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Fertilizantes com ácidos húmicos – mais resistência a intempéries

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Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

Fertilizantes com ácidos húmicos - mais resistência - Crédito Ana Maria Diniz
Fertilizantes com ácidos húmicos – mais resistência – Crédito Ana Maria Diniz

Os ácidos húmicos e fúlvicos são materiais derivados de sedimentos orgânicos, como turfas e outros, e dos mesmos podem ser isolados. Exercem múltiplos efeitos no desenvolvimento das plantas, pois beneficiam o metabolismo da planta, a respiração e fotossíntese.

Também, estimulam o crescimento radicular e de biomassa vegetal. Assim, os ácidos húmicos beneficiam a agricultura em geral. Diversos trabalhos mostram o efeito direto das substâncias húmicas sobre a ação de algumas enzimas, como o que ocorre em relação à supressão da atividade da enzima AIA-oxidase, o que causa aumento de teores de ácido indolacético (AIA) no tecido vegetal, resultando em maior desenvolvimento e produção da planta.

Esclareça-se que os ácidos húmicos interferem diretamente na qualidade física do solo, por promoverem uma aproximação das partículas e, consequentemente, a maior agregação dos solos. O processo de agregação dos solos influi diretamente sobre outras características como, por exemplo, a densidade, porosidade, aeração, capacidade de retenção e infiltração de água no solo.

Contudo, a agregação é o ponto de partida, sem a qual os demais benefícios para o solo não ocorrem. Então, tais ácidos melhoram as propriedades físicas e biológicas dos solos, colaboram com a formação de compostos fisiologicamente ativos, influenciando o desenvolvimento das raízes e a absorção de nutrientes, e favorecem a produtividade vegetal.

Por possuírem cadeias muito grandes, as substâncias húmicas têm alta capacidade de retenção de água, o que colabora para a manutenção de agregados estabilizados nos solos.

Sua capacidade de reter água é 20 vezes superior que as dos solos sem matéria orgânica, o que justifica a maior capacidade de plantas sobreviverem melhor em solos com grande quantidade de substâncias húmicas durante o período de déficit hídrico.

Mais nutrição

As substâncias húmicas estão relacionadas com o aumento da disponibilidade de nutrientes para as plantas, o que se concretiza devido às características coloidais que apresentam, o que lhes confere alta reatividade, podendo, então, interferir diretamente no pH, efeito tampão, CTC e dessalinização de solos com altos índices de sódio.

O efeito de redução de salinização ocorre pela ação complexante do íon sódio no solo, podendo o mesmo ser empregado na recuperação de solos com altos índices salinos. Tais substâncias colaboram, ainda, para a capacidade do solo em reter e disponibilizar nutrientes adsorvidos ao solo, principalmente com relação ao fósforo retido, influenciando, inclusive, na capacidade de troca catiônica do solo.

Como os ácidos húmicos apresentam alta CTC, são capazes de promover o aumento de tal característica dos solos, principalmente nas camadas superficiais, onde ocorre grande parte da vida microbiológica.

Então, pode-se concluir que os ácidos húmicos e fúlvicos podem influenciar positivamente a vida vegetal, favorecendo a estruturação do solo.A ativação que promove no metabolismo aumenta o nível de energia, tão importante para o enraizamento, desenvolvimento e produtividade das culturas.

Atenção

Para se obter êxito no cultivo de qualquer espécie vegetal, alguns aspectos são fundamentais, como a disponibilidade de água e de nutrientes e solos bem estruturados. As espécies florestais, apesar do consenso quase geral de implantar os povoamentos em solos considerados marginais, não são exceção.

Ao se implantar as mudas florestais no campo o “pegamento“ é essencial: taxas de replantes altas oneram o custo de formação do povoamento. Replantes até cerca de 10% são aceitáveis do ponto de vista econômico.

A nutrição, para as espécies florestais, se revela importante, principalmente porque o cultivo das mesmas ocorre em solos não férteis. As espécies variam quanto à tolerância a acidez do solo, o que deve ser considerado na verificação da necessidade de calagem: eucaliptos e pinus explorados no Brasil são resistentes à acidez e excesso de manganês. A calagem tem como objetivo maior elevar os teores de Ca e Mg nos solos do que a correção do pH.

Com relação à adubação, são necessárias informações em relação à extração de nutrientes e sobre os períodos de maior exigência, os níveis de nutrientes no solo e a resposta da espécie à adubação.

É importante lembrar que, para se obter produtividades econômicas, solos férteis e equilibrados (de acordo com a espécie vegetal a implantar) são fundamentais.Observe-se, assim, que as florestais são iguais a qualquer cultura agrícola: precisam de água, solos estruturados e férteis. Acresça-se, ainda, de temperatura adequada (que varia com a espécie cultivada).

Então, o plantio e condução das espécies em questão dependem, como em todas as outras, de solos bem estruturados e preparados e, ainda, com correção de fertilidade adequada, equilibrados microbiologicamente e que tenham boa disponibilidade de água.

Adicione-se que quando da implantação das florestas, se ocorrer deficiência hídrica o “pegamento“ é prejudicado. Neste panorama os formulados com ácidos húmicos e fúlvicos podem ter papel de destaque pela melhoria que o seu uso pode trazer ao meio.

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