Floresta 4.0 e povoamento: é possível?

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O uso racional do solo e a preservação de formações vegetais naturais e seus recursos, de acordo com os preceitos da legislação vigente, têm sido uma busca constante da silvicultura brasileira. Esse compromisso tem permitido a elevada produção de madeira com grande emprego de tecnologia e em consonância com princípios do desenvolvimento ecologicamente sustentável. Confira, no artigo abaixo, a discussão sobre povoamentos 4.0 no conceito de Floresta 4.0.

José Geraldo Mageste
Engenheiro florestal, PhD e professor – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
jgmageste@ufu.br

Adalberto Brito de Novaes
Doutor e pesquisador – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) adalberto@uesb.br

Luiz Fernando Schettino
Engenheiro florestal, professor/doutor – aposentado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
fernando.schettino@gmail.com

Floresta 4.0: inovação e automação

Implantar povoamentos 4.0 ou dentro do conceito de Floresta 4.0 está intimamente ligado ao da Indústria 4.0. O que ambos têm em comum é que são impulsionados pela inovação e automação nos processos do dia a dia e a integração de diferentes tecnologias, como inteligência artificial, robótica, internet das coisas e computação em nuvem. Isto já vem acontecendo nos locais mais remotos do nosso país e com assistência técnica de profissionais altamente preparados e capacitados. O fato relatado a seguir ilustra este grau tecnológico atual.

Em uma organização de base de silvicultura de eucalipto, foi solicitado fazer um plantio de 20 hectares, onde seria instalado um experimento. A implantação seguiu os rigores de um povoamento 4.0, com máximo rigor.

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  • Florestas plantadas melhoram a qualidade de vida no planeta
  • Foram realizadas as adubações de implantação e cobertura para máxima produtividade. Cada árvore foi georreferenciada obedecendo rigorosamente o espaçamento de 3,6 x 2,6 m. As mudas foram confirmadas de mesma identidade genética.
  • Os tratos silviculturais foram seguidos à risca. Depois de cinco anos de implantação, a avaliação de produtividade mostrava um volume 22,5% maior do que uma área comum da organização.
  • Foi divulgado para os engenheiros florestais responsáveis de que não haveria experimentação alguma naquela área, que se desejava apenas um rigor do uso das tecnologias disponíveis. Este foi um cultivo Florestal 4.0, demonstrado que já é uma realidade para as condições brasileiras.
  • Precisa-se ainda evidenciar que a estrita observância das leis ambientais fez com que as empresas florestais brasileiras se tornassem as maiores detentoras de áreas de preservação permanente e reserva legal, dentre as que desenvolvem atividades de agronegócio.
  • Não são raras as empresas que utilizam menos da metade de suas áreas para o plantio e produção de bens florestais. Este fato dá uma segurança e um reconhecimento mundial muito grande ao setor. A esses aspectos soma-se o fato de, em muitas regiões, o cultivo florestal se limitar a áreas degradadas pelo uso agrícola e, especialmente, pastoril.