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Sul lidera a produção de peras

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A produção nacional de peras está, atualmente, em 21.990 toneladas, concentrada principalmente na região sul, enquanto no Sudeste a área plantada reduziu em 86%.

 

 Crédito Shutterstock
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No total, 1.400 hectares brasileiros são dedicados ao plantio da pera, que apresenta produtividades médias de 11.063 kg, e máximas de 20.000 kg/ha.Na atualidade, os principais produtores, em ordem decrescente, são os Estados do Rio Grande do Sul (642 ha), São Paulo (235 ha), Santa Catarina (221 ha), Paraná (215 ha) e Minas Gerais (114 ha).

Vale ressaltar que o Brasil produz apenas 17.000 toneladas anuais de peras das espécies Pyruscommunis e P. serotina, porém, consome quase dez vezes mais, equivalente a1,2 kg por pessoa.

 

Oferta e demanda

Segundo Ricardo Antonio Ayub, doutor e professor de Fruticultura da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a oferta de pera é baixa, sendo que o Brasil importa 200 mil toneladas, o que representa 50% da importação nacional de frutos. “Portanto, a demanda é excelente, mas os entraves à produção nacional, como falta de material genético adequado e a demora para entrar em produção impedem a expansão da cultura“, lamenta.

Exportação x importação

Quase a totalidade da pera consumida no Brasil é importada. “As razões para esta situação estão na impossibilidade de produzir eficientemente as variedades europeias e na baixa qualidade das peras d’águas produzidas aqui, situação esta que pode ser em parte modificada no futuro próximo“, avalia Ricardo Ayub.

Com a falta de produção, restou para o Brasil a importação do produto, principalmente dos países vizinhos como Argentina e Chile e, em menor escala, dos Estados Unidos e da Europa.

Crédito SXC
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Opções de organização de produção

Regiões mais frias tendem a colher mais tardiamente que regiões quentes, além de produzirem frutas de melhor qualidade. Desta forma é natural que devam se especializar na produção de frutas para serem armazenadas (semelhante ao que ocorre em Fraiburgo (SC) e Vacaria (RS)).

Já regiões quentes têm maior vantagem competitiva para frutas precoces, cujo período de colheita é relativamente flexível e dependente do uso de variedades com menor exigência em frio, micro clima e da data de quebra de dormência.

Exigências da cultura

O plantio de variedades com exigência em frio próximo do limite mais baixo incorrerá em perdas ocasionadas por geadas tardias em anos frios. Por outro lado, variedades no limite superior em condições naturais terão dificuldades de brotação em anos quentes.

A interação entre o conhecimento sobre o comportamento da variedade e da utilização de técnicas de quebra de dormência são instrumentos fundamentais para a produção de pera nos Estados do Sul.

No caso de peras, qualidade dos frutos não é tão afetada como em maçã. Entretanto, os frutos têm a casca mais amarelada e com menos russeting em regiões mais frias.

 

Crédito Pixabay
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Vale o quanto pesa

O custo de produção da pera está entre R$ 45 mil a R$ 100 mil, dependendo da tecnologia empregada. Por outro lado, Ricardo Ayub garante que a rentabilidade pode ser boa, se em condições de clima mais frio o produtor trabalhar com a pera Rocha, variedade portuguesa que tem se adaptado às condições climáticas do sul do Brasil. “O lucro pode ficar entre R$ 10 mil eR$ 20 mil por hectare“, calcula.

Tendências

 

Ricardo Antonio Ayub, doutor e professor de Fruticultura da Universidade Estadual de Ponta Grossa - Crédito Arquivo pessoal
Ricardo Antonio Ayub, doutor e professor de Fruticultura da Universidade Estadual de Ponta Grossa – Crédito Arquivo pessoal

A tendência, com a alta do dólar, é que a importação desta fruta diminua, assim como o consumo interno. Assim, há uma necessidade urgente de investimentos de longo prazo na pesquisa relacionada à cultura da pera para que o País possa se tornar autossuficiente na produção deste fruto.

Pesquisas recentes têm mostrado a possibilidade de que variedades precoces desenvolvidas no IAC possam ser produzidas no Nordeste. “Porém, são materiais de pouca qualidade, quando comparados às peras europeias, como a cv. Williams, que ainda domina o mercado“, avalia o professor da UEPG.

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