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Fosfito: ação fungicida e sanitária na beterraba

O fosfito é uma defesa eficaz contra doenças e um impulso para a produtividade

Pedro Hiroshi Passos Ikuno
Engenheiro agrônomo e mestrando em Proteção de Plantas – UNESP-FCA
pedrohpikuno99@gmail.com
Franciely da Silva Ponce
Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Horticultura – FCA/UNESP
francielyponce@gmail.com

A beterraba (Beta vulgaris L.) é uma importante hortaliça cultivada no Brasil, sendo utilizada principalmente na alimentação. Contudo, é acometida por diversas doenças fúngicas que afetam a produtividade e qualidade da raiz, como por exemplo a cercosporiose, mancha-olho-de-rã e míldio, entre outras, havendo danos diretos e indiretos.
Assim, é importante que haja um monitoramento constante das plantações e adoção de medidas preventivas e de controle para minimizar os prejuízos causados.

Foto: Shutterstock

Em decorrência destes problemas com doenças fúngicas, nos últimos anos diversas pesquisas foram realizadas com o intuito de otimizar as estratégias de manejo. Nesta cultura são comumente empregados estrobilurinas, triazóis, carboxamidas, ditiocarbamatos e clorotalonil. Normalmente, os fungicidas são aplicados via pulverização.
Outra forma de realizar o manejo das doenças fúngicas na cultura da beterraba é a seleção criteriosa de sementes, visando reduzir as perdas.

O fosfito

O uso do fosfito e sua ação fungicida e sanitária na beterraba vêm para somar como mais um método de controle a ser utilizado no programa de manejo integrado de doenças (MID).
Trata-se de uma substância que contém o íon fosfito (H2PO3-), diferente do fosfato (HPO42-), encontrado em fertilizantes fosfatados. Embora os fosfitos não possam ser utilizados como fonte de fósforo para as plantas, eles têm ganhado grande destaque como uma forma alternativa de controle de fungos em várias culturas, além da beterraba.
Devido às propriedades que fortalecem a defesa natural das plantas contra doenças, são capazes de estimular a produção de compostos, como as fitoalexinas, que podem atuar contra os fungos patogênicos, possuindo a capacidade de inibir o crescimento do fungo, controlando a propagação, germinação de esporos e penetração das hifas nas plantas.
O fosfito também pode induzir a síntese de enzimas que degradam a parede celular dos fungos, tornando-os mais suscetíveis ao ataque de outras formas de defesa das plantas.
As fitoalexinas são produzidas em células próximas ao local da infecção, agindo como uma barreira química. Podem ter diversos mecanismos de ação, mas, em geral, atuam interferindo no metabolismo dos fungos, afetando a síntese de proteínas, a respiração celular, a síntese de ácidos nucleicos e a formação de membranas celulares, o que pode levar o fungo à morte, além de poder produzir outras respostas de defesa na planta.
Logo, o fosfito é uma alternativa interessante para o controle de fungos na cultura da beterraba, por ser considerado menos tóxico para o meio ambiente e para os organismos não alvos, como por exemplo, insetos polinizadores.

Cuidados

Mas, ele não deve ser utilizado como uma solução definitiva, necessitando da combinação com outras práticas de manejo de doenças, atendendo aos conceitos de um programa de MID, para obter melhores resultados.
Além disso, ele pode contribuir para a regulação do equilíbrio nutricional da planta, sendo capaz de ativar enzimas que participam da síntese de aminoácidos e proteínas, o que pode levar a um melhor aproveitamento dos nutrientes presentes no solo. Também pode ocorrer o estímulo ao crescimento de raízes, aumentando a superfície de absorção de nutrientes.
Por fim, as raízes das plantas são capazes de absorver o fosfito da mesma maneira que o fosfato, por meio de canais específicos nas membranas das células das raízes, responsáveis por transportar estes íons para dentro da planta.
Outra qualidade do fosfito é a solubilidade em água e translocação rápida dentro das plantas, podendo ser distribuído por todas as partes, incluindo folhas caules e frutos.

Ação na planta

O ânion fosfito (H2PO3-), quando absorvido pela planta, é metabolizado em ácido fosforoso (H3PO3) por enzimas específicas encontradas no citoplasma, mitocôndrias e peroxissomos das células, responsáveis pela catalisação deste processo.
O ácido é tóxico para muitos patógenos fúngicos. Além das características antifúngicas apresentadas anteriormente, o ácido fosforoso pode induzir a resistência sistêmica adquirida na planta, aumentando sua capacidade de combater infecções fúngicas.
É essencial para a síntese de fosfolipídios, nucleotídeos e demais compostos necessários para o crescimento e desenvolvimento da planta. Outra função importante desta substância é a ativação de enzimas antioxidantes que aumentam a resistência das plantas a estresses.

