23.7 C
Uberlândia
quinta-feira, fevereiro 29, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosControle de pulgões no tomateiro

Controle de pulgões no tomateiro

O tomateiro representa uma das mais significativas culturas no cenário agrícola mundial, pois constitui importante produto para o comércio in natura e indústria de extratos.

Giovana Cândida Marques
Engenheira agrônoma e laboratorista do Grupo JC
giovana-candida.marques@unesp.br

O monitoramento de pulgões no tomate deve ser feito semanalmente

A tomaticultura brasileira encontra-se difundida em todo território nacional, sendo o estado de Goiás o principal centro de cultivo, com 13,6 mil hectares plantados (IBGE, 2023).

Essa cultura é altamente sensível às pragas e doenças. Uma das pragas polífagas que causa mais prejuízos nessa cultura são os pulgões.

O temido pulgão

A grande importância do pulgão na cultura do tomate é devido a sua capacidade de transmitir fitoviroses, como o Potyvírus e Luteovírus, causadores do topo amarelo e do amarelo-baixeiro-do-tomateiro, respectivamente.

Tabela 1 – Principais pulgões da cultura do tomate

EspécieNome comumNível de ação ou controle
Myzus persicaePulgão10% de ponteiros atacados ou 1 adulto/ponteiro, em média
Macrosiphum euphorbiaePulgão10% de ponteiros atacados ou 1 adulto/ponteiro, em média
Aphis gossypiiPulgão10% de ponteiros atacados ou 1 adulto/ponteiro, em média

Características dos pulgões

Os pulgões possuem ciclo biológico dividido em duas fases, a fase de ninfa e a de adulto, com duração média de cinco a 15 dias.

Esses insetos são encontrados em grandes colônias na face inferior das folhas, brotações e flores. São capazes de reproduzir sem o acasalamento por meio da partenogênese.

As fêmeas não depositam ovos e sim ninfas, pois os pulgões são vivíparos. Cada fêmea é capaz de gerar até 80 indivíduos durante a vida.

Monitoramento de pulgões na cultura do tomate

O monitoramento de pulgões na cultura do tomate deve ser feito semanalmente e, nas épocas de maior incidência de pragas, duas vezes por semana. Para isso, é necessário utilizar armadilhas adesivas amarelas e vistoriar as folhas.

Os ponteiros da planta devem ser batidos em bandejas brancas para verificar a presença dos pulgões.

Condições que aumentam a população de pulgão

As condições favoráveis ao aumento populacional dos pulgões são o tempo nublado, quente e úmido e a ausência de inimigos naturais.

Os períodos de chuvas fortes, por outro lado, fazem reduzir o nível populacional, pelo controle físico causado pelas gotas de chuva sobre os pulgões.

Danos do pulgão no tomateiro

Os pulgões adultos e as ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas. Outro dano é causado pela excreção, pois esses insetos favorecem a formação de fumagina nas folhas.

Além dos danos citados, os pulgões transmitem o vírus do topo amarelo do tomateiro (Tomato yellow top virus – ToYTV), o vírus do amarelo baixeiro (Tomato bottom leaf yellow virus – TBLYV) e o vírus Y da batata (Potato virus Y – PVY).

Uma picada de prova em uma planta infectada seguida de outra picada de prova em planta sadia possibilita a transmissão do vírus.

As altas infestações afetam drasticamente a produção e causam a morte das plantas atacadas. A sucção contínua da seiva em tecidos da planta e a injeção de toxinas provocam definhamento, além do encarquilhamento das folhas, brotos e ramos.

Outro sintoma é redução no número de frutos produzidos, devido ao abortamento de flores.

Inseticidas químicos utilizados contra os pulgões

O inseticida Mospilan WG proporciona maior controle e possui efeito de choque sobre o pulgão. Outros que podem ser utilizados são o Imidagold 700 WG, Actara 250 WG e o Sperto.

O acetamiprido + bifentrina nas doses de 150, 200 e 250 g pc ha-1 apresenta controle eficaz sobre o pulgão M. persicae por, no mínimo, 10 dias após a segunda aplicação.

A aplicação de inseticidas para o controle do pulgão deve evitar o desperdício de produtos. Para isso, é necessário conhecer a praga e a distribuição das gotas de pulverização no interior do dossel da planta.

Outras medidas de controle

Não realizar os plantios próximos a culturas como soja, feijoeiro e algodoeiro, que são hospedeiras de insetos sugadores, como os pulgões.

Essa medida visa reduzir a migração das pragas de outras culturas hospedeiras para a cultura do tomateiro e, com isso, reduz os prejuízos causados pelos pulgões à tomaticultura.

Manejo da nutrição

Outro tipo de manejo que se pode adotar é da nutrição, que visa a adubação química e orgânica mais equilibradas, conforme a análise de solo ou foliar e com base nos requerimentos da cultura.

Busca, com esse manejo, evitar a deficiência e/ou excesso de nutrientes, principalmente o N nas plantas, pois, geralmente, o excesso de nitrogênio via adubação proporciona maior conteúdo de aminoácidos livres e açúcares na planta.

O maior conteúdo de aminoácidos livres nas plantas favorece o ataque de insetos sugadores, tais como os pulgões, pois deixa os tecidos vegetais mais tenros, além de acelerar o desenvolvimento dos insetos e aumentar a taxa reprodutiva.

Os tecidos mais tenros são facilmente atacados e digeridos pelas pragas, o que resulta em maiores infestações e perdas na produção.

Cobertura do solo

A cobertura do solo com superfície refletora de raios ultravioletas, como a casca de arroz ou palha, dificulta a colonização dos pulgões.

Ainda, deve-se eliminar as plantas daninhas e silvestres que sejam hospedeiras alternativas de pragas do tomateiro e fontes de inóculo de viroses da cultura.

A eliminação dessas plantas contribui para a quebra do ciclo biológico das pragas e reduz a incidência das viroses, o que minimiza os prejuízos causados ao cultivo.

Destruição e incorporação de restos culturais

A destruição e incorporação de restos culturais e de cultivos abandonados ou com ciclo interrompido tem como objetivo eliminar a população remanescente de pragas na área e, assim, reduz o deslocamento dos insetos da lavoura mais velha para a mais nova.

A instrução Normativa do Estado de Goiás (IN nº 05, de 13/11/2007) torna obrigatória a eliminação de restos culturais até 10 dias após a colheita de cada talhão.

ARTIGOS RELACIONADOS

Pulgão no milho safrinha

Causando prejuízos principalmente em períodos mais secos, esse afídeo se hospeda em diversas culturas, como o milho, sorgo, cevada, aveia, triticale e as mais diversas gramíneas.

Controle de doenças do trigo deve ser priorizado em 2023

Investimento no controle das principais doenças trará mais competitividade ao produtor, em um ciclo que tende novamente a favorecer exportações.

Pimenta-do-reino: cultivo é crescente no Brasil

A pimenta-do-reino, uma das especiarias mais antigas conhecidas, por ser uma planta de origem tropical, encontrou no Brasil condições ideais para o seu desenvolvimento e tem ganhado o gosto dos produtores brasileiros.

Manejo integrado: fosfitos contra doenças fúngicas do cafeeiro

As principais doenças do cafeeiro são a ferrugem, a cercosporiose, a mancha de phoma, a mancha aureolada e as aquelas causadas por nematoides.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!