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terça-feira, abril 23, 2024
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Efeito do sentido de plantio no míldio da cebola

O sentido de plantio faz a diferença no controle do míldio da cebola.

Leandro Luiz Marcuzzo
PhD em Fitopatologia e professor – Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul
leandro.marcuzzo@ifc.edu.br 

Roberto Haveroth
Engenheiro agrônomo – IFC/Campus Rio do Sul

Dentre as doenças foliares que atacam a cultura da cebola e reduzem o seu potencial produtivo, destaca-se o míldio causado por Peronospora destructor. Atualmente, não há cultivares totalmente resistentes a esta doença e, por isso, o seu controle vem sendo feito com pulverizações frequentes de fungicidas protetores e sistêmicos.

O sentido do plantio interfere no míldio
Foto: Leandro Marcuzzo

Forma de controle

 Uma das maneiras de reduzir o uso de agrotóxicos é conhecer as condições que favorecem a ocorrência da doença, que envolvem o ambiente, o patógeno e o hospedeiro.

Em relação ao hospedeiro, o sentido de plantio pode interferir na ocorrência do míldio e aumentar a produtividade da cultura, constituindo-se em uma informação de relevância no avanço do manejo fitossanitário.

Diante do exposto, este trabalho teve por objetivo avaliar a efeito do sentido do plantio na ocorrência do míldio e a produtividade na cebola.

Pesquisa

O experimento foi realizado no setor de Horticultura do Instituto Federal Catarinense – Campus de Rio do Sul, no município de Rio do Sul – SC, (Latitude: 27º11’07’’ S e Longitude: 49º39’39’’ W, altitude 650 metros).

Mudas de cebola cv. Bola Precoce foram transplantadas a campo em experimento com tratamento no sentido de plantio da linha leste-oeste e outro com sentido de plantio na linha norte-sul.

Cada tratamento teve quatro repetições em uma área de 1,5 m x 1,5m e 10 plantas avaliadas em cada repetição previamente escolhidas e demarcadas aleatoriamente dentro de cada sentido de plantio para avaliação.

A calagem, adubação e tratos culturais seguiram as normas da cultura, exceto no uso de fungicidas, que não foram utilizados. Semanalmente por meio da análise visual da porcentagem de área foliar afetada pela doença (Wordell Filho e Stadnik), foi avaliada a severidade do míldio da cebola das plantas demarcadas.

Os dados de severidade foram integralizados e posteriormente foi calculada a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD).

Avaliação

Foi avaliada a produtividade (kg.ha-1) após a colheita dos bulbos das plantas para comparação entre os sentidos de plantio. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e comparados estatisticamente pelo teste F com nível de significância de 5%.

Por meio da análise estatística, constatou-se uma diferença na AACPD da doença em nível de significância de 5%. Conforme a tabela 1, o sentido de plantio norte-sul foi o que apresentou maior severidade, estando este com a sua AACPD 19,17% maior do que o sentido Leste-Oeste.

Tabela 1 – Área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) do míldio causado por Peronospora destructor e produtividade (kg.ha-1) da cebola conduzida em diferentes sentidos de plantio na região do Alto Vale do Itajaí (SC), IFC/Campus Rio do Sul

TratamentoAACPDProdutividade (Kg.ha-1)
Leste-Oeste556,57 b50.201 a
Norte-Sul688,57 a43.636 b
Médias diferem pelo teste de F 5%.

A Figura 1 demonstra o comportamento da doença ao longo das 13 semanas e verificou-se que a presença da doença iniciou-se na oitava semana após o transplante das mudas. 

Também foi constatado que o sentido leste-oeste manteve sua severidade final, que foi inferior ao sentido norte-sul em 9,8%.

Figura 1: Severidade do míldio da cebola causado por Peronospora destructor em diferentes sentidos de plantio na Região do Alto Vale do Itajaí (SC), IFC/Campus Rio do Sul.

Produtividade

Em termos de produtividade, o sentido de plantio influenciou no peso das plantas de cebola avaliadas. Conforme a tabela 1, a menor produção foi identificada no sentido norte-sul, o qual apresentou uma média de 1.642 kg.ha-1 a menos do que o sentido leste-oeste no peso total.

Os dois sentidos de plantio tiveram diferenças na produtividade, sendo o leste-oeste o que apresentou uma produção 13% superior quando comparado ao sentido norte-sul.

Conclusão

É possível concluir que o sentido leste-oeste apresentou, após integralizar os dados da AACPD, 19,17% inferior em comparação com o sentido norte-sul e com uma severidade final em 9,8%, demonstrando ser este o sentido mais propício para o manejo da doença nas condições avaliadas no experimento.

O sentido de plantio leste-oeste apresentou uma produtividade 13% superior em relação ao sentido norte-sul em infecção natural de Peronospora destructor.

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