Benefícios do uso do fosfito

O fosfito tem ação fungicida e sanitária na beterraba
Foto: Shutterstock

Por conta de suas qualidades fungicidas e sanitárias, além de nutricionais, diversas pesquisas foram empregadas em relação ao uso de fosfito na cultura da beterraba, testando as mais diversas aplicações deste produto no campo.
Já foi aferida a capacidade de fosfitos reduzirem a incidência e a gravidade de doenças como a murcha da raiz, causada pelo Rhizoctania solani, além de aumentar o crescimento e a produção da beterraba.
Outros estudos avaliaram o efeito da aplicação de fosfitos na absorção de nutrientes pela beterraba, mostrando resultados em que a sua aplicação aumentou significativamente a absorção de fósforo e potássio e o controle da infestação de pulgões.
Por fim, verificou-se a ação dos fosfitos na proteção contra estresses abióticos, como altas temperaturas e falta de água, além de aumentar a atividade antioxidante da planta, o que ajudou a protegê-la contra estresse oxidativo causado por estes outros fatores, como estresse, luminoso, hídrico, entre outros.
O uso de fosfito apresenta longa duração, diferente de fungicidas convencionais, que geralmente têm uma ação imediata e limitada no tempo, o fosfito pode persistir nas plantas por alguns dias ou semanas, proporcionando um controle efetivo contra os fungos.

Manejo

O manejo da beterraba por meio do uso do fosfito envolve algumas considerações importantes para garantir a eficácia e a segurança da aplicação, assim como demais produtos fitossanitários. Dentre elas, é importante ressaltar:

  • Escolha do produto: é necessário escolher um produto adequado para a cultura da beterraba, e que tenha uma concentração de fosfito suficiente para atingir os efeitos necessários.
  • Dosagem e aplicação: a dosagem pode variar conforme o produto utilizado. É importante seguir as instruções do fabricante, além das orientações de um profissional e suas determinações de dosagem e forma de aplicação.
    A aplicação do fosfito pode ser feita por meio de pulverização foliar, sendo essa a forma mais comum. Outras formas são fertirrigação por gotejamento, aplicação direta ao solo (líquido ou granulado) ou tratamento de sementes, a fim de proteger plântulas de doenças fúngicas de início de ciclo.
  • Momento da aplicação: pode variar de acordo com o efeito desejado, mas, em geral, recomenda-se realizar a aplicação antes ou durante a fase de crescimento ativo da planta.
    Para realizar todas estas atividades, é importante contar com a presença de um(a) profissional da área, para que sejam feitas as devidas orientações e recomendações para atingir os objetivos requisitados.

Erros comuns

Mesmo com os diversos benefícios que a aplicação de fosfito pode proporcionar à cultura da beterraba, alguns erros podem reduzir a eficácia do produto e causar danos à planta, como:

  • Dosagem incorreta: a aplicação de uma dose incorreta de fosfito pode resultar em efeitos indesejados, como redução de produtividade da cultura, por insuficiência de produto, ou até mesmo intoxicação da planta por doses muito elevadas.
  • Momento inadequado de aplicação: a aplicação de fosfito no momento errado pode vir a diminuir a eficácia do produto, por não corresponder ao momento de melhor aproveitamento por parte da planta, ou por passar do momento de aplicação, permitindo que as doenças fúngicas causem maiores danos às plantas.
  • Aplicação em condições climáticas desfavoráveis: dias muito quentes, ou ventos muito fortes no momento da aplicação, podem reduzir a eficácia, em decorrência da deriva, por exemplo. Assim, o produto perde a capacidade de atingir o objetivo proposto, já que ele está sendo mal aproveitado.
  • Recomendações técnicas profissionais: como orientado no manejo, é necessário seguir as orientações do fabricante do produto, bem como as recomendações técnicas de um profissional.
    Informações relevantes

O fosfito, geralmente, é compatível com outros produtos usados na cultura da beterraba, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Porém, é recomendado consultar o fabricante do produto para averiguar a compatibilidade com produtos específicos.
Além disso, a aplicação do fosfito na beterraba está sujeita a regulamentações locais e nacionais. Desse modo, é importante a consulta de tais, bem como seguir as orientações de profissionais e fabricantes.
Por fim, seu uso pode melhorar a colheita da beterraba, proporcionando raízes mais uniformes e com maior teor de açúcar. Vale relembrar que, embora o fosfito possa melhorar a resistência das plantas a doenças e estresses, ele não deve ser utilizado como uma solução definitiva.
É necessário realizar as aplicações por meio de uma visão do MID, junto à boas práticas agrícolas.

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