam negativamente o desenvolvimento e a sobrevivência da mosca-branca. Porém, a chuva e a umidade relativa do ar são outros fatores que afetam a população desse inseto.

Esses dois últimos fatores exercem papel importante na mortalidade de insetos adultos, por meio da ação mecânica de gotas de chuva, além de favorecer o microclima para ocorrência de predadores, parasitoides e entomopatógenos que fazem o controle natural desse inseto-praga.

Manejo do inseto-praga

A mosca-branca causa problemas principalmente ao algodoeiro, cucurbitáceas, soja, feijoeiro, tomateiro e hortaliças.

Os problemas causados por esse inseto estão se agravando devido à severidade dos ataques e dificuldades no controle. Relata-se que cerca de 90 doenças viróticas são transmitidas pela mosca-branca.

O manejo mais comum das viroses transmitidas pela mosca-branca é baseado no controle do vetor. Esse inseto é controlado, atualmente, pelo método químico com o emprego de inseticidas sintéticos, porém, sem o sucesso esperado devido à resistência do inseto a vários inseticidas disponíveis no mercado.

No intuito de aumentar a rotatividade dos inseticidas, os produtos biológicos vêm se tornando uma alternativa para o manejo da praga.

Os inseticidas acetamiprido + piriproxifem e dinotefuram + piriproxifem apresentam boa eficiência no controle de ovos, ninfas e adultos de mosca-branca em feijoeiro até 14 dias após a segunda aplicação.

A mesma eficiência é encontrada ao utilizar B. bassiana, sendo, portanto, uma importante alternativa no manejo de mosca-branca.

Controle biológico

Os fungos entomopatogênicos parasitam os insetos. Um exemplo desse tipo de fungo é o Beauveria bassiana, que apresenta extenso espectro de hospedeiros na agricultura.

Dessa forma, os hospedeiros mais comuns desse fungo são os percevejos, lagartas, mosca-branca, pulgões, bicudo do algodoeiro, ácaros e diversas brocas.

O B. bassiana infecta os hospedeiros pelo modo de ação de contato, o que leva os insetos à morte por interferir nas atividades fisiológicas, como locomoção, reprodução e alimentação.

A Beauveria bassiana

O controle biológico de pragas com microrganismos entomopatogênicos vem sendo cada vez mais utilizado no Brasil. Esse tipo de controle constitui-se no uso racional de microrganismos de modo a manter a população das pragas em nível que não prejudique a cultura.

Beauveria bassiana possui conídios que atravessam a cutícula do inseto. Esses conídios formam tubos germinativos e hifas que, posteriormente, penetram no tegumento. O fungo se multiplica dentro do inseto e em alguns dias apresenta considerável massa de hifas na hemocele – muitos insetos morrem nessa fase.

Com a morte do inseto, aliado à alta umidade relativa do ar, o fungo emerge do tegumento do inseto e, assim, forma novos conídios no interior ou na superfície do inseto morto.

Vulnerabilidade

O fungo Beauveria bassiana, quando exposto ao tempo, em altas temperaturas, faz com que a germinação do fungo seja reduzida. Assim, ocorre menor controle sobre o inseto alvo.

O fungo B. bassiana, no momento em que é armazenado em formato de calda de pulverização, apresenta boa eficiência de conídios, porém, a germinação é reduzida após 48 horas do preparo da calda, ao adicionar adjuvantes.

Poucos problemas com inibição do crescimento do fungo foram verificados com alguns inseticidas químicos utilizados para controle de pragas.

BOX

Recomendações de aplicação

É importante ressaltar que o bioinseticida à base de esporos vivos de Beauveria bassiana consegue manter adequada eficiência no controle da mosca-branca, sempre que for aplicado nas seguintes condições:

• Alta umidade relativa (> 60%) do ar;

• Preferencialmente ao final do dia;

• Temperatura e ventos apropriados para o desenvolvimento dos esporos do fungo Beauveria bassiana no dossel das plantas.

• Sempre respeitar, no mínimo, quatro dias após a aplicação dos defensivos químicos.

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