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quinta-feira, julho 7, 2022
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Inoculação no sulco de plantio do amendoim

Crédito Shutterstock

Rafael Rosa Rocha
rafaelrochaagro@outlook.com
Rayla Nemis de Souza
rayla.ns@outlook.com
Engenheiros agrônomos e mestrandos em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)

A planta de amendoim (Arachis hypogaea L.), um membro da família Fabaceae, é usualmente nodulada por Bradyrhizobium spp, embora existam relatos de que bactérias de crescimento rápido, do gênero Rhizobium, também possam nodular as raízes desta leguminosa, o que lhe possibilita efetividade no processo de absorção desse nutriente.
O amendoim tem a habilidade de realizar associação fixadora de nitrogênio atmosférico (N2), o qual é convertido em amônio (NH3), por meio dos nódulos formados nas raízes de plantas leguminosas. O nitrogênio é considerado um dos nutrientes mais críticos para o aumento da produtividade agrícola, sendo a fixação biológica do nitrogênio a principal fonte natural nos solos.
O amendoim é conhecido por ser uma espécie capaz de nodular com uma ampla faixa de rizóbio nativo do solo. Por esse motivo, a maximização da faixa biológica do nitrogênio (FBN) dessa espécie costuma ser pouco eficiente, entretanto, a inoculação com estirpes selecionadas é capaz de aumentar a efetividade da simbiose e aumentar o rendimento do amendoim.

Exigências do amendoim

A cultura do amendoim demanda grandes quantidades de nitrogênio para seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, já que 73% do nitrogênio absorvido pela planta são exportados da lavoura pelos grãos e vagens.
Além do mais, normalmente fertilizantes nitrogenados não são aplicados e a maioria dos solos possui quantidades diminutas de nitrogênio. Nesse aspecto, a inoculação chega como um forte aliado a cultura.
A inoculação é uma técnica que contém microrganismos como bactérias e fungos com ação benéfica para as plantas. As aplicações desses insumos biológicos podem suprir total ou parcialmente as necessidades de nitrogênio das culturas.

Vantagens

A aplicação do inoculante via sulco garante um melhor proveito do produto, quando comparado ao tratamento de semente, dado que durante o processo de tratamento de semente produtos químicos são incorporados, podem causar morte dos microrganismos fixadores, além de garantir uma maior uniformidade de aplicação.
Diversos fatores podem apontar a necessidade de inoculação em amendoim em regiões tropicais, por exemplo, a reduzida população de rizóbio nativo do solo, principalmente em áreas sujeitas a altas temperaturas ou à baixa umidade do solo, ou ainda em áreas sem histórico de cultivo anterior com leguminosas.
Inúmeras vantagens são observadas com o uso dessa prática, como a melhoria na resistência aos estresses ambientais, adequado fornecimento de nitrogênio para altas produtividades na cultura do amendoim, eficiência na absorção de água e de outros nutrientes, baixo custo e ambientalmente correto. Além disso, observa-se redução do custo de produção, pela menor necessidade de uso de adubação nitrogenada.

Influência direta

O processo de nodulação e a FBN são influenciados por fatores edafoclimáticos que podem trazer benefícios ou prejuízos ao processo. Em alguns ambientes, as limitações à FBN podem reduzir a produtividade dos ecossistemas, diminuindo assim a taxa de carbono fixado.
As estirpes de rizóbio, além da eficiência em fixar o nitrogênio atmosférico, devem possuir a habilidade de competir com as estirpes nativas do solo. Esse é um dos fatores limitantes que mais favorece para o insucesso da inoculação em condições de campo.
Lanier et al. (2005), em condições de campo, obtiveram produtividades de vagens superiores com a aplicação de inoculante no sulco de semeadura, comparativamente à inoculação via tratamento de sementes. Lima et al. (2020) observam que a inoculação no sulco de plantio com Bradyrhizobium sp é uma alternativa eficiente para atenuar o estresse salino em plantas de amendoim e agregar respostas fisiológicas.

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