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Fertilizantes especiais proporciona melhor desempenho no milho

Rafael Rosa RochaEngenheiro agrônomo e mestrando em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)rafaelrochaagro@outlook.com

Milho – Crédito: Ademir Torchetti

Os fertilizantes especiais são adubos com formulações diferenciadas, desenvolvidos para atender às necessidades específicas da produção de uma determinada cultura, e têm demonstrado ótimos desempenhos no milho.

Essa característica faz com que o desempenho desses fertilizantes seja ainda melhor, quando comparado aos convencionais, já que eles possuem exatamente os macro e micronutrientes que as plantas precisam.

Quem são eles

Mas, afinal, o que são esses fertilizantes especiais? Que benefícios podem trazer para o produtor de milho? De forma simples, os fertilizantes especiais são produtos advindos da adição de tecnologias que visam aumentar a eficiência destes fertilizantes, podendo ser utilizados em substituição aos fertilizantes minerais convencionais ou associados aos mesmos, com o objetivo de fornecer, de forma eficaz e equilibrada, nutrientes às culturas.

Dentre os fertilizantes especiais que podemos citar estão os fertilizantes minerais, orgânicos, organominerais, biofertilizantes, substratos para plantas e condicionadores de solo.

Desta forma, a utilização desse tipo de fertilizante tem por finalidade reduzir as perdas e aumentar o aproveitamento dos nutrientes, proporcionando maior eficiência do mesmo e, em muitos casos, promovendo a disponibilização gradual dos nutrientes à planta.

Além disso, melhora as propriedades físicas do solo (estruturação, armazenamento de água, drenagem interna nos microporos, diminui a variação brusca de temperatura do solo que interfere nos seus processos biológicos e na absorção de nutrientes pelas plantas); químicas (aumenta o poder tampão, a CTC do solo e a disponibilização de nutrientes) e microbiológicas (favorece a biodiversidade e proliferação de microrganismos benéficos ao sistema solo-planta).

Opções

Existem variadas fórmulas para enriquecer o solo, algumas que combinam elementos e outras que contam com um único nutriente de forma concentrada. O uso de cada uma depende de diversos fatores, como as deficiências do solo, as necessidades nutricionais das espécies cultivadas e a fase de crescimento da planta, já que estágios diferentes podem requerer nutrientes distintos.

Seja qual for o caso, os fertilizantes especiais são uma boa opção, pois tanto na adubação foliar como na convencional, promovem uma absorção rápida que, por consequência, nutre o solo e as plantas com agilidade. Ou seja, com os fertilizantes especiais você oferece os nutrientes corretos na dose certa para cada cultura e consegue corrigir deficiências ou mesmo fortalecer ainda mais as espécies, de forma ágil e eficiente.

E assim, como no nas demais culturas o milho também tem obtidos ótimos resultados, em relação a diminuição de estresses hídricos, aumento de produtividades e rentabilidade com o uso correto de adubos em suas áreas de produção.

Benefícios

O uso de aminoácidos nas composições desses fertilizantes tem colaborado para diminuir de maneira considerável o estresse das plantas a fatores como altas ou baixas temperaturas.

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E em relação a ganhos com o uso correto na adubação, resultados demonstram que o uso da adubação nitrogenada na cultura do milho, considerando a demanda precoce da planta pelo nutriente, trouxe um incremento de 18 sacas por hectare com o fornecimento incorporado no sulco de semeadura, utilizando 60% do N com fonte convencional em mistura com 40% com fonte protegida, quando comparado ao manejo padrão.

Assim, 100% de ureia convencional foi aplicada em superfície quando o milho se encontrava nos estádios de desenvolvimento V2 e V4, demonstrando a importância do uso dos fertilizantes especiais.

Outros ganhos positivos no milho são a utilização do fertilizante especial de liberação progressiva, reduzindo a perda de nitrogênio e fornecendo-o de forma equilibrada para a planta, provendo a absorção para as plantas, tendo resultados de ganhos de 170 sacas por hectares de milho em DF.

Pesquisas

Guareschi et al. (2013), em estudo realizado a campo em Rio Verde (GO), avaliando o desempenho de milho sob sistema plantio direto decorrente da aplicação de ureia revestida por polímeros, concluíram que a aplicação da ureia revestida com polímero na dose de 150 kg ha-1 de N apresentou maior produtividade de milho, comprimento de espigas e massa de 1.000 grãos, quando comparado à ureia sem revestimento.

Leão (2008), comparando tratamentos com a aplicação de ureia revestida com polímeros e ureia convencional na adubação de cobertura da cultura do milho, constatou que houve uma redução da volatilização de nitrogênio e da atividade da enzima de uréase, quando aplicados os fertilizantes com revestimento.

Investimento x retorno

Para falar de custo é preciso avaliar o custo adicional com o uso desses produtos e relacionar com os benefícios para a cultura do milho e os fatores para tomada de decisão, pois considerando que insumos voltados à correção e adubação do solo representam mais de 35% do custo total de produção na lavoura.

Antes da adoção de qualquer tecnologia, o produtor precisa entender quais são as limitações encontradas em seu sistema e, principalmente, nas condições do solo. Também é fundamental a percepção da exigência nutricional da cultura do milho, a disponibilidade hídrica e o momento adequado para a aplicação.

A relação custo-benefício dos produtos é satisfatória, com ganhos de produtividade entre três e cinco sacas adicionais por hectare, quando comparado ao não uso de fertilizantes especiais.  Já a utilização de um fertilizante organomineral via solo pode representar economia de até 20% no aporte de macronutrientes primários. E o investimento médio por hectare em organominerais é muito parecido com o do fertilizante tradicional.

Erros e acertos

Na implantação dessa técnica deve-se ter as mesmas medidas em relação a correções de adubação ao solo ou fornecimento às plantas em desenvolvimento. Deve-se, inicialmente, ter um levantamento de análises dos solos com macro e micronutrientes presentes nele, conhecer as características e o potencial genético das culturas e, ainda, levar em consideração as particularidades da região na qual se deseja implantar esses fertilizantes e a necessidade do milho para sua região.

Só após se deve fazer o levantamento de quais os melhores fertilizantes a serem empregados em suas áreas, sempre lembrando da relação custo-benefício.

Essas análises iniciais e durante a condução das culturas do milho são necessárias para evitar erros com excesso ou falta de algum nutriente essencial, o que, além de influenciar no custo, também interfere negativamente na produção, refletindo nos lucros.

Outro erro frequente é a utilização de doses superiores por volume de água por hectare, sendo uma prática errônea por produtores que visam aumentar a produtividade das culturas. Entretanto, não se deve ser realizada, pois só aumenta os custos de produção, sem apresentar ganhos expressivos.

Além disso, práticas de pulverização dos produtos em horas ou dias mais quentes podem comprometer sua eficácia, como também interferir negativamente na absorção via foliar. O agricultor sempre deve seguir as instruções do fabricante e contar com assessoria técnica para executar a aplicação de fertilizantes especiais em sua área.

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