19.6 C
Uberlândia
quinta-feira, junho 20, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosHortifrútiInfluência da temperatura e do fotoperíodo na formação de escleródios

Influência da temperatura e do fotoperíodo na formação de escleródios

Leandro Luiz Marcuzzo

Fitopatologista e professor do Instituto Federal Catarinense (IFC) – campus de Rio do Sul

marcuzzo@pesquisador.cnpq.br

 

Crédito Walter Oliveira
Crédito Walter Oliveira

Pesquisas relacionadas à podridão branca no Brasil ainda são escassas, para tanto, o conhecimento da biologia do patógeno é de grande importância para compreender o desenvolvimento da doença no campo e o seu manejo. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar, em condições in vitro, a influência da temperatura e do fotoperíodo na formação de escleródios de S. cepivorum.

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia do Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul e o experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado com cinco repetições em cada tratamento.

O inóculo de S. cepivorum foi obtido a partir de micélio e escleródios em placas de Petri contendo meio de cultura BDA (Batata-Dextrose-Ágar) preservado em geladeira (±4°C). Discos de micélio com 09 mm de diâmetro foram removidos dessas placas e inoculados no centro de placas de Petri com 8 cm de diâmetro contendo uma fina camada de meio de cultura BDA e incubados em câmera de germinação do tipo B.O.D. (Demanda Biológica de Oxigênio) a uma temperatura de 18°C e fotoperíodo de 12 horas durante seis dias para crescimento do micélio.

Após isso, as placas foram incubadas nas temperaturas de 5, 10, 15, 20, 25, e 30°C (±1°C) e fotoperíodo de 12 horas luz. Devido à desuniformidade de formação de escleródio na placa, a cada dia era demarcada uma área com 9 mm de diâmetro com um furador de rolha em um ponto de maior concentração visual de escleródios, até o momento que em um dos tratamentos o número de escleródios não diferisse entre os dias, o que ocorreu aos sete dias de incubação.

Os escleródios completamente formados de coloração negra eram contados visualmente com auxílio de microscópio estereoscópico com 50 vezes de aumento.

A partir da obtenção da temperatura ótima de desenvolvimento, repetiu-se o ensaio seguindo a mesma metodologia acima, incubando-se a 21°C com fotoperíodos de 0, 6, 12, 18 e 24 horas, a fim de avaliar o fotoperíodo favorável à formação dos escleródios.

 Os dados foram submetidos à análise de regressão e estatisticamente pela análise de variância por F, e significativos por Tukey 5%. Devido a não ter formado escleródio em 5, 10 e 30°C e ao baixo ajuste da curva de regressão, essas temperaturas foram excluídas, evidenciando que temperaturas extremas não são favoráveis à formação de escleródios.

Verificou-se que a temperatura influenciou na formação dos escleródios, tendo apresentado melhor desenvolvimento entre as temperaturas de 20 e 25°C, em que foram formados uma média de 109 e 65 escleródios, respectivamente, mas que nessas temperaturas não diferiram estatisticamente entre si por Tukey (5%).

Utilizando a equação gerada pela curva (y =-2,76x²+115,4x”1095, R²=0,992) obtém-se a temperatura ideal de 21°C para a formação de escleródios de S. cepivorum.

A temperatura da formação de escleródio no presente trabalho é acima de 18°C encontrada no desenvolvimento micelial do patógeno por Xavier.Com base na melhor temperatura (20°C), a formação diária dos escleródios foi representada por y=29,22x-103,4 (R²=0,908), que ocorreu a partir do quarto dia de incubação.

Verificou-se que o fotoperíodo mais favorável ao desenvolvimento é de 18 horas de luz com 188 escleródios encontrados, quando comparado com 12 horas de luz, que obteve apenas 138, porém,é pouco expressiva a diferença do fotoperíodo ao se comparar a temperatura.

As informações obtidas em relação à temperatura e ao fotoperíodo na formação de escleródios de S. cepivorum permitem um maior conhecimento da biologia do agente causal da podridão branca do alho e da cebola, auxiliando no entendimento da epidemiologia e suporte no manejo da doença no campo.

Nova Imagem

Figura 1. Curva do número de escleródios formados in vitro de Sclerotiumcepivorum em diferentes temperaturas (A) e fotoperíodos (B). Médias de temperatura (A) de mesma letra não diferem entre si por Tukey 5%. ns – não significativo pelo teste F em relação ao fotoperíodo (B). IFC/Campus Rio do Sul, 2016.

Essa matéria você encontra na edição de maio 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Inscrições abertas para competição internacional de agrociência

O programa Alltech Young Scientist oferece cursos de doutorado e pós-doutorado completamente financiadas para os vencedores e participação em Simpósio Internacional   Em sua 13ª edição,...

Acadian: Desempenho na cultura da batata

A batata (Solanum tuberosum L.) é a terceira cultura alimentar mais importante do planeta ...

Lucratividade da noz-pecã é ponto alto do cultivo

  Diniz Fronza Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jonas JannerHamann Engenheiro agrônomo e mestrando " UFSM Carlos Roberto Martins Pesquisador da Embrapa Clima Temperado carlos.r.martins@embrapa.br Por ser uma...

Mercado segmentado de cebolas exige sementes adaptáveis

Daniel Pedrosa Alves Doutor em Genética e Melhoramento, e pesquisador da Epagri- Estação Experimental de Ituporanga danielalves@epagri.sc.gov.br   O Brasil figura entre os principais produtores mundiais de cebola,...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!