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Desafios na produção de nogueira-pecã

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Autores

Eric Porto Gindri
Ricardo Avancini Trois
Catize Brandelero
Valmir Werner
Jaqueline Ottoneli
Departamento de Engenharia Rural – UFSM/MECANIZA – Laboratório de Colheita Florestal e Silvicultura de Precisão
laboratoriomecaniza@gmail.com

Um dos grandes desafios dos pequenos e médios produtores rurais, no Brasil, é manter um fluxo de caixa positivo e sustentável, gerenciar adequadamente a propriedade e competir no setor agrícola. Cada vez mais, o produtor precisa saber lidar com as variações climáticas e as oscilações de preço de mercado dos produtos. Assim, o investimento em culturas paralelas é uma importante alternativa para a diversificação da renda na propriedade rural.

A diversificação da produção permite aproveitar, da melhor maneira possível, o solo e os recursos existentes nas pequenas e médias propriedades rurais. O cultivo da nogueira-pecã, em pequenas propriedades, pode vir a ser uma importante fonte de renda alternativa aos produtores. O prazo de retorno do investimento normalmente ocorre em torno de sete a oito anos, com receitas a partir do quarto ano.

Diversificação

Como forma de diversificar a produção, o cultivo da nogueira-pecã vem tomando uma posição de destaque. Por ser uma cultura que não requer um manejo complexo, sua utilização se torna atraente para pequenos produtores.

A nogueira-pecã pertence à família das Jungladáceas, e seu nome científico é Carya illinoensis K. É uma árvore de grande porte, podendo alcançar 60 metros de altura e mais de um metro de diâmetro de fuste. Sua floração ocorre na primavera e a frutificação no outono.

O fruto é uma drupa e consiste numa noz com um envoltório carnoso de coloração esverdeada. As nozes possuem um alto valor comercial, pois tem grande procura no mercado, onde são consumidas in natura ou processadas.

Existe uma grande quantidade de cultivares de nogueira-pecã, cada qual adaptada a uma região, sendo importante a correta seleção no momento da implantação. As principais características que devem ser levadas em consideração são: precocidade, capacidade produtiva constante, qualidade do fruto e, principalmente, resistência a doenças.

Colheita da noz-pecã

A colheita da nogueira-pecã consiste em recolher as nozes que já atingiram a sua maturação fisiológica e que caem ao chão. As nozes podem ser colhidas a qualquer momento após a abertura da casca do fruto. A realização da colheita de forma prematura acarreta na obtenção de nozes com alta umidade, sendo necessário a sua secagem durante um período maior.

Mão de obra

Pelo baixo investimento na operação de colheita dos pomares, é comum a utilização de intensa mão de obra para promover a derrubada dos frutos das árvores. Neste método são utilizadas varas, que são erguidas manualmente até os galhos. O procedimento é repetido em todos os galhos da árvore, se tornando desgastante e cansativo, além de apresentar baixa produtividade.

Por outro lado, já estão disponíveis para comercialização máquinas e implementos que possibilitam a mecanização total da operação. A colheita mecanizada consiste em utilizar máquinas ou implementos que vibram a árvore, fazendo com que os frutos caiam ao mesmo tempo. Assim, é possível colher todas as nozes da árvore no mesmo momento, reduzindo a exposição do fruto sobre o solo e a predadores.

Sistema manual

A colheita manual das nozes consiste, basicamente, na derrubada das nozes das árvores com varas e a posterior coleta destas no solo. É o modelo de colheita mais comum e utilizado pela maioria dos pequenos produtores, por não necessitar de investimentos em máquinas e implementos.

A colheita manual das nozes é uma tarefa desgastante para quem a realiza, pois é necessário permanecer apoiado nos joelhos sobre o solo durante a catação das nozes, por um longo período. Essa postura de trabalho provoca dores de alta intensidade na região lombar e nos membros inferiores, podendo, a longo prazo, provocar desgaste ósseo na coluna vertebral.

Os trabalhadores, durante a operação, estão expostos a acidentes com insetos e animais venenosos que se encontram no solo. Dessa forma, é necessário fornecer e orientar sobre os equipamentos de proteção individual (EPI’s) básicos para os trabalhadores envolvidos nessa operação, tais como: capacete com alça ajustável, luvas, botinas, calças e perneiras.

A NR 17 determina que o responsável pela operação planeje paradas ergonômicas para os trabalhadores realizarem ginástica laboral, evitando, assim, lesões pela má postura durante a operação.

Neste método de colheita, o rendimento médio, por trabalhador, varia de 50 a 70 kg de nozes colhidas por dia, dependendo de fatores como: habilidade dos trabalhadores, distância entre as árvores e quantidade de nozes produzida por árvore.

O principal empecilho dos trabalhadores na colheita é a vegetação, que dificulta a localização e catação das nozes no solo, reduzindo a eficiência da operação. Assim, a utilização de sombrites ou lonas abaixo das árvores é uma alternativa interessante para facilitar a coleta manual das nozes e aumentar seu rendimento, podendo proporcionar maior agilidade na operação e segurança para os operadores.

Mecanização

Para a colheita da nogueira-pecã se dispõe de equipamentos acoplados aos tratores agrícolas que possibilitam a mecanização total ou parcial desse processo. Este consiste na trepidação da árvore, fazendo com que todas as nozes caiam ao mesmo tempo. Torna a operação mais rápida e eficiente, com a possibilidade do fornecer nozes com melhor qualidade, por realizar a colheita no momento mais adequado e com maior uniformidade de umidade da pecã.

