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sexta-feira, julho 1, 2022
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É hora do plantio de café

 

Gustavo Hiroshi Sera

tsera@iapar.br

Tumoru Sera

DSc. Melhoramento genético de café e pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)

É hora do plantio de café - Crédito Luize Hess
É hora do plantio de café – Crédito Luize Hess

O plantio de café e o uso de mudas de boa qualidade representam etapas importantes para a cultura do café, pois esta pode ser explorada economicamente por 20 anos ou mais. O plantio de mudas de boa qualidade é essencial para proporcionar aos cultivares de café o máximo do seu potencial genético, e influi diretamente na formação da estrutura do sistema radicular e da parte aérea da planta, com reflexos a longo prazo.

O plantio do café tem início no mês de outubro e se estende até março. Normalmente, o plantio de mudas de meio ano pode ser feito no período entre dezembro a março, enquanto que as mudas de ano no período entre outubro a novembro. Também existe a alternativa do plantio nos meses de agosto e setembro, desde que seja utilizada a irrigação.

Passo importante

A escolha do cultivar que será plantado é extremamente importante e, atualmente, existem 127 opções de café arábica registradas no Ministério da Agricultura (MAPA). Porém, nem todas possuem alta produtividade, rusticidade e ampla adaptabilidade para as várias regiões cafeeiras.

A escolha do cultivar depende do espaçamento que será adotado, manejo e tecnologias que serão utilizadas, doenças mais frequentes na região e condições climáticas. Sem nenhum custo adicional, o cafeicultor poderá lucrar mais e diminuir os custos de produção somente pela escolha de cultivares com alta produtividade e com resistência às doenças.

Neste artigo será relatado as cultivares de café arábica que apresentam alta produtividade, rusticidade e ampla adaptabilidade, além de cultivares com resistência à ferrugem e tolerância à seca.

As mudas são fundamentais para o sucesso da atividade - CréditoLuize Hess
As mudas são fundamentais para o sucesso da atividade – CréditoLuize Hess

Produtividade, rusticidade e ampla adaptabilidade

Existem cultivares que são mais adaptados para regiões, climas e tratos culturais específicos, necessitando de um maior uso de tecnologia para expressar o máximo do seu potencial genético, que é o caso de cultivares derivadas do Sarchimor, como IAPAR 59, Tupi IAC 1669-33, IAC 125 RN.

Dos 127 cultivares registrados no MAPA, poucos apresentam alta produtividade, rusticidade e ampla adaptabilidade para várias regiões do Brasil. Atualmente, os materiais de ampla adaptabilidade mais utilizados no Brasil são cultivares antigos, como Catuaí Vermelho IAC 81, Catuaí Vermelho IAC 99, Catuaí Amarelo IAC 62 e Mundo Novo IAC 376-4, todos suscetíveis à ferrugem e outras doenças.

Entretanto, pesquisas efetuadas por vários institutos de pesquisa já comprovaram que novas cultivares já superaram a produtividade desses antigos cultivares dos grupos Catuaí e Mundo Novo.

Os novos cultivares que vêm se destacando pela alta produtividade, rusticidade e ampla adaptabilidade em diferentes regiões cafeeiras do Brasil (Minas Gerais, São Paulo e Paraná) são todos de porte baixo similar ao “Catuaí“, são: IPR 100, IPR 103, Arara, Acauã, Catucaí 24/137, Sabiá.

Em outro grupo de cultivares elites estão IPR 99, IPR 107 e Paraíso MG H 419-1, que também possuem alta produtividade e ampla adaptabilidade, porém, pouco menos produtivos do que os seis citados anteriormente.

Todos esses nove cultivares foram testados e comparados juntamente com os cultivares padrões, como Catuaí Vermelho IAC 81 e Catuaí Amarelo IAC 62. Os cultivares do “Catuaí“ ainda apresentam alta produtividade se efetuado o controle químico da ferrugem.

Entretanto, tem-se observado que esses nove cultivares citados apresentam produtividades superiores aos do “Catuaí“ em vários locais. Para o cultivar Arara existem ressalvas, pois, apesar de ser de alta produtividade, por enquanto esse cultivar está segregando para plantas com ramificações laterais (plagiotrópicas) do tipo eretas e semieretas, e podem atrapalhar na colheita mecanizada.

IPR 103, Sabiá e Catucaí Amarelo 24/137 vêm apresentando altíssimas produtividades em importantes regiões de Minas Gerais, como no Sul de Minas, Alto Paranaíba e Vale do Jequitinhonha.

Alta produtividade e rusticidade do cultivar IPR100K - Crédito Gustavo Sera
Alta produtividade e rusticidade do cultivar IPR100K – Crédito Gustavo Sera

Resistência à ferrugem

A ferrugem alaranjada do café, causada pelo fungo Hemileia vastatrix Berk. et Br., é a principal doença do café. O controle químico é muito eficiente, porém, demanda custos para os cafeicultores e nem sempre é realizado de forma adequada, causando grandes perdas na produção. A utilização de cultivares com resistência representa o meio mais econômico e ambientalmente correto para o controle dessa doença.

No passado, a maioria dos cultivares disponíveis no mercado com resistência completa à ferrugem eram derivadas do Sarchimor (“Villa Sarchi“ x “Híbrido de Timor CIFC 832-2“), como IAPAR 59, IPR 98 e Tupi IAC 1669-33, que apresentam um alto potencial produtivo, porém, precisam ter um manejo mais específico e são adaptadas para lavouras mais adensadas ou com fertirrigação e muito bem adubadas.

 

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