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Fosfitos no manejo de doenças do cafeeiro

Os fosfitos têm se destacado no manejo de doenças do cafeeiro, oferecendo uma alternativa eficaz e sustentável no controle fitossanitário.

Cássio Pereira Honda Filho
Engenheiro agrônomo e doutor em Fitotecnia (UFLA)
cassiop.hondafv@gmail.com

A cafeicultura é uma das culturas agronômicas mais relevantes no Brasil, sendo de significativa importância para a economia nacional. Porém, alguns fatores podem limitar a produção de café, como: condições climáticas adversas, desbalanço nutricional e, principalmente, o ataque de pragas e doenças.

Atualmente, os sistemas de controle de doenças empregados na cafeicultura envolvem a utilização do controle químico que, além de encarecer o custo de produção, pode ser prejudicial à saúde humana e contaminar o meio ambiente, dependendo do princípio ativo utilizado.

Portanto, a adoção de métodos alternativos de modo a atuar em sinergia com o controle químico, reduzindo a utilização de moléculas muito tóxicas e desonerando o custo de produção, é de suma importância para uma cafeicultura sustentável.

Foto: Shutterstock

Alternativas

Uma das medidas alternativas para o controle de doenças em plantas é a chamada indução de resistência, cujo objetivo é evitar, atrasar e, até mesmo, reduzir a atividade do patógeno nos tecidos vegetais, por meio da ativação de mecanismos de defesa próprios da planta.

A indução de resistência pode ocorrer por meio do tratamento com agentes bióticos (extratos vegetais, microrganismos) ou abióticos (compostos químicos). A partir desse manejo, a planta produz proteínas relacionadas à patogênese, que serão responsáveis pelo fortalecimento da cultura ao ataque de doenças.

Fosfito e fosfonatos como indutores de resistência

Grandes avanços na pesquisa envolvendo a indução de resistência em plantas vêm ocorrendo paralelamente ao desenvolvimento de produtos comerciais de alta eficácia, estabilidade e menor impacto ao meio ambiente.

Tais produtos podem auxiliar na produtividade das culturas agrícolas pela redução das perdas ocasionadas por estresses abióticos e bióticos. Pensando exclusivamente em doenças de plantas, podemos citar os fosfitos e os fosfonatos como exemplos eficazes.

Essas moléculas se destacam como promissoras no manejo de doenças do cafeeiro pois, além do efeito nutricional e a ativação de mecanismos de defesa da planta, elas também podem atuar diretamente no controle do desenvolvimento do fungo.

É importante reforçar que o efeito nutricional se dá pela nutriente aderido aos fosfitos e fosfonatos, seja ele o manganês, potássio, cobre etc. Já o nutriente fósforo não é aproveitado pela planta, uma vez que ela não tem enzimas capaz de quebrar o fosfito em fosfato.

Formulações

Dentre os produtos comerciais, podemos encontrar variações entre as formulações. A produção de fosfitos e fosfonatos se dá a partir da reação entre uma base forte (hidróxido de cálcio, potássio, manganês) com o ácido fosforoso.

Portanto, pode-se encontrar no mercado fosfitos de manganês, cálcio e potássio e, na linha dos fosfonatos, produtos com a nomenclatura de etil-fosfonato de potássio, de cobre etc.

Apesar de ambos propiciarem as mesmas vantagens em relação à indução de resistência, eles diferem quanto ao tempo de ação dentro da planta. Enquanto os fosfitos agem, em média, por até 10 dias, a longevidade dos fosfonatos pode chegar até 20 dias.

Diferentemente do que acontece com os fungicidas sistêmicos da cafeicultura (triazóis e estrobilurinas, por exemplo), os fosfitos e fosfonatos possuem uma boa sistemicidade tanto no xilema quanto no floema, podendo se movimentar tanto para o ápice quanto para o baixeiro do cafeeiro.

Com isso, o cafeicultor pode potencializar as defesas da planta aplicando o indutor de resistência com os fungicidas, podendo assim, manter a lavoura com alta sanidade. Para maior efetividade do fosfito no controle de doenças a aplicação deve ser realizada de forma preventiva, ativando os mecanismos de defesa para que, ao ser invadida pelo fungo, a planta esteja com pronta para impedir ou retardar a colonização do tecido vegetal.

Dentre as formulações encontradas no mercado, temos uma gama dos mais variados produtos, com diferentes faixas de preço e até mesmo estado físico do produto. A maioria desses indutores se apresentam comercialmente na forma líquida, facilitando o manejo e a mistura no tanque.

Quanto custa?

Atualmente, os tratamentos encontrados variam de 0,5 L ha-1 a 2,0 L ha-1, e preços, em média, entre R$ 25,00 e R$ 45,00 por aplicação e, é sempre bom reforçar que a adoção do manejo com indutores de resistência não substitui a prática de controle químico, sendo considerado um manejo complementar e preventivo.

Portanto, sempre que necessário, consulte um técnico ou agrônomo de confiança para maior assertividade quanto ao produto que está sendo lhe oferecido.

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