Os implementos utilizados são conhecidos como Shaker e são importados. Há dois modelos de Shaker’s disponíveis para aquisição, diferindo apenas quanto à posição do braço hidráulico ou sistema de pinça, na parte dianteira ou traseira da máquina.

Junto à estrutura existe uma lona ou tela que é aberta sob a copa da árvore a ser colhida. Quando aberta, esta estrutura apresenta-se na forma de um guarda-chuva invertido, envolvendo a árvore e possibilitando a coleta nas nozes totalmente mecanizada.

As nozes não caem no chão, ficando acumuladas neste guarda-chuva, para então serem transferidas a um local de depósito pela abertura de uma comporta no fundo da estrutura, fazendo com que as nozes caiam por gravidade. Com ele é possível colher de 45 a 60 árvores por hora.

Mais alternativas

Existem também implementos que realizam a mesma função do Shaker e são acoplados a tratores agrícolas, já comercializados no Brasil em dois modelos. Um deles possui um rodado na parte traseira, o que possibilita a utilização de tratores de menor porte. Já o outro modelo não possui este rodado e deve ser utilizado em tratores com maior potência devido ao peso do equipamento, que é engatado no sistema de três pontos do trator.

Estes implementos realizam a trepidação da árvore, derrubando as nozes. Porém, a coleta dos frutos é realizada posteriormente de forma manual, o que o caracteriza como semi-mecanizado. Para sua utilização, os tratores agrícolas devem ter potência mínima de 75 cv, rotação de 540 rpm na saída para o eixo cardan, além de estarem equipados com sistema hidráulico e capota de proteção.

O implemento semi-mecanizado tem capacidade para realizar a colheita em árvores de 0,15 metro até 1,05 metro de diâmetro de tronco. Possibilita colher 100 árvores por dia ou mais, dependendo do pomar. Em alguns casos, o rendimento pode chegar a 30 árvores por hora.

Ambos os implementos dispõem de um braço hidráulico ou sistema de pinça, o qual é encaixado no tronco da árvore. Após o encaixe, o vibrador é acionado pela aceleração da máquina, que então transmite a vibração para a árvore, fazendo todas as nozes caírem. A vibração deve ocorrer por um período de, aproximadamente, cinco segundos.

Custos envolvidos

O Shaker é, atualmente, o implemento com maior eficiência para realizar a colheita da nogueira-pecã. Contudo, seu custo é ainda elevado devido às taxas de importação. É comercializado atualmente por, aproximadamente, R$ 185.000,00 para o Shaker com o sistema vibrador dianteiro, e R$ 155.000,00 para o Shaker com sistema de vibrador traseiro.

Já o implemento semi-mecanizado, que é comercializado no Brasil, tem custo aproximado variando de R$ 25.000,00 a R$ 35.000,00.

Reforça-se que o investimento para a mecanização da operação de colheita da nogueira-pecã é relativamente alto. É necessário que o produtor disponha de um pomar comercial, em idade produtiva, com área e produção considerável e, preferencialmente, manejado adequadamente. Essas características são de suma importância para que a aquisição seja economicamente viável.

Segundo as empresas fornecedoras desses implementos, é sugerido que o produtor tenha um pomar com área mínima de 40 hectares e com idade superior a oito anos, para assim oferecer uma produção adequada e que justifique a mecanização.

O manejo do pomar deve ser realizado para que as árvores apresentem uma altura da primeira bifurcação entre 0,8 a 1,0 metro do solo, facilitando a utilização destas.

Para auxiliar a aquisição dos implementos para a operação de colheita, existem linhas de créditos que permitem o financiamento.

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Terceirização

Com a expansão dos plantios comerciais de nogueira-pecã, algumas empresas terceirizadas já prestam serviço de colheita mecanizada aos produtores. São utilizadas máquinas modernas, como o Shaker, que tornam a operação mais eficiente, possibilitando que o produtor não tenha que contratar mão de obra.

O preço cobrado pelas empresas é variado e busca atender as limitações do produtor e do pomar, dependendo de fatores como a idade do plantio, localização e outros. Atualmente, o custo médio da colheita terceirizada é de R$ 12,00 por árvore colhida.

Inovações constantes

Com a expansão dos plantios de nogueira-pecã, é necessário que os produtores inovem e tecnifiquem o processo produtivo, principalmente no que diz respeito à operação de colheita. É fato que esta, quando realizada de forma manual, é de baixa eficiência e ergonomicamente prejudicial aos trabalhadores que a realizam.

Muitas empresas estão apostando continuamente na inovação e no desenvolvimento de equipamentos. Busca-se tornar a operação de colheita de frutos, como as nozes, uma tarefa confortável, que não represente esforço ao trabalhador e que seja eficiente. Desta forma, o produtor pode ampliar ao máximo a sua rentabilidade no campo.

Por meio do investimento na mecanização da colheita da noz-pecã, o produtor poderá vir a ser mais competitivo no mercado, fornecendo um produto de melhor qualidade e com maior eficiência. Cabe a este realizar uma análise criteriosa, durante a tomada de decisão, sobre mecanizar a sua operação. É imprescindível traçar uma projeção da produção, levando em consideração as flutuações dos preços de mercado das nozes, para definir a viabilidade do investimento.

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