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Enxertia: aliada no combate ao mal-do-panamá

Paula Almeida Nascimento
Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
paula.alna@yahoo.com.br

Créditos Shutterstock

A enxertia é a união entre duas partes de diferentes plantas que continuam seu crescimento unidas, tornando-se um único ser. São consideradas duas plantas: o cavalo ou porta-enxerto, que á a planta que contribui com o sistema radicular responsável pelo transporte de água e nutrição mineral, e o cavaleiro ou enxerto, que é a planta com as características que se quer reproduzir, como a copa que frutifica, sendo a parte responsável pela absorção da luz do sol e do carbono do ar para transformação da seiva bruta em elaborada, essencial à vida da planta.

Banana brasileira

A banana é a fruta fresca mais consumida no mundo e comercializada internacionalmente. O Brasil é considerado um grande produtor mundial e sua produção é estimada em mais de 7,1 milhões de toneladas destinadas ao consumo interno.

O Brasil é um grande produtor e também exporta sua produção. O agronegócio da banana é uma atividade altamente lucrativa e desenvolvida em todo o território nacional, com importante valor socioeconômico e abrangência geográfica.

A bananeira é conhecida como Musa sp., Monocotiledonae, Musaceae. Os seguintes sub-grupos e cultivares são importantes: Gros Michel (Gros Michel, Maçã), Cavendish (Nanica, Nanicão), Prata (Prata, Pacovan), Terra (Terra, D’Angola) entre outros.

Fitossanidade

No ciclo de desenvolvimento da bananeira a planta pode ser acometida por inúmeras doenças que podem destruir toda a lavoura e gerar grandes prejuízos aos produtores. Então, os produtores precisam ter conhecimento das principais doenças para adotar medidas preventivas, e assim evitar perdas na produção.

As doenças podem ser classificadas como fúngicas, viróticas, bacterianas ou causadas por nematoides. Quando cultivadas em ambientes quentes e úmidos, as bananas são altamente suscetíveis a doenças relacionadas com a raiz, folhas e fruto. A principal doença do sistema radicular é o Fusarium oxysporum, também conhecido como mal-do-panamá.

A cultivar Gros Michel foi substituída pelas cultivares do subgrupo Cavendish nos plantios comerciais por causa de sua suscetibilidade ao mal-do-panamá, um fungo de solo que apresenta alta capacidade de sobrevivência nesse ambiente, mesmo na ausência da planta hospedeira.

Suscetibilidade e resistência a doenças

Entre as variedades de banana mais cultivadas no Brasil, a mais suscetível ao mal-do-panamá é a Maçã, que pode ser classificada como altamente suscetível. Todavia, são também classificadas como suscetíveis a Prata, Prata Anã, Pacovan, Fhia 18, Pioneira e Gros Michel.

Entre as variedades resistentes, destacam-se: as pertencentes ao grupo AAA (Nanica, Nanicão, Grande Naine e Caipira), as pertencentes ao grupo AAB (Terra, Terrinha, D’Angola e Thap Maeo), e as pertencentes ao grupo AAAB (Pacovan Ken, Prata Graúda, Maravilha, Vitória e Japira).

O fungo é um patógeno de solo e as alterações que ocorrem no solo podem influenciar a sobrevivência do agente causal. O agente causal do mal-do-panamá pode ser disseminado por qualquer atividade que envolva movimentação de solo em bananal afetado pela doença, como: aração, gradagem, capina, desbaste com Lurdinha, movimentação de homens e animais.

Todavia, a forma mais eficiente de disseminação e que mais prejuízos causa é a utilização de mudas infectadas.

Sintomas externos:

 • Amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas, inicialmente nos bordos do limbo e com evolução no sentido da nervura principal;

• Murcha, seca e quebra das folhas junto ao pseudocaule, que fica pendente, o que confere à planta a aparência de um guarda-chuva fechado;

 • Rachadura do pseudocaule, próximo ao solo;

 • As folhas centrais geralmente permanecem eretas;

• Adicionalmente, pode-se observar um estreitamento do limbo das folhas mais novas e um engrossamento das nervuras e necrose do cartucho.

Sintomas internos

• Em corte transversal do pseudocaule, observa-se uma coloração pardo-avermelhada nos vasos do xilema, em forma de pontos na área periférica das bainhas, na maioria dos casos com área central sem sintomas;

 • O corte transversal do rizoma também exibe coloração vascular pardo-avermelhada;

 • Em corte longitudinal no pseudocaule ou nervura principal das folhas, observa-se a coloração vascular pardo-avermelhada, com linhas contínuas e de formato regular;

 • Em corte longitudinal de raízes secundárias, observa-se a coloração pardo-avermelhada. Raízes secundárias são locais de penetração do patógeno.

