Controle de pragas e doenças em folhosas

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Autores

Mônica Bartira da SilvaEngenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Horticultura e professora – UNEMAT (MT)monica.bartira@gmail.com

Luan Fernando Ormond Sobreira RodriguesEngenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Horticultura – FCA/UNESPluanormond@gmail.com

Luiz Felipe Guedes BaldiniEngenheiro agrônomo e mestre em Agronomia/Horticultura – FCA/UNESP felipebaldini.fb@gmail.com

Michelly Cruz de SouzaGraduanda em Agronomia – UNEMAT-MT michellydesouzah1234@gmail.com

Couve – Crédito: Miriam Lins

Você já observou que dificilmente se passa um dia sem que seja publicado mais um artigo sobre alimentos e dietas? O que comemos influencia não apenas na saúde e concentração de nutrientes em nossos organismos, mas também está diretamente relacionado ao nosso humor e disposição ao longo do dia.

Alimentos como a alface contêm ácido fólico, que atua na síntese dos neurotransmissores como a serotonina, dopamina e noradrenalina. Estes, quando em quantidade adequada em nosso cérebro, ajudam a regular as sensações de ansiedade. Além disso, a alface também ajuda na produção de aminoácidos no nosso corpo, e muitos deles atuam nesses neurotransmissores importantes para o bem-estar emocional.

Atualmente existem mais de 70 espécies de hortaliças cultivadas com a finalidade de comercialização, e dentre estas, o grupo das folhosas têm como componentes mais expressivos a alface, repolho, couve, rúcula, espinafre, almeirão, agrião, acelga e chicória, que se destacam devido ao sabor e à coloração.

Diferentes quanto à textura, sabor e cor, elas são um convite irrecusável a uma alimentação saborosa e diversificada. Para aqueles que querem um sabor suave, as alfaces mimosa e lisa, e a couve-chinesa são a escolha ideal. O sabor picante você encontra na rúcula e no agrião. A mostarda, o almeirão e a chicória possuem sabor levemente amargo, e não poderíamos deixar de lado as hortaliças regionais, tais como a taioba e a bertalha, ou cosmopolitas como o espinafre, que têm sabores bem particulares.

Cuidados

Para o produtor, o cultivo de folhosas exige atenção, visto que a parte comercializável é juntamente às folhas, fazendo com que elas necessitem de manejo adequado para atingir alta produtividade. Nesse sentido, cuidados com o preparo do solo, como calagem, adubação e irrigação, além de prudência com o controle de pragas e doenças (que muitas vezes danificam toda a área foliar), são pontos fundamentais.

Partindo para a linha de manejo fitossanitário, várias perguntas podem surgir, como: quais são as principais pragas e doenças? Quais são os prejuízos mais observados? Quais são as formas de controle? Dentre tantas outras que acometem o produtor durante o cultivo. A grande verdade é que a resposta para todas essas perguntas é a resposta padrão de um agrônomo: “Depende”.

Depende de vários fatores, como a região onde o produtor está inserido, tipo de clima e solo, técnicas de manejo, cultivar utilizada, entre outros. Por isso acreditamos que a melhor forma de manejar o sistema é conhecê-lo. Isso inclui conhecer as peculiaridades de cada praga e doença as condições climáticas do local de cultivo e as interações entre as duas.

Dentre as pragas que mais causam prejuízos ao cultivo de hortaliças folhosas, destacam-se tripes (Thrips sp. e Frankliniella sp), pulgão (Dactynotus sonchi), mosca-branca (Bemisia tabaci), ácaro rajado (Tetranychus urticae), traça-das-crucíferas (Plutella Xylostella) e cochonilhas (Dactylopius coccus).

Tripes (Thrips sp. e Frankliniella sp)

O tripes Frankliniella occidentalis (Pergande) (Thysanoptera: Thripidae) é um inseto pequeno com 1,0 mm, de comprimento, de ampla distribuição mundial com registro em mais de 500 espécies de plantas hospedeiras.

Ele pode ser encontrado na parte inferior das folhas, onde sugam a seiva e são responsáveis por transmitirem doenças viróticas que definham as plantas e provocam redução da produtividade. Essa espécie é uma das mais importantes pragas em cultivos protegidos, principalmente de plantas hortícolas e ornamentais.

As principais estratégias de controle dessa praga baseiam-se, predominantemente, em aplicações de inseticidas. Contudo, essa prática realizada de maneira errada pode levar a sérios problemas de desenvolvimento de resistência da praga a inseticidas de diferentes grupos químicos, fato já observado em vários países.

Diante disto, uma estratégia que tem sido adotada é o uso de agentes biológicos de controle, com destaque para Orius insidiosus, que é um predador de pequenos artrópodes, tais como: tripes, ácaros, mosca-branca e pulgões. A liberação desses predadores deve ser realizada no início da infestação e são utilizados de 15.000 a 20.000 predadores por hectare.

O manejo da água também é fator importantíssimo no controle desta praga. Como o tripes é um inseto que vai aparecer em épocas mais secas, o produtor pode “molhar um pouco mais” a planta, inclusive molhar a folha, para reduzir e presença do inseto na área de cultivo.

Pulgão (Dactynotus sonchi)

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