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segunda-feira, abril 15, 2024
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Como fazer a sustentação das parreiras de uvas?

Créditos Adilson Pimentel Júnior

Adilson Pimentel Junior
Engenheiro agrônomo e mestrando em Horticultura pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho“/Faculdade de Ciências Agronômicas, Departamento de Horticultura
Marco Antonio Tecchio
Engenheiro agrônomo, professor e doutor da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho“/Faculdade de Ciências Agronômicas, Departamento de Horticultura

A videira é uma planta sarmentosa de hábito trepador, sendo cultivada em diversos tipos de arquitetura do dossel vegetativo. Os sistemas de sustentação na viticultura moderna baseiam-se no conceito de utilização de cultivos intensivos e poda severa, buscando o aumento de rendimento sem perder em qualidade da fruta.

A escolha do sistema de sustentação das plantas deve ser feita levando em consideração o clima, a fertilidade da cultivar copa e o investimento previsto pelo produtor.

Um sistema de sustentação ideal deve permitir alta produtividade e frutos de qualidade, diminuir a formação de um microclima favorável ao desenvolvimento de doenças e pragas, que também facilite os diversos tratos culturais realizados por pessoas ou máquinas.

Sustentação das videiras

Um dos erros mais comuns na escolha do sistema de sustentação é não levar em consideração a aptidão da uva que receberá o sistema, caso ela seja uva fina ou comum, uva para mesa, suco ou vinho. Cada cultivar possui seu vigor vegetativo e fertilidade de gemas no ramo em diferentes posições, adequando-se à poda curta, média ou longa.

No Brasil, os sistemas de sustentação mais usuais na viticultura são: espaldeira, latada e Y.

Sistemas mais comuns

O sistema de sustentação em espaldeira é o mais usual para variedades americanas de mesa, como é o caso da uva ‘Niagara Rosada’ e ‘Niagara Branca’, e as de vinho e suco, como ‘Isabel’, ‘Concord’, ‘Bordô’ e ‘Máximo’, as quais podem ser conduzidas com poda curta de produção por apresentarem alta fertilidade de gemas na parte basal dos ramos.

Diversos estudos vêm sendo realizados com várias cultivares em espaldeira, pois este sistema é o mais barato e simples dentre os demais. A espaldeira consiste em um sistema que segue a linha das plantas (direção norte-sul), em que os ramos ficam em posição vertical em relação ao solo.

Existe a possibilidade de a espaldeira ser baixa (1,6 m) e alta (02 m). Caso seja alta, a planta apresenta maior área foliar pelo ramo ser mais comprido. A espaldeira pode ter três ou mais fios de arame, sendo o primeiro a 01 m de distância do solo e os demais equidistantes até o último fio.

O espaçamento entre palanques é de 06 m, sendo que os de cabeceira devem ser de diâmetro maior para suportar todo o peso das plantas, quando em produção. A distância total das linhas não deve passar de 100 m.

A sustentação em latada (pérgola, parreira ou caramanchão) é mais indicada para uvas finas de mesa, representadas pela uva ‘Itália’, ‘Rubi’, ‘Benitaka’ e ‘Brasil’, e para uvas finas para vinho, como ‘Cabenet Sauvignon’, ‘Merlot’ e ‘Syrah’, uma vez que suas gemas férteis são localizadas na parte mediana e apical dos ramos, necessitando de poda de produção longa.

Sistema em espaldeira – Créditos Adilson Pimentel Júnior

Ferramentas e materiais úteis

O espaço para o crescimento dos ramos deve ser maior. Materiais resistentes e duráveis devem ser usados na construção da latada para garantir longevidade e resistir a grandes produções e ventos fortes.

Os palanques devem ser espaçados em 04 m e o aramado ficar em uma altura de 1,9 m do solo para facilitar a passagem de máquinas e pessoas, sendo que quando a planta está em plena produção, o arame cede alguns centímetros com o peso dos frutos.

Os ramos são dispostos de forma horizontal no sistema, indicado para regiões úmidas, pois melhora a aeração da parte aérea das plantas, reduzindo a incidência de doenças fúngicas.

Sistema Y

O Y (manjedoura) é um sistema de sustentação usado para a produção de uvas para vinhos finos ou uvas finas para mesa sem semente, que apresentam baixa fertilidade de gemas, e também para uvas comuns para mesa.

Os ramos das plantas ficam em posição transversal. Os postes são fixados na linha de plantio, em 06 m de espaçamento com altura de 02 m. A abertura do Y pode ser de 45° a 60° em relação à vertical.

Em regiões tradicionais em viticultura tropical já existe a confecção de postes de concreto, e recentemente o uso do metal vem crescendo, pois a longevidade é maior e o tempo de montagem é reduzido.

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