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Impactos do El Niño na safra de 2023/24

O El Niño está frequentemente associado a temperaturas mais altas, que podem afetar negativamente o desenvolvimento de algumas culturas sensíveis ao calor.

Pedro Schicchi
Analista de Grãos e Oleaginosas da hEDGEpoin Global Markets

João Junqueira
Gerente de Relacionamento de Sales da hEDGEpoint

Quando se trata de soja e milho, as regiões de interesse incluem EUA, Brasil, Argentina e Mar Negro. Dada a grande extensão desses países e diferenças no calendário de safras, os efeitos do El Niño variam amplamente.

Foto: Despositphotos

Na América do Sul, o El Niño é conhecido por trazer calor para a maior parte do Brasil e chuvas acima da média no sul do Brasil e na Argentina no final do ano. Assim, o evento costuma ser negativo para o milho de inverno, mas positivo para soja e milho no Sul do Brasil e na Argentina durante o verão.

Precipitações climáticas

Primeiro, quando se trata da primavera/verão (set-fev), o El Niño traz calor para a maior parte do Brasil e, curiosamente, temperaturas um pouco abaixo do normal para a Argentina. O evento também está associado a precipitações acima da média em partes do cinturão agrícola da Argentina e do sul do Brasil.

Embora não altamente correlacionada com o fenômeno, a precipitação no restante do Brasil ficou abaixo do normal nos anos em que o fenômeno esteve ativo.

Já no outono/inverno brasileiro (março-agosto), o El Niño está associado a temperaturas mais quentes no Brasil. Isso faz com que o risco de geada seja menor e o crescimento seja favorecido (desde que as temperaturas não sejam excessivamente altas).

Porém, a evapotranspiração também aumenta, o que significa que as lavouras precisam de mais água para manter a produtividade. O problema é que o El Niño não está tão correlacionado com a precipitação nesta janela quanto com as temperaturas.

Assim, nos anos em que a precipitação é boa, a produtividade do milho inverno também tende a ser maior. No entanto, quando ela falha, as altas temperaturas podem levar a perdas.

Como monitorar as mudanças climáticas

Diversas agências climáticas públicas acompanham o desenvolvimento do El Niño. Entre as mais tradicionais estão o NOAA (1), IRI (2) e BOM (3). Todas oferecem atualizações no status do fenômeno, perspectivas e análises. Nós mesmos as utilizamos como fontes de dados.

O ponto é que, muitas vezes, o conteúdo pode ser excessivamente técnico. Para uma análise mais objetiva e voltada para os impactos ao agro, nós da hEDGEpoint publicamos relatórios que ponderam os potenciais riscos e ganhos desses fatores climáticos.

Um exemplo é nosso relatório especial recente sobre os efeitos do El Niño em soja, milho, trigo, café e cana: https://business.hedgepointglobal.com/pt/whitepaper-el-nino-e-seus-efeitos-no-mercado-de-commodities

Suscetibilidade aos impactos do El Niño

Neste ciclo, o pico do fenômeno é previsto para dezembro, o que aumenta a probabilidade de vermos boas produtividades de soja e milho verão na Argentina e sul do Brasil, regiões que sofreram nesses últimos anos de seca.

Outra região bastante afetada que pode ter um impacto no mercado de soja é o Sudeste Asiático. Malásia e Indonésia são grandes produtores de óleo de palma, produto que concorre com o óleo de soja. O El Niño tem um efeito negativo sobre a precipitação nesses países, o que pode levar a uma redução na produção e, consequentemente, suporte aos preços.

Estratégias para mitigar os efeitos negativos do El Niño

Eventos climáticos como o El Niño trazem para a agricultura diversos efeitos e ultrapassam os limites da porteira para o mercado afora. As consequências desse tipo de fenômeno não se restringem apenas ao manejo da cultura, mas também ao gerenciamento de risco dos preços das commodities.

Tanto o El Niño quanto o La Nina vêm carregados de muita especulação e volatilidade a respeito da produção nos principais países ofertantes de grãos. Por conta disso, todo produtor deve se atentar às variações dos preços nos mercados para conseguir bons negócios.

Contudo, depender do bel-prazer do mercado não configura uma boa alternativa, é necessário ampliar o leque de mecanismos afim de limitar a exposição dos produtores a esses riscos.

Uma excelente estratégia é a utilização de derivativos: ferramentas imprescindíveis no que tange o gerenciamento de risco da oscilação dos preços, em tempos em que as incertezas e especulações são tão altas.

A hEDGEpoint, como uma casa especializada nesse tipo de solução, oferece produtos capazes de suprir qualquer necessidade de qualquer player no mercado. Garantir os níveis que mitiguem ao máximo as perdas é fundamental para garantir a saúde e continuidade do negócio. Ou seja, um bom gerenciamento de risco através do hedge é vital.

Considerações importantes

É fato que os preços das commodities são bastante sensíveis quando o assunto são os eventos climáticos. O mercado reage de uma forma muito mais robusta e até exagerada, se compararmos com cenários de normalidade, exatamente por conta de toda incerteza e volatilidade que esses eventos trazem.

Quando falamos de preço, o hedge é uma excelente opção para o produtor garantir suas margens e estabelecer o máximo de perdas que ele aguenta sem colocar seu negócio em risco. Essa ferramenta mitiga os perigos e prejuízos tão comuns nesse nicho de negócio frequentemente exposto às mais diversas ocasionalidades.

Tomada de decisões

É importante ter em mente, nesse momento, todo o histórico de ocorrências em anos de El Niño (80% de chance de formação do El Niño é um número bastante significativo). Dessa forma, é possível fazer uma projeção mais assertiva a respeito dos eventos futuros.

Portanto, em termos de Brasil, é sabido que temos uma correlação de forma geral mais positiva para soja (primeira safra) e mais negativa para milho (segunda safra). Essa correlação para a soja se faz igualmente presente em nossos vizinhos Argentina e Paraguai, garantindo boas safras e, por consequência, uma maior oferta desse grão no mercado.

Essa maior oferta de soja nos países vizinhos, juntamente com a regularização da produção do 4° maior estado produtor do grão no Brasil – Rio Grande do Sul – acabam pressionando o preço da saca para baixo.

Dito isso, é importante salientar os riscos, no que tange os preços, por conta da pressão interna e externa oriunda do lado da oferta. O mesmo é válido para o milho – uma correlação mais negativa promove redução da produção, consequentemente, uma possível pressão para cima nos preços dessa commodity.

Com essas informações em mãos, o produtor deve se munir de ferramentas que o ajudem a administrar toda essa oscilação de preços. O hedge asseguraria, por exemplo, uma boa proteção contra a queda dos preços (falando da soja). Da mesma forma, seria uma boa ferramenta para uma participação do que já foi travado, no caso do milho.

Ter esse tipo de operação como aliada à atividade do físico é primordial, não apenas para aproveitar as oportunidades que o mercado futuro oferece, mas também para garantir um melhor gerenciamento dos riscos que envolvem o mercado, sem falar na tranquilidade que isso proporciona por saber que seu negócio será preservado.

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