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quarta-feira, julho 6, 2022
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Cresce o uso de gotejo em melancia

 

José Francismar de Medeiros

Engenheiroagrônomo da UFERSA, pesquisador I-A do CNPq, consultor e produtor

jfmedeir@ufersa.edu.br

Cresce o uso de gotejo em melancia - Crédito Shutterstock
Cresce o uso de gotejo em melancia – Crédito Shutterstock

A melancia pode ser irrigada por sulco de infiltração, aspersão e por gotejamento, sendo esse último sistema o mais indicado. Os principais benefícios do gotejo são: reduzir as perdas por evaporação da superfície do solo, pois este sistema de irrigação molha apenas 20 a 30% da superfície do solo; a água não molha as folhas, evitando que doenças que ocorrem ou se transmite pela água se propaguem (bacterioses, pinta preta, míldio, entre outras), permite a aplicação da fertirrigação, melhorando a eficiência do uso dos fertilizantes aplicados e reduz a incidência de ervas daninhas, sobretudo no primeiro mês, e quando têm, as mesmas se concentram apenas na área molhada.

O sistema ainda mostra potencial para aumentar a produtividade e reduzir de forma substancial a quantidade de água aplicada, pois, além de reduzir o Kc em determinadas fases fenológicas, a eficiência de aplicação pode ser muito superior ao sistema por aspersão (30% a mais) e por sulco (80% a mais).

Mais sanidade e produtividade

As produtividades com a irrigação por gotejamento no semiárido nordestino (nos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco, onde praticamente toda a melancia é irrigada por gotejamento), giram em torno de 30 t/ha, podendo atingir até 50 t/ha.

Em condições experimentais de São Paulo a melancia irrigada por gotejamento e fertirrigação chegou a produtividades superiores a 50 t/ha. Na região de Mossoró, com uso de mulchinge filmes plásticos (que só é possível utilizar na irrigação por gotejamento), utilização de TNT para proteção das plantas para evitar determinadas pragas, fertirrigação e manejo dos demais tratos culturais é possível produtividades de 50 t/ha.

Nos períodos secos, com a irrigação por gotejamento, a única doença que tem aparecido na melancieira tem sido o oídio, que se controla facilmente com produtos à base de enxofre.

Economia de água

A maior economia de água tem sido nos primeiros 30 dias, que sem mulching pode chegar a 70%, e com mulching a 80%. Depois que a planta cobre cerca de 60% do solo, a economia de água gira entre 10 e 20%, considerando que as eficiências dos outros sistemas de irrigação sejam superiores a 85%, o que é difícil de acontecer.

Na irrigação por gotejamento, facilmente se consegue 90% de eficiência de aplicação. Assim, a economia total de água pode variar de 30 a 70%.

Foto 02O gotejo aumenta a produtividade e reduz a quantidade de água aplicada
O gotejo aumenta a produtividade e reduz a quantidade de água aplicada

Manejo de irrigação por gotejamento

Na irrigação por gotejamento, o espaçamento entrelinhas de plantas/linhas de gotejadores deve variar entre 2,0 e 2,5 m, de modo que a largura do bulbo a 20 cm de profundidade seja ao redor de 30% do espaçamento.

Neste caso, o coeficiente de cultura (Kc) para a fase inicial (até a planta cobrir 10% da superfície do terreno ” 20 a 25 dias após o plantio) é de 0,3, na fase dois (início da floração até a planta cobrir 70 a 80% da superfície ” até 40 a 45 dias).O valor do Kc é crescente, de modo que, ao final desta fase, o valor seja da ordem de 1,0.

Na fase três (fase de crescimento dos frutos ” até 55 a 60 dias) o valor pode iniciar em 1,0 e chegar a 1,2 aos 50 dias, dependendo da quantidade e tamanho de frutos na área, e na fase final (5 a 10 dias de duração ” período que antecede e durante as colheitas), o Kc deve ser reduzido de forma gradual para atingir, ao final, ao redor de 0,8.

A frequência da irrigação no início deve ser diária, ou duas vezes por dia.Na fase dois pode iniciar com uma irrigação por dia e chegar a duas por dia no final desta fase, enquanto nas fases trêse quatro deve-se manter duas irrigações por  dia.

Em caso de solos argilosos com alta capacidade de armazenamento de água, uma irrigação diária já é suficiente. No caso de solos arenosos (areia e areia franca) há necessidade de se acrescentar mais uma irrigação por dia para as fases dois e três.

Custo e retorno

O sistema de irrigação por gotejamento e por aspersão fixa tem o mesmo valor. No gotejamento, pode reduzir a potência da bomba e o consumo de energia, pois requer menos pressão. Os custos ficam entre R$ 5 mil e R$7 mil por hectare.

Podem-se utilizar gotejadores tipos fita com gotejadores integrados, que têm uma vida útil de um ano com três ciclos de cultivo por ano. Esta fita seria contabilizada como custeio, e ficaria no valor entre R$1 mil a R$1.250,00 por hectare por ano, dependendo do espaçamento adotado.

Os demais componentes seriam investimentos em motobomba; sistema de sucção e de recalque; cabeçal de controle ” filtro, injetor de fertilizante, manômetro, ventosas e registro; tubulações da linha principal e secundária e linha de distribuição; e conexões, que teriam vida útil de 10 anos. Neste caso, podemos estimar esta parte numa amortização de cerca de R$1.100,00 por ano.

 

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