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domingo, agosto 14, 2022
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Especialistas debatem ecossistemas sustentáveis e inovadores ao agronegócio do futuro

Lavoura – Crédito: Shutterstock

Produção sustentável de alimentos frente às mudanças climáticas e inovabilidade também foram tema do Fórum AgriFutura

Sustentabilidade foi a palavra que norteou as discussões do Fórum AgriFutura como principal pilar aliado à inovação e tecnologia para o avanço do agronegócio e da segurança alimentar mundial. O evento, realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em 12 e 13 de março, no Instituto Biológico (IB-APTA), antecipou tendências, problemáticas e soluções, com a perspectiva de oferecer mais alimento, com maior produtividade e respeito à terra e aos ecossistemas.

Mudanças climáticas, segurança alimentar da população, alternativas de produção, inovação e tecnologia tiveram amplo espaço de debate durante o Fórum. O evento conectou várias pontas da cadeia produtiva, como os setores de pesquisas, desenvolvedores de startups e o próprio mercado na busca por tecnologias, processos e políticas públicas. Dessa conexão devem surgir novos negócios, com impacto positivo para a sociedade, do campo ao consumidor.

O primeiro painel do Fórum abordou os Ecossistemas de Inovação no Agronegócio, com apresentações de iniciativas inovadoras do estado em parcerias público-privadas, além de discutir a segurança jurídica e a agilidade do sistema, com destaque para a importância da integração entre os hubs de inovação do agronegócio e linhas de financiamento disponíveis para pesquisa.

Para essa discussão participaram os especialistas Luciana Harumi Hashiba, vice-coordenadora do FGVin – Centro de Inovação da FGV EAESP e coordenadora de Inovação da Fapesp; Rafael Andery, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo; José Augusto Tomé, CEO da AGTech Garage; e Sergio Tutui, coordenador da APTA. Eles abordaram a inovação no setor, que ocorre por meio de diversos agentes na cadeia de produção, como um fator preponderante para o desenvolvimento sustentável do agro.

O financiamento da inovação do agro por meio de iniciativas do Governo do Estado foi abordado pelos debatedores, que destacaram os avanços alcançados com a Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), um programa da Fapesp que apoia a execução de pesquisa científica e tecnológica em empresas no estado.

 Rafael Andery, falou sobre a necessidade da transição de uma agricultura industrial para digital, processo em pleno avanço no país. Aliado a isso, as iniciativas do Governo do Estado de SP, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, fomentam cada vez mais a relação entre o ambiente das universidades e as startups, junção que alavanca o crescimento produtivo e melhora os indicadores sociais.

 Mudanças climáticas

Com foco na Produção sustentável de alimentos frente às mudanças climáticas, o segundo painel do AgriFutura trouxe ideias para alavancar soluções de curto, médio e longo prazo para o setor produtivo, com a apresentação de alternativas tecnológicas e de proteção ao meio ambiente que ajudam a garantir a segurança alimentar da população.

Com a previsão de que a temperatura global aumente em torno de 1,5 ºC a 2ºC neste século e os aumentos de eventos extremos, longos períodos de estiagem, chuvas intensas e calor excessivo em diferentes partes do planeta, os desafios para a agricultura são urgentes.

Uma projeção feita com este cenário no plantio de soja, no centro-oeste do Brasil, onde se concentram as maiores produções, o impacto causado pelas altas temperaturas será de seca extrema nessa região. Este fato exigirá ter mais variedade de sementes resistentes ao estio, atrasar e ou antecipar a semeadura em relação à época recomendada, gerando impactos como a redução de produtividade e a dificuldade no planejamento de plantio nas lavouras. 

A diretora da Unidade de Agricultura e de Meio Ambiente do Instituto Biosistêmico, Priscila Terrazzan, explicou, em sua palestra, que a agricultura do planeta terá que viabilizar soluções para problemas cada vez mais complexos, como produções a céu aberto sob a influência de um clima que não é controlado; restrições de produtividade que ampliam o desafio de ofertar mais alimentos; gastos com energia, insumos e mão-de-obra cada vez mais altos; necessidade de assistência técnica; custos com equipamentos e infraestrutura; falta de sucessores nas propriedades rurais e pressão para os ajustes no mercado.

Segundo Priscila, existem hoje tecnologias que podem contribuir para reduzir a emissão de CO2, um dos grandes diferenciais do setor para a adaptação e enfrentamento das mudanças climáticas. Ela aponta para a necessidade de implantar essas medidas, como a redução do desmatamento, implementação de ILPF, plantio direto, agricultura regenerativa, biodefensivos, aumento da escala de qualidade e eficiência, e fazer a mensuração de emissão de CO2, como forma de mitigar os problemas que se avizinham.

 Inovabilidade

O terceiro e último painel do AgriFutura discutiu a Inovabilidade. Mediado por Cyntia Curcio, líder de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fundepag contou com debatedores e palestrante que apresentaram projetos de sucesso, que já geram importantes resultados para o agronegócio.

João Ceridono, da Quintessa, Gestor de Programas em Parcerias, trabalha com inovação sustentável desde 2009, e ressaltou que o grande desafio está na mudança de mentalidade nos negócios: “As inovações têm que ser inevitavelmente sustentáveis”.

A palestra de Ceridono esteve recheada de exemplos, cases sobre a inovabilidade, elucidando pontos, como redução de custos, geração de receitas, diminuição de impacto ambiental e inovações de startups que possibilitam bater as mais variadas metas de sustentabilidade. “É olhar a sustentabilidade de forma transversal, em todos os lugares da empresa, e podendo gerar dinheiro.”

A debatedora Renata Branco Arnandes, diretora do Departamento de Gestão Estratégica da APTA e pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), expôs sobre a sustentabilidade na pecuária e tecnicamente desmistificou muitas informações que circulam atualmente. “Apesar de causar certo desconforto quando se aborda o tema, posso dizer que não há nada mais sustentável que a pecuária. A pecuária é parte da solução.”

O Brasil assumiu um compromisso de reduzir em 30% as emissões de metano. E os trabalhos científicos mostram que as tecnologias geradas conseguem trabalhar para o sequestro do gás. “A pesquisa mostra que a pecuária pode ser uma aliada na redução das emissões de metano, pois no ruminante é cíclico – o animal consome capim verde e gramínea seca, e transforma de novo em proteína de alto valor biológico”, destaca Renata. Ela ainda salienta para quem deseja inovar e empreender no agro, a visitar um Instituto de Pesquisa, para estabelecer o elo neste ecossistema da inovação.

Para Natália Zanon Carvalho, empresária e sócio-fundadora da ZanonAgro, o maior desafio é integrar a pesquisa com o empreendedor e as iniciativas de inovação existentes. “Para empreender de forma sustentável e inovadora, basta buscar e torna-se o elo nesse meio”, destacou.

O diretor de Pesquisa de Novos Negócios do Grupo Jacto, Tsen Chung Kang, falou sobre a Convergência Biodigital 1.0, com três cadeias – do agro, alimento e saúde -, e refletiu sobre a escada do empreendedorismo. “Temos que construir essa carreira de empreendedor, iniciando na base, desde muito cedo, já descobrir quem são os diamantes da área. A sustentabilidade da inovação passa por um processo de desenvolvimento de empreendedores, e vocacionar essa pessoa é importante para o Brasil”.

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