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Fosfito no controle de antracnose do feijoeiro

O fosfito é uma arma poderosa no combate à antracnose, uma doença que afeta o feijoeiro.

Francimalba Francilda de Sousa
Engenheira agrônoma e doutoranda em Engenharia Agrícola – FCA/Unesp
ff.sousa@unesp.br

A antracnose é considerada uma das doenças do feijoeiro mais importantes transmitidas por sementes. Devido à fácil disseminação, os danos podem alcançar 100% em áreas com cultivares suscetíveis, uma vez que o cultivo do feijoeiro comum no Brasil envolve desde pequenos cultivos para consumo próprio até grandes áreas empresariais.
Além disso, a doença causa manchas e lesões nos grãos, depreciando a qualidade do produto.

Crédito: Giovani Belutti

Causas

A germinação dos conídios e infecção dos tecidos (cutícula e epiderme do hospedeiro) é favorecida por temperaturas moderadas (15ºC a 22ºC) e elevada umidade relativa do ar, acima de 95% e precipitação frequente, com a presença de água livre sobre os tecidos suscetíveis.
Temperaturas superiores a 30ºC e inferiores a 13ºC limitam tanto a infecção como o desenvolvimento do fungo. Para que a antracnose ocorra, é necessário que as condições ambientais sejam favoráveis por um período de pelo menos seis horas, sendo que períodos contínuos de 18 a 24 horas favorecem o progresso rápido da doença.
O fungo sobrevive no solo associado a restos de cultura por um a dois anos, caso existam condições para sua degradação lenta, mas a maior fonte de inóculo, do ponto de vista epidemiológico, são as sementes contaminadas, que constituem sua via de sobrevivência e disseminação mais importante.

Principais sintomas

A doença pode afetar toda a parte aérea da planta. Os sintomas surgem inicialmente nas folhas, com lesões alongadas acompanhando as nervuras principais na face inferior das folhas, de cor escura.
Nas folhas, as lesões acontecem com maior frequência na face abaxial, mas podem ocorrer também na face adaxial. Quando a doença afeta plântulas, observam-se lesões pequenas de coloração marrom ou preta nos cotilédones.
Os sintomas típicos desta doença são lesões necróticas de coloração marrom-escura nas nervuras na face inferior da folha. Às vezes estas lesões podem ser vistas na face superior das folhas, quando então uma região clorótica desenvolve-se ao lado das manchas necróticas e as folhas tendem a curvar-se para baixo.
Nas vagens, são geralmente circulares e deprimidas, de coloração marrom, com os bordos escuros e salientes, circundados por um anel pardo-avermelhado. As lesões nas vagens podem ainda apresentar o centro de coloração mais clara ou rosada, devido à esporulação do fungo.
As lesões podem coalescer e cobrir parcialmente as vagens. Sementes infectadas são geralmente descoloridas e podem apresentar lesões levemente deprimidas e de coloração marrom.

Aplicação nas lavouras de feijão

Os fosfitos são produtos líquidos originados da neutralização do ácido fosforoso (H3PO3) por uma base, que podem ser hidróxido de sódio, de potássio, de amônio, entre outros.
O hidróxido de potássio é o mais utilizado, formando o fosfito de potássio, que possui excelentes qualidades sanitárias, com atividade fungicida, atuando diretamente sobre os fungos ou ativando o mecanismo de defesa das plantas.
Os produtos à base de fosfito são, normalmente, aplicados via foliar nos estádios de desenvolvimento V4 – terceiro trifólio, em R5 – pré-floração e em R7 – formação das vagens com auxílio de uma bomba costal com capacidade para 20 L.

Ação no controle da antracnose

A resistência das plantas pode ser definida como a capacidade de atrasar ou evitar a entrada e a subsequente atividade de um patógeno em seus tecidos. A indução de resistência torna-se uma alternativa importante, pois ativa os mecanismos latentes de resistência da planta com o uso do fosfito.
Em condições controladas de laboratório, os indutores com fosfitos mostraram-se promissores na redução do crescimento micelial do fungo Colletotrichum lindemuthianum, aumentando a sanidade de sementes de feijão comum.
A ação fungistática proporcionada pelo uso dos fosfitos possibilita redução de incidência de fungos em sementes, o que é interessantíssimo. Seu uso pode induzir a produção de fitoalexinas, substâncias naturais de autodefesa das plantas.
Como ação direta contra fungos, verificaram que doses de 2,5 e 5,0 mL/L de fosfito de potássio inibiram a germinação de conídios de Verticillium dahliae em 0% e 1%, ao passo que nas doses de 0,62 e 1,25 mL/L a inibição foi de 35 e 21%, respectivamente.
O fosfito é liberado pela hidrólise do etil fosfonato, conferindo à planta a proteção contra fungos patogênicos. O fosfito de potássio inibe o crescimento dos esporos dos fungos, agindo como uma toxina direta sobre o patógeno, podendo ser eficiente para controlar várias espécies de Phytophthora.
Os fosfitos também possuem ação indireta no controle de patógenos, estimulando a formação de fitoalexinas, uma substância natural de auto defesa da planta.

Aplicação conjunta

Os fosfitos apresentam rápida absorção pelas raízes, folhas e córtex do tronco, com menor exigência de energia da planta. São, ainda, bons complexantes, favorecendo a absorção de K, Ca, B, Zn, Mo, Mn, entre outros nutrientes.
As misturas permitidas com outros produtos e algumas formulações de fosfitos podem reduzir o pH da solução, melhorando a eficiência de alguns herbicidas.
Em muitos casos, a aplicação única de fosfito para controlar uma determinada doença não tem resultado satisfatório, mas quando associado a um fungicida convencional, tem melhorado a eficiência desses fungicidas, indicando que há um efeito sinérgico entre eles.

Resistência

Os fosfitos, além de causarem efeito direto sobre patógenos, atuam também na ativação do sistema de defesa natural das plantas, estimulando a formação de substâncias de autodefesa e, assim, controlando o ataque de patógenos.
Desse modo, o controle de doenças muito provavelmente não deve ter como único mecanismo a ação direta dos fosfitos. Esse mecanismo de controle é a combinação da ação entre os efeitos diretos dos fosfitos aos patógenos e indireto na ativação do sistema de defesa natural da planta.
Embora o fosfito apresente um efeito fungicida e possa ser efetivo no controle específico de algumas espécies de fungos, tem pouco efeito sobre a maioria de fungos do solo. Seu efeito fungicida relativamente limitado, combinado com sua capacidade de estimular as plantas e induzir respostas com amplo espectro de metabolitos biologicamente ativos, faz deste um agente de controle relativamente benigno e seguro para o ambiente.

Resultados promissores

Estudos mostram que o uso de fosfitos apresenta dados muito promissores no efeito indutor de resistência contra fungos. Porém, a adoção de sementes sadias e certificadas, cultivares resistentes, fungicidas, rotação de culturas e eliminação de restos culturais continuam sendo os principais meios de prevenir e/ou controlar a antracnose no feijoeiro.

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