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Café com floresta beneficia os dois sistemas

Crédito Diego Andrade

Daniela Minini
daniminini16@gmail.com
Kyvia Pontes Teixeira das Chagas
kyviapontes@gmail.com
Engenheiras florestais, mestras em Ciências Florestais e doutorandas em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

O café é uma bebida que caiu no gosto de todos, o que faz desta a bebida mais popular e consumida em todo o mundo. Existem duas espécies que são plantadas comercialmente – o arábica (Coffea arábica) e o conilon (Coffea canéfora).

A maior parte das lavouras são plantadas em cultivos homogêneos a pleno sol e uma grande parcela por pequenos agricultores. O cultivo do café é caracterizado pelo alto uso de fertilizantes, agroquímicos e tecnologias avançadas, com objetivo de tornar as lavouras mais produtivas e sadias.

No entanto, nem todos os agricultores possuem condições financeiras para retornar à lavoura todos os insumos que foram retirados do solo pela planta e transportados por meio dos grãos. Este cenário pode resultar no esgotamento do solo, perda da matéria orgânica, fertilidade e umidade.

Dessa maneira, a associação do cafeeiro com outras culturas é indicada como uma estratégia relevante, principalmente para as pequenas propriedades, onde tradicionalmente se insere baixo nível de insumos na agricultura.

Sistema Agroflorestal

Sistema Agroflorestal (SAF) é o termo utilizado para conceituar a prática de combinar espécies (árvores ou arbustos) com culturas agrícolas e/ou pecuária, em uma área e por um determinado tempo, resultando em alta diversidade de espécies e interações ecológicas entre estes componentes.

O objetivo principal dos SAFs é otimizar o uso da terra, com o aproveitamento mais eficiente dos recursos naturais, resultando em um sistema potencialmente mais sustentável e produtivo em detrimento da maior ciclagem de nutrientes, manutenção da umidade do solo e proteção contra lixiviação e erosão.

Com a implantação de duas ou mais espécies em um único local, áreas que estavam antes debilitadas, sem expressão econômica e social, podem ser reabilitadas e usadas racionalmente por meio de práticas agroflorestais.

Esta prática, bem conduzida, introduz no solo uma grande quantidade de matéria orgânica, o que, de forma direta, regula o microclima e as condições químicas, biológicas e físicas do solo.

Além disso, podem contribuir para a diminuição da temperatura das plantas por meio do sombreamento dos cafeeiros, o que pode atenuar o estresse climático em épocas de seca. Outro ponto importante é a formação de sistemas ecológicos mais estáveis, com menor utilização de recursos externos (fertilizantes químicos, fungicidas e pesticidas), maior ciclagem de nutrientes e aumento da proteção natural, com o retorno dos insetos benéficos às culturas, restaurando uma condição mais semelhante à natural.

Nesse sentido, a implantação dos sistemas agroflorestais em áreas degradadas visa recompor a vegetação, melhorar as condições ambientais e manter a diversidade genética. Eles surgem para integrar novamente principalmente as árvores no ambiente de cultivo, aumentando a renda para os produtores em detrimento da nova potencialidade das terras e uma nova ótica de interação de indivíduos e potenciais ganhos ambientais, como retorno da fauna e aumento da infiltração de água no solo.

Como realizar essa produção simultânea?

Antes de implantar novas operações, métodos, sistemas e/ou expansão em novas áreas, é de suma importância fazer uma avaliação dos possíveis impactos ambientais e sociais sobre os ambientes, de acordo com a importância de cada área, além de apresentar seus objetivos e metas a serem alcançadas (Embrapa, 2000).

Um SAF deve ser dinâmico e bem planejado, de forma a predizer as associações entre as espécies no espaço e no tempo. É de importância, para o sucesso do sistema, observar e levar em consideração as características da área de implantação, como clima, relevo, solo e vegetação original.

A escolha apropriada das espécies arbóreas a serem introduzidas deve atender algumas características, como adaptação ao clima do local de plantio, não apresentar alelopatia, ser de fácil manejo, ter facilidade no estabelecimento e possuir valor comercial.

Que espécies entram no sistema?

A escolha das espécies também está diretamente relacionada com o tipo de sistema e a função que se espera deste no ambiente. Como exemplo, para recuperação de áreas, é importante o uso de espécies com diferentes formas ecológicas e de crescimento, capazes de depositar matéria orgânica no solo para ciclagem de nutrientes.

A composição das espécies deve incluir plantas com diversos ciclos de vida no tempo e no espaço para se ter um ambiente diverso e sempre produtivo, extraindo dessa área uma maior quantidade de produtos possíveis, podendo ser de porte arbustivo ou arbóreo.

Possibilidades de renda

Os sistemas integrados são responsáveis pelo aumento da renda dos produtores rurais, justamente por suportarem culturas acompanhantes e fornecerem diversos produtos e/ou serviços, que podem ser a madeira, alimentos, adubo verde, plantas medicinais e quebra-ventos.

Em lavouras de café com mogno africano (árvores mais altas); os custos de produção são reduzidos, já que ambas aproveitam as aplicações dos mesmos insumos, como a adubação.

Além disso, a sombra pode reduzir a produtividade, mas por outro lado, aumenta a qualidade da bebida e o lucro dos cafeeiros.

Erros a serem evitados

A associação do cafeeiro com uma espécie florestal tem como finalidade obter benefícios mútuos. Porém, em qualquer plantação, seja ela monocultura ou associações de espécies, existem interações entre os indivíduos que podem exercer influências negativas (competição por luz, nutrientes, espaço, alelopatia), positivas (retenção de umidade, facilitação competitiva, ganho de produtividade) ou neutras.

Deve-se evitar o plantio de árvores espalhadas de forma irregular, pois podem atrapalhar a colheita do cafeeiro e o próprio manejo das árvores, como a poda dos galhos e o seu corte. O espaçamento entre as plantas e as fileiras é de extrema importância para não haver competição por luz e nutrientes.

Florestas com cafeeiro

Analisando um sistema de agricultura familiar (banana + café), foi observado que a maior parte dos custos do SAF concentra-se na produção dos cafeeiros, principalmente na mão de obra e na compra de insumos.

No entanto, esse sistema teve a viabilidade econômica positiva e apresentou um alto valor para a remuneração da mão de obra familiar, indicando que o sistema agroflorestal com cafeeiros e bananeiras é viável economicamente.

Nessa localidade, a produtividade média foi 24,75 sacas.ha-1 de café beneficiado, sendo um valor acima do padrão de produtividade para a região em questão. Além disso, o plantio de cafeeiros em sistema agroflorestal é incentivado, pois nota-se uma crescente demanda por cafés de origem orgânica, os quais têm maior valor de venda e podem agregar maior retorno ao produtor.

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