Construção do potencial produtivo

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Marco Túlio Gonçalves de Paula
Engenheiro agrônomo e mestre em Qualidade Ambiental – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
mtulio.agro@gmail.com

O potencial produtivo de uma planta é construído durante todo o seu período vegetativo, mas os cuidados nos estágios iniciais são essenciais para que o teto produtivo real seja o mais próximo possível do limite genético de cada cultivar, híbrido ou variedade. Um blend poderoso e equilibrado de nutrição de plantas é a solução para a construção do potencial produtivo com maior arranque inicial e desenvolvimento radicular mais vigoroso.
A raiz é o órgão vegetal responsável pela absorção de água e nutrientes, matérias-primas necessárias para a formação de todas as proteínas que compõem as estruturas morfológicas das plantas.
Por isso, devemos manter o ambiente rizosférico o mais afável para que o desenvolvimento radicular seja garantido. Para o crescimento das raízes, o ideal é um ambiente físico, químico e biologicamente equilibrado. Uma das questões a serem observadas é o índice salino causado pelos fertilizantes, que afeta negativamente na microbiota do solo e causa danos às raízes, reduzindo o poder de absorção delas.
Em se tratando dos fertilizantes comumente utilizados, como o fosfato monoamônico (MAP), cloreto de potássio, ureia e formulados em geral, tendo estes como base, recomenda-se que, ao aplicar no sulco de semeadura, a soma dos pontos de nitrogênio e potássio por hectare, não ultrapasse 80 kg.
De forma prática, se a recomendação é de 300 kg.ha-1 do formulado 03-21-21 em soja, o sulco de semeadura ficará com 9 kg.ha-1 de nitrogênio e 63 kg.ha-1 de potássio, somando 72 kg dos dois nutrientes. Como está abaixo de 80 pontos, é uma recomendação segura quanto ao ambiente radicular, lembrando sempre que a exigência nutricional de cada elemento deve ser seguida.

Inovações

Com baixo teor de cloro, as inovações favorecem a emergência das plantas e o estabelecimento da microbiota do solo. Aumento da fotossíntese e tolerância das plantas ao estresse são as apostas dos novos fertilizantes disponíveis no mercado que fazem a diferença em nutrição de plantas.
A nutrição, além de ser responsável por limitar o potencial produtivo da cultura, é muito mais que uma boa adubação de base. Ela exige uma correção da acidez do solo e uma boa saturação com cálcio, magnésio e potássio de forma equilibrada.
A suplementação dos nutrientes essenciais para cada cultura, tanto no sulco de semeadura como em cobertura, e a disponibilização de macronutrientes ativadores fisiológicos, micronutrientes e estimulantes da atividade fotossintética das plantas durante todo o ciclo demanda enorme atenção.
Com o uso de fertilizantes modernos, com baixos teores de cloro e índices salinos menores, o desenvolvimento da microbiota do solo aumenta, favorecendo a simbiose com o sistema radicular, uma troca lucrativa para ambos – planta e microrganismo.
Com o aumento da atividade microbiológica no solo, nutrientes como o fósforo, altamente adsorvidos, ficam disponibilizados em maiores quantidades para as raízes absorverem. Como plus, grande parte desses microrganismos são inimigos naturais de fungos fitopatogênicos de solo, nematoides parasitas de plantas, entre outros seres prejudiciais ao cultivo, reduzindo suas populações, às vezes até abaixo do nível de dano.

Alternativas

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