Manejo do mal-do-panamá

• Não plantar material suscetível em locais com histórico da doença;

• Dar preferência a plantios de variedades resistentes: ‘BRS Princesa’ (tipo Maçã); ‘BRS Platina’ (tipo Prata); Pacovan Ken (tipo Pacovan); Nanica (tipo Cavendish); Conquista (tipo Mysore); entre outras;

• Realizar correção de pH do solo, mantendo-o próximo à neutralidade;

• Fertilização equilibrada, mantendo níveis ótimos, principalmente com relação a potássio, cálcio e magnésio;

• Evitar a utilização de fontes amoniacais e ureia para fertilização de nitrogênio;

• Manter nematoides e broca do rizoma sob controle;

• Manter o nível elevado de matéria orgânica no solo;

• Utilizar a roçagem do mato em substituição à utilização de herbicidas e capinas manuais ou mecânicas.

Inovações em enxertia

Os pesquisadores britânicos descobriram uma nova maneira de combinar duas espécies de plantas semelhantes às gramíneas, incluindo banana, arroz e trigo, usando tecido embrionário de suas sementes.

O procedimento permite que características benéficas, como resistência a doenças ou tolerância ao estresse, sejam adicionadas às plantas. A enxertia é uma técnica muito utilizada na agricultura para manejo de estresses bióticos com os nematoides, fungos e bactérias de solo e também pode auxiliar a minimizar os efeitos negativos de estresses abióticos, como a seca, temperaturas extremas, salinidade e deficiência de nutrientes.

Então, apresenta muitas dificuldades enxertar plantas semelhantes a gramíneas do grupo conhecido como monocotiledôneas, porque carecem de um tipo de tecido específico, denominado câmbio vascular em seu caule.

Desta forma, pesquisadores da Universidade de Cambridge descobriram que os tecidos da raiz e do caule retirados das sementes de gramíneas monocotiledôneas, representando seus primeiros estágios embrionários, se fundem com eficiência. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Alvos

A pesquisa visa o controle de patógenos graves transmitidos pelo solo, incluindo o mal- do-panamá, ou ‘Raça Tropical 4’, que destrói plantações de banana há mais de 30 anos. Uma recente aceleração na propagação desta doença gerou temores de escassez mundial da bananeira.

Os cientistas conseguiram algo que muitos pesquisadores disseram ser impossível. “O enxerto de tecido embrionário tem um potencial real em uma variedade de espécies semelhantes a gramíneas.

O professor Julian Hibberd, do Departamento de Ciências Vegetais da Universidade de Cambridge, autor sênior do relatório, descobriu que, mesmo as espécies relacionadas distantemente, separadas por um tempo evolutivo profundo, são compatíveis com o enxerto.

Assim, a técnica permite que monocotiledôneas da mesma espécie, e de duas espécies distintas, sejam enxertadas com eficácia. Enxertar raízes e tecidos do caule geneticamente diferentes pode resultar em uma planta com novas características, que vão desde brotos anões até resistência a pragas e doenças.

Segundo os cientistas britânicos, a técnica foi eficiente em uma variedade de plantas de cultivo monocotiledôneas, incluindo abacaxi, banana, cebola, agave, tequila e tamareira. Após inúmeros testes de laboratório, incluindo a injeção de corante fluorescente nas raízes da planta pode-se observar subir na planta e através da junção do enxerto.

“Eu li décadas de trabalhos de pesquisa sobre enxertos e todo mundo disse que isso não poderia ser feito em monocotiledôneas. Fui teimoso o suficiente para continuar – por anos – até que provei que eles estavam errados”, disse o Dr. Greg Reeves, um especialista em Gates Cambridge Scholar no Departamento de Ciências Vegetais da Universidade de Cambridge e primeiro autor do artigo.

Ele acrescentou: “é um desafio urgente tornar importantes safras de alimentos resistentes às doenças que as estão destruindo. Nossa técnica nos permite adicionar resistência a doenças ou outras propriedades benéficas, como tolerância ao sal, a plantas semelhantes a gramíneas, sem recorrer à modificação genética ou programas de melhoramento extensos.”

O comércio da banana no mundo é baseado em uma única variedade, chamada Cavendish, um clone que pode suportar transporte de longa distância. Sem diversidade genética entre as plantas, a cultura tem pouca resiliência a doenças.

E as bananas Cavendish são estéreis, então, a resistência a doenças não pode ser cultivada em futuras gerações da planta. A doença mal-do-panamá é uma ameaça mundial e vários produtores e pesquisadores estão buscando maneiras de impedir seu avanço nas lavouras.

A enxertia é uma técnica muito antiga e usada por outro grupo de plantas – as dicotiledôneas. A fruticultura brasileira tem conseguido sucesso e produtividade por meio do uso da enxertia, principalmente nas lavouras de citros.

Colheitas de pomares dicotiledôneas, incluindo maçãs e cerejas e colheitas de culturas anuais de alto valor, incluindo tomates e pepinos, são rotineiramente produzidas em plantas enxertadas, porque o processo confere propriedades benéficas, como resistência a doenças, maior produtividade e floração precoce.

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