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Glufosinato de amônio: como fazer aplicação certeira?

Maximize a eficácia da sua aplicação de Glufosinato de Amônio e colha os benefícios de uma agricultura mais eficiente e sustentável.

Giovana Cândida Marques
Engenheira agrônoma – Unesp
giovana-candida.marques@unesp.br

O milho é uma cultura de grande importância, pois serve como alimentação humana, animal e na geração de biocombustível. Dentre os grandes produtores dessa commoditie, destaca-se o Brasil.
O Brasil, na safra 2022/23 cultivou 22.152,3 milhões de hectares, alcançou 5.675 kg/ha de produtividade e produção de 125.715,3 milhões toneladas, de acordo com dados da Conab, referente às duas safras – normal e safrinha.
No território brasileiro, o milho é mais plantado nas regiões do centro-oeste, sul e sudeste, respectivamente.
Visto o alto valor comercial, tecnologias são empregadas no processo de produção visando obter rendimentos elevados. Dentre essas tecnologias se destaca o uso de herbicidas, sendo esse o componente principal do manejo de plantas daninhas.

Lavoura no limpo exige mais de um mecanismo de ação
Foto: Shutteerstock

Desafios

Um dos grandes entraves para a produção mundial de milho é a presença de plantas daninhas na cultura, que em certas situações ocasionam perdas de rendimento da ordem de mais de 80% quando nenhum método de controle é realizado.
Dentre os métodos de manejo de plantas daninhas, o químico é, atualmente, o mais utilizado, mas outras estratégias devem ser realizadas em conjunto para não selecionar plantas daninhas à resistência.

Herbicida glufosinato de amônio

O glufosinato de amônio é um herbicida de contato amplamente utilizado na agricultura, em função tanto da alta eficácia quanto do amplo espectro de controle de plantas daninhas. Isso quer dizer que ele controla plantas daninhas tanto de folhas estreitas como de folhas largas.
Baixíssimas concentrações de glufosinato podem inibir a enzima glutamina sintetase, essencial para a assimilação do nitrogênio na planta. Visto a importância dessa enzima, o herbicida atua certeiramente, pois o nitrogênio é um dos elementos mais abundantes nas plantas, e sem essa enzima ele não é sintetizado por ela.
Portanto, as plantas tratadas com glufosinato de amônio mostram rápido acúmulo de amônia, composto tóxico para a planta, além de inibir a fotossíntese. Os principais sintomas que as plantas mostram após a aplicação de glufosinato de amônio são: rápida clorose, seguido de necrose e morte das plantas após poucos dias.

Culturas geneticamente modificadas

Desde a década de 90, culturas geneticamente modificadas para a tolerância ao glufosinato de amônio vêm surgindo e sendo amplamente utilizadas, com benefícios econômicos imediatos.
Em maio de 2007, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o milho Libertlink, o primeiro ao herbicida glufosinato. Dessa forma, é possível controlar de forma seletiva as plantas daninhas de folhas estreitas, sem prejudicar o desenvolvimento do milho resistente ao herbicida.
Portanto, podemos utiliza-lo no cultivo do milho, mesmo ele sendo do tipo folha estreita.

Plantas resistentes ao glufosinato de amônio

De modo geral, as espécies de folhas estreitas causam maiores prejuízos ao rendimento do milho do que as espécies de folhas largas.
Até o momento, apenas duas espécies de plantas daninhas foram relatadas como resistentes ao glufosinato de amônio: capim-pé-de-galinha (Eleusine indica L.) e azevém (Lolium perene L. ssp. multiflorum).
Essa resistência é definida como capacidade natural e herdável de determinadas plantas de sobreviver e se reproduzir após a exposição a doses de herbicidas que seriam letais a indivíduos normais, os suscetíveis.
O surgimento de plantas resistentes ocorre em áreas onde há uso repetido de herbicidas do mesmo grupo químico ou com o mesmo mecanismo de ação, que se refere ao local primário onde atua o herbicida.
O uso de mais de um mecanismo de ação no controle da daninha é essencial para evitar o aparecimento de plantas resistentes. Cada ingrediente ativo usado no manejo da propriedade passa a ser investimento no sistema de produção, por reduzir a pressão do banco de sementes.

Solução contra a resistência

De modo geral, para evitar o surgimento de espécies resistentes na área agrícola é necessário planejamento do sistema de produção, rotação de herbicidas e de culturas. Além disso, é importante realizar a associação entre ingredientes ativos de diferentes mecanismos de ação e estratégias de manejo, o que envolve a aplicação de herbicida pré e pós-emergente.
Essas práticas devem ser realizadas em conjunto com os agricultores de uma região, pois as plantas daninhas possuem sementes que se dispersam por longas distâncias, o que pode acontecer de forma natural (pelo vento ou chuva) ou pela influência do homem e seus implementos agrícolas.

Diferença de tolerância entre híbridos de milho

As culturas geneticamente modificadas com tolerância a herbicidas estão sendo cada vez mais comercializadas e plantadas no Brasil. Alguns híbridos de milho não são tolerantes ao herbicida glufosinato de amônio, devido aos prejuízos que ele pode causar à lavoura.
Os híbridos que não podem ser manejados com o herbicida glufosinato de amônio são:

  • Yieldgard;
  • VTPRO;
  • VTPRO2;
  • VTPRO3;
  • TG;
  • Agrisure Viptera.

Além dos benefícios econômicos, as culturas tolerantes a herbicidas trazem facilidade no manejo, eficácia e menor impacto ambiental. A segurança de aplicação de herbicidas em culturas tolerantes é um ponto que deve ser levado em consideração na escolha da cultivar a ser plantada.

Glufosinato de amônio x milho tolerante

A integração entre herbicidas pré e pós-emergentes resulta em controle mais efetivo de plantas daninhas. Por exemplo, a aplicação de atrazina na semeadura de milho junto com o glufosinato de amônio em pós-emergência complementa o controle das plantas daninhas que não foram controladas pela atrazina.
Outra associação que pode ser feita é entre o s-metolachlor em pré-emergência complementando com glufosinato de amônio em pós-emergência.
De acordo com estudos, essas associações entres herbicidas sempre são melhores do a aplicação isolada deles, para o controle das seguintes plantas daninhas:

  • Ançarinha-branca (Chenopodium album);
  • Losna-do-campo (Ambrosia artemisiifolia);
  • Painço (Panicum dichotomiflorum);
  • Benção-de-deus (Abutilon theophrastin).
    Outros estudos mostram que o milho tratado com glufosinato de amônio teve maior produtividade do que os cultivados com outro manejo.

Manejo integrado de plantas daninhas

Os objetivos do manejo de plantas daninhas nas culturas são:

  • Minimizar as perdas devido à interferência;
  • Beneficiar as condições de colheita;
  • Reduzir o incremento do banco de sementes de plantas daninhas;
  • Evitar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.
    E, todos esses objetivos podem ser alcançados com a menor contaminação ambiental possível e maior lucratividade. O glufosinato de amônio, não apenas no Brasil, vem sendo utilizado como herbicida não-seletivo pós-emergente alternativo ao glyphosate.
    Estudos mostram que o glufosinato de amônio complementa o controle de buva resistente ao glyphosate, e se um pré-emergente for incluído no manejo para redução da pressão do banco de sementes, os resultados são ainda mais promissores.
    Assim, se obtém melhor controle para infestação composta de folhas largas e gramíneas, que são do tipo folha estreita.

Cuidados gerais da aplicação do herbicida

O agricultor deve sempre empregar herbicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), bem como nas Secretarias Estaduais de Agricultura.
O registro é importante, pois significa que os herbicidas foram avaliados tanto para sua eficácia agronômica e seletividade para a cultura como também em relação ao impacto ambiental e à toxicidade para a saúde.
E, nunca se deve utilizar dosagens de herbicida superiores ou inferiores àquelas recomendadas em rótulo, pois isso seleciona plantas para a resistência. Outras características importantes a serem observadas antes da aplicação do herbicida são: umidade relativa e temperatura do ar.
Esses fatores influenciam a absorção de herbicidas pós-emergentes. Portanto, o herbicida glufosinato de amônio depende das condições climáticas.
Em geral, para aplicação de herbicidas pós-emergente, a temperatura mínima é de 10ºC; a ideal de 20 – 30ºC, e a máxima de 35ºC. A umidade relativa do ar mínima é de 60%, a ideal de 70 – 90%, e a máxima de 95%.

Perspectivas

A produção de milho tem avançado cada vez mais em tecnologia e desenvolvimento, com a intenção de aumentar sempre a produtividade nas áreas agrícolas. Devido a isso, o controle de plantas daninhas é um dos tratos culturais de extrema importância, pois atinge diretamente a produtividade da cultura cultivada.
Além disso, os sistemas de produção não devem selecionar plantas daninhas para a resistência. Se isso acontecer, o manejo das plantas daninhas ficará mais complicado. Portanto, o produtor rural deve se atentar ao manejo integrado das plantas daninhas.
O uso correto de glufosinato de amônio associado à cultura de milho apresenta resultados promissores em relação à produção, pois contribui para o controle de plantas daninhas, que já apresentam resistência a certos herbicidas.

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