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Fosfito na cebola: prevenção é sempre melhor

Marcos José Bernardo
Graduando em Engenharia Agronômica – Faculdade de Ensino Superior Santa Bárbara (FAESB)
110744@faesb.edu.br
Ana Paula Preczenhak
Doutora, pós-doutoranda na ESALQ-USP e professora – FAESB
prof.anapaula@faesb.edu.br

Fotos: Shutterstock

A cebola (Allium cepa L.) está entre as três hortaliças socioeconomicamente mais importantes no Brasil. Santa Catarina está à frente neste ranking, com mais de 18 mil famílias que cultivam a hortaliça em pequenas propriedades. Isto se deve ao alto grau de tecnologia empregada, bem como a um clima favorável à produção. Foram colhidas mais de 463 mil toneladas em 2021, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

A ocorrência de algumas doenças, como o míldio (Peronospora destructor (Berk.)) e a podridão causada por B. cepacia (podridão de escamas), aliado a algumas perdas no campo, são fatores que podem reduzir drasticamente a produção.

Neste contexto, diversos tipos de compostos, dos mais variados grupos químicos, vêm sendo estudados no intuito de controle e indução de resistência à estas doenças. Dentre eles, os fosfitos de potássio e de manganês mostram resultados eficazes no controle de doenças fúngicas.

Fontes de fósforo

O fosfito é fonte de fósforo, também chamado de “fosfonato”. É um produto formulado com base no ácido fosforoso (H3PO3), que após reação química são obtidos diversos tipos de íons fosfitos, associados a cada formulação (K, Mg, Zn e outros).

É preferível a utilização dos fosfitos, pois estes são mais solúveis e estáveis nas plantas do que os fosfatos. Este íon formado (H3PO3-3) tem aproximadamente 7% a mais de fósforo disponível, quando comparado aos íons de ácido fosfórico (H3PO4).

Contra fungos

As propriedades antifúngicas dos fosfitos foram descobertas na França na década de 1970. A comprovação do seu efeito foi estudada nos oomicetos, causadores de míldio, uma doença que se desenvolve rapidamente na cultura da cebola, ocasionando grandes perdas à produção.

O fungo se multiplica com muita facilidade, pois se beneficia do clima, com temperaturas amenas e alta umidade, que coincide com a época de cultivo da hortaliça.

Uma vez a área afetada, o fungo sobrevive nos bulbos e plantas remanescentes na área, ou seja, está presente no solo. Plantas de cebolinha verde no entorno da lavoura também podem ser uma fonte de inóculo (fungos).

Além disso, a disseminação do fungo entre as áreas ocorre por meio de sementes e/ou mudas infectadas. Lembrando que os esporos podem permanecer no solo de um ano para outro.

Sustentabilidade

Atualmente, buscam-se tecnologias de produção mais sustentáveis, que possuem a capacidade de aumentar a resistência da planta aos patógenos. Assim, os fosfitos são indicados, pois são rapidamente absorvidos pelo sistema radicular e pelas folhas; apresentam ação sistêmica e podem atuar reduzindo fortemente o crescimento micelial, a formação de esporângios e a liberação de esporos fúngicos.

Em áreas com boa fertilidade, ao controlar o fungo, os fosfitos possibilitam maior resiliência das plantas de cebola após o estresse abiótico sofrido, tanto pela ação antifúngica quanto nutritiva, uma vez que é um adubo fluído. A resiliência é esta capacidade de recuperação do potencial produtivo da planta mesmo após sofrer o estresse.

Respostas

Fotos: Shutterstock

No entanto, por que os fosfitos têm essa ação antifúngica? Ao serem absorvidos pelas plantas, via raízes ou via foliar, são prontamente transportados pelo xilema e floema, ou seja, não são necessariamente acumulados nas raízes ou folhas.

Os fosfitos estimulam a produção de compostos secundários de defesa (fenólicos e fitoalexinas) que garantem certa proteção contra os fungos; assim como agem diretamente sobre os microrganismos criando uma disfunção no seu metabolismo energético e de reações enzimáticas, bloqueando a síntese de ATP, que é a energia para o funcionamento do metabolismo.

Portanto, os fosfitos não previnem a infecção fúngica, mas auxiliam na redução da severidade da doença.

Qual escolher?

Há diferentes fontes de fosfitos, como o fosfito de potássio e de manganês. A pulverização com o fosfito de potássio mostrou-se mais eficiente do que o fosfito de manganês (00-30-00), reduzindo a doença em semelhança ao clorotalonil Nortox, um fungicida de contato.

Foi verificado que o fosfito de potássio (00-30-20) aplicado semanalmente na dose de 1,4 L/ha foi eficiente no controle do míldio da cebola. Segundo os estudos, o teor de clorofila e a produção de cebola não foram afetados, apenas ocorreu a redução da propagação do míldio.

A aplicação dos fosfitos via solo é economicamente mais viável do que a via foliar, pois pode ser aplicado durante a semeadura, garantindo ação desde a germinação das plântulas. No entanto, com a detecção dos primeiros sintomas de míldio, é recomendada a aplicação dos fosfitos via foliar.

Ainda, estudos mostram que os fosfitos potencializam a ação de fungicidas químicos em aproximadamente 15%, garantindo o controle da doença, melhorias fisiológicas na planta e, consequentemente, boa produtividade.

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Na dose certa

Cuidados devem ser tomados com as dosagens, sempre utilizando conforme a recomendação, pois fosfitos em altas concentrações podem ser tóxicos às plantas. Altas concentrações acabam por induzir a planta a reduzir a absorção de Pi (fósforo inorgânico) do solo ou a não metabolizá-lo e, assim, ocorrer carência nutricional do elemento nos tecidos.

Seria como se a planta entendesse que não precisa mais do elemento devido às altas concentrações de fosfitos, porém, estes fosfitos não têm os mesmos efeitos do fósforo para a nutrição da planta.

Por isso, cuidados devem ser tomados também na escolha do produto – escolher um fosfito de qualidade é essencial para obter um bom resultado. O controle do inóculo é a melhor forma de manejo das doenças fúngicas, uma vez que a aplicação de fosfito reduz a severidade da doença em cebola, mas não elimina o fungo por completo da área e nem impede a infecção.

Outra preocupação da superdosagem é que o acúmulo de fosfitos no solo acaba prejudicando não somente os fungos patogênicos, mas também os benéficos, como as micorrizas.

Estas são conhecidas pela sua simbiose com as raízes e são uma das principais vias de disponibilização de fósforo para as plantas. Este efeito acarretaria mais prejuízos que benefícios para a cultura a médio e longo prazo